sexta-feira, 1 de maio de 2009

1 DE MAIO - DIA DO TRABALHADOR

Em 1889 o Congresso Operário Internacional, reunido em Paris, decretou o 1º de Maio, como o Dia Internacional dos Trabalhadores, um dia de luto e de luta. E, em 1890, os trabalhadores americanos conquistaram a jornada de trabalho de oito horas.

No dia 1º de Maio de 1886, 500 mil trabalhadores saíram às ruas de Chicago, nos Estados Unidos, em manifestação pacífica, exigindo a redução da jornada para oito horas de trabalho. A polícia reprimiu a manifestação, dispersando a concentração, depois de ferir e matar dezenas de operários.
Em 1889 o Congresso Operário Internacional, reunido em Paris, decretou o 1º de Maio, como o Dia Internacional dos Trabalhadores, um dia de luto e de luta. E, em 1890, os trabalhadores americanos conquistaram a jornada de trabalho de oito horas.
A história do dia do trabalhador prende-se com a luta pelos direitos dos trabalhadores. Começou com a exigência de redução da jornada para oito horas de trabalho.
A comemoração desta data continua a ser de maior importância. Neste dia os trabalhadores devem faxer uma reflexão sobre as suas condições de trabalho, devem exigir dos governantes as medidas necessárias.
Neste ponto, os trabalhadores cabo-verdianos tiveram ganhos ao longo destes anos, contudo o maior ganho aconteceu com a democracia, com a aprovação da Constituição de 1992. A nossa Constituição consagra no Capítulo III, os direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores. Citemos alguns destes direitos: Direito ao trabalho (artigo 60º); Direito à retribuição (artigo 61.º); limite máximo da jornada de trabalho, descanso semanal, segurança social, repouso e lazer (artigo 62.º); Direito à greve (artigo 66.º).

terça-feira, 28 de abril de 2009

A FORÇA DOS BLOGS….

Noto, com satisfação que os blogs já têm um espaço na sociedade cabo-verdiana. Numa altura em que novos ventos sobram na nossa politica, os mais curiosos procuram os blogs. Escreve-se sobre a política, sobre a cultura, sobre a economia. Aproveita-se para fazer política, mandar recados, criticar uns e outros. Enfim, a verdade é que isso dos blogs está cada vez mais interessante.

Leio, diariamente, vários blogs, por vezes, vejo o meu nome citado algures. Fico sempre satisfeito ao saber que os meus colegas costumam ler o que escrevo. Mais, comentam os meus posts.

Devemos continuar, devemos conquistar cada vez mais o nosso espaço na sociedade cabo-verdiana. Não temos de estar de acordo, aliás, os vários pontos de vistas tornam o diálogo ainda mais interessante.

Temos temas em comuns, preocupamos com a nossa sociedade. Da minha parte, tentarei sempre melhorar a qualidade do que escrevo. Agradeço sempre os comentários, pois aprendemos sempre com os outros. Quero aprender e partilhar com os meus colegas e com a sociedade cabo-verdiana.

Fica aqui um apelo ao blog joint, porque não abranger mais blogs neste espaço. Teria todo o gosto em participar das vossas discussões. Sugiro ainda em encontro entre os editores dos blogs para que nos possamos conhecer e debater assuntos que nos interessam. Quem sabe desde encontro não sairá uma associação dos blogs cabo-verdianos. Nunca se sabe….

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Sexta-feira – dia perfeito

Adoro sexta-feira, adoro a sensação de sentir o cheiro da noite, cheiro da paródia, do álcool e de conversas descomprometidas…

Hoje não vou colocar nenhum post sobre Jorge Santos ou Carlos Veiga. Não vou falar de política, nem vou provocar comentários anónimos maldosos. Vou simplesmente dizer que hoje é sexta-feira, dia dos meus compromissos com os meus amigos, dia em que nunca falta uma cervejinha…Não posso exagerar muito, pois, amanhã às 9h de manhã tenho aulas. Os meus alunos esperam por mim,,, hei de cruzar com alguns deles hoje à noite. Acho piada quando dizem: professor, o que fazes por aqui? Como se o professor não tivesse o direito de cair na tentação de provar e fazer as coisas boas da vida…

Adoro sexta-feira. Pessoal, podem esperar por mim. Estarei nos locais habituais. Infelizmente, não poderei deixar de falar de política, de comentar o programa 180º. Tudo bem, faz parte também da paródia. Milton, Zezito, Salvador, peço-vos, tenham muita calma nesta hora, preciso descansar um pouco e preparar para o programa 180º da próxima semana. Tenho que conciliar isso com as festividades do dia 1 de Maio, como um bom morador da Achada São Filipe tenho que comemorar esta data como deve ser… Pessoal do P3, recordam do ano passado?

Até segunda-feira, caros amigos visitantes do meu blog, bom fim-de-semana.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

“MpD: Jorge Santos reage à disponibilidade de Veiga

O presidente do MpD, Jorge Santos, reagiu há momentos, com naturalidade, ao anúncio da disponibilidade de Carlos Veiga em disputar a presidência do MpD, e reitera sua candidatura à sua própria sucessão. Considerando de "saudável" o surgimento de novas candidaturas, Jorge Santos advoga, no entanto, que o MpD é "um partido forte", activo e presente na sociedade cabo-verdiana”. In www.expressodasilhas.cv

Veiga anunciou o seu regresso, Jorge Santos reitera a sua candidatura. Esta atitude é natural e não podíamos esperar outra atitude do Jorge Santos. A questão está em saber se Jorge Santos irá até ao fim. Acho que Jorge desistirá até a convenção. Neste momento, Jorge teve a atitude certa. Mais tarde, como um grande militante do MpD, Jorge integrará a equipa do Veiga para ajudar MpD a ganhar as legislativas em 2011.

Não podemos nunca esquecer que Jorge aguentou o partido até agora. Não é o candidato ideal para Primeiro-ministro, mas é, com certeza, um elemento que poderá ajudar, em muito, o MpD. Os militantes do MpD não esperam outra coisa do Jorge que não seja a desistência. Apoiar Veiga é um designo nacional. Estou seguro de que Jorge Santos não ficará de fora desta luta.

Estive a pensar na hipótese “hilariante” de Jorge vencer Carlos Veiga. Alguém fez uma óptima comparação: Seria como se Cabo Verde vencesse uma guerra aos Estados Unidos da América. Primeiro porque é impossível. Segundo, o que faria Cabo Verde com o mundo se vencesse os EUA. A mesma pergunta poderia ser feito ao Jorge. O que faria com Cabo Verde se vencesse o homem mais carismático destas ilhas.

Portanto, Jorge tem todas as razões do mundo para desistir, pois, nem ele mesmo, deseja vencer Veiga.

“MpD: Livramento admite renunciar candidatura

Com a disponibilidade de Carlos Veiga em disputar a presidência do MpD, avançada esta manhã, em primeira-mão, nesta edição on-line, José Luís Livramento, que havia se posicionado como uma alternativa à liderança de Jorge Santos, pondera renunciar a sua candidatura, em favor de um apoio ao líder histórico do MpD”.
In www.expressodasilhas.cv

Acho normal a renúncia do Livramento. Este não está na mesma posição do Jorge, não é presidente do partido, por esta razão não é um candidato natural. Candidatou porque considerou ser uma alternativa ao Jorge Santos. Com o regresso do Veiga já não faz qualquer sentido a candidatura do Livramento, pois, Veiga é a alternativa é a solução. Caso para dizer que MPD TEM SOLUÇÃO. A SOLUÇÃO CHAMA-SE VEIGA.

TUDO MEXE….

Começaram-se as movimentações na política cabo-verdiana. Na verdade isso estava muito morto, sem piada, sem sal… Finalmente isso começa a ficar mais agitado. Veiga regressou, Jorge Santos é carta fora do baralho (sempre defendi que o homem não era opção para o país), José Maria Neves deverá anunciar a sua candidatura às presidenciais, deixando de lado as legislativas (o homem está cansado e sabe que só tinha condições para ganhar Jorge Santos).

O Filú vai começar a comer pombas porque o homem vai regressar. O embate com o Rui Semedo é só um começo. Com a saída do JMN, Filú renasce e começa a pensar nas legislativas. Sabe que vai perder… mas depois da derrota na Cidade da Praia, mais uma ou menos uma derrota não o fará mal, pelo menos em campanha o homem come mais pombas e certamente fará melhor figura que muita gente do PAICV, nomeadamente Júlio Correia. Força Filú, Praia está contigo, continuas a ser a marca do PAICV na Praia (PAICV já não tem mais opções e precisam arranjar rapidamente um líder para substituir JMN, caso contrário, passarão largos anos na oposição…).

Tudo vai continuar a mexer… porque mexe mexe que é bom…

VEIGA É MESMO CANDIDATO À PRIMEIRO-MINISTRO DE CABO VERDE

“O antigo primeiro-ministro, Carlos Veiga, confirmou esta manhã que vai concorrer à liderança do MpD, nas eleições directas deste ano. Numa curta declaração à RCV, Calos Veiga afastou também a possibilidade de se candidatar às presidenciais de 2011”. – in www.asemana.cv


Acabaram-se as especulações. Carlos Veiga confirmou que vai concorrer à liderança do MpD e consequentemente será, sem dúvida, de novo, Primeiro-ministro de Cabo Verde.


Ficou também claro que não se trata de um jogo político, Veiga não será candidato às eleições presidenciais. Durante os últimos dias muita gente tentou convencer a população de que Veiga só quer as legislativas para depois candidatar às presidenciais. Sempre defendi que isso não faz qualquer sentido. Hoje, Veiga confirmou a sua disponibilidade para voltar a governar o país e afasta, por completo, a possibilidade de se candidatar às presidenciais..

Citemos o próprio Veiga:

“quero também tornar público - explícita e definitivamente - que fica, de todo, afastada a possibilidade de me candidatar às eleições presidenciais de 2011. Agir de outra forma seria politicamente imoral. O MpD saberá encontrar na sociedade cabo-verdiana, de entre as muitas alternativas que existem, a personalidade certa para apoiar nessas eleições”

Resta saber se Jorge Santos vai desistir ou não? Jorge não tem, necessariamente, de desistir. Contudo, no lugar dele desistiria.

Acredito que o José Maria Neves já começa a pensar na hipótese de desistir das legislativas e pensar nas presidenciais. Se otodo poderoso JMN fica, claramente, assustando com Veiga, e estará certamente a ponderar deixar um outro qualquer perder com Veiga, Jorge deve pensar em dar mais algum contributo ao MpD e lutar ao lado do Veiga. Pense nisso Jorge Santos. Fica um apelo de um amigo.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Faz Sentido a Desistência de Jorge Santos?

Buscar um consenso é sempre uma luta complicada, por vezes impossível. Felizmente não precisamos ter em consenso em tudo. Na democracia comanda a vontade da maioria. A minoria (por vezes com razão) perde e dá lugar a vontade da maioria.

Não devemos ficar alarmados com a falta de consenso. Não podemos, também, ter a pretensão de agradar a todos. A ousadia e determinação agrada uns e chateia outros. É assim a vida, ainda bem que assim o é.

É interessante notar como uns reagem bem aos meus posts e outros passam mesmo para insultos. Quem arrisca a escrever, a opinar corre este risco. Escrevo e aceito comentários de “amigos anónimos” que por vezes dizem coisas lixadas.

Lamento apenas o facto de termos jovens com necessidade de serem anónimos. Jovens sem coragem e sem determinação. Devemos expressar, assumir as nossas posições.

Enfim, havemos de lá chegar.

Algumas pessoas defendem que, se Veiga regressar deve o Jorge Santos desistir. Não vejo razão para isso, Jorge Santos tem todo o direito de lutar pela liderança do partido. A maioria escolherá o melhor candidato. Não é imperativo o consenso. A maioria ditará a vitória….

Força Jorge, boa sorte. Conhece bem o peso do Veiga, mas isso não é impedimento para retirar a sua candidatura.

terça-feira, 14 de abril de 2009

O FACTOR CALOS VEIGA – UM PESO PESADO

É interessante verificar que ninguém ficou indiferente à notícia do regresso do Veiga. O homem ainda nem se pronunciou sobre o assunto e é tema dos blogs, jornais, conversas nos bares restaurantes, escolas, universidades, enfim, por todo o país fala-se do poderoso Veiga.

O peso de um homem revela-se, de facto, pelas vezes que dele se fala (bem ou mal) e pelo susto que causa, à alguns, a referência ao seu nome. Neste sentido, Veiga de facto é um peso pesado.

É obvio que nem todos engoliram este sapo, normal em Democracia. Não podemos esquecer que muita gente tinha os seus sonhos e ambições (agora dizem que eu é que estou sonhando, tem piada de facto, mas cada um diz o que lhe apetece, e assim vou avaliando o peso das minhas palavras).

Muitos sonhos e ambições ficam desfeitos com o regresso do Veiga. PAICV acaba de notar que afinal não terá um terceiro mandato. Aqueles que julgaram que teriam um cheirinho do poder com Jorge Santos, também, ficaram assustados. Perante tantos desprazeres é natural que digam que ando a dizer muita coisa e estou revelando ambição e arrogância. Também isso é normal em Democracia. Se o que digo significa arrogância, então serei um eterno arrogante, pois tenho orgulho no que digo e escrevo, com frontalidade.

Alguns argumentam que Veiga apenas só quer as legislativas para depois passar para as presidenciais. Não concordo.

Se Veiga realmente regressar, é porque atendeu a pedidos dos militantes e cidadãos cabo-verdianos. É porque resolveu abdicar da presidência em nome no país.

Está claro que o José Maria Neves não tem mais condições para continuar a governar, está também claro que o Jorge Santos, não é alternativa. Está também claro que PAICV não possui nenhuma outra alternativa a Neves. Neste cenário, só nos resta apelar ao regresso do Veiga. A questão é muito simples…não vejo razões, objectivas, para tanta complicação…

segunda-feira, 13 de abril de 2009

LIBERDADE DE EXPRESSÃO - UM GANHO DA NOSSA DEMOCRACIA

O artigo 47º da nossa constituição consagra a liberdade de expressão, uma conquista da nossa democracia e, expressão plena da nossa liberdade, uma herança do 13 de Janeiro.
Os blogs constituem um instrumento nas mãos daqueles que querem expressar as suas ideias e opiniões. Adoro poder ligar a net e escrever os meus anseios e os meus desejos. Igualmente, adoro ler a reacção dos outros sobre as minhas notas, uns mais agradáveis, outros nem tanto, uns identificados, outros anónimos. Em qualquer dos casos, as reacções nos fazem sentir útil e parte desta sociedade, onde queremos dar a nossa singela contribuição.
Expressar é ser livre. Quero continuar a ser livre. Tenho a consciência de que se trata de um acto de coragem com elevados custos.

UM APELO AO REGRESSO DO VEIGA À GOVERNAÇÃO DO PAÍS

Tal como todos esperávamos, Jorge Santos avançou com a declaração pública da sua candidatura à liderança do MpD. Acto normal para quem esteve a frente do principal partido da oposição nos últimos tempos. Livramento, o até então candidato a candidato, fez o mesmo. Até aqui tudo dentro da mais perfeita normalidade dentro das disputas partidárias, aliás tão “normal” que muitos militantes do MpD não estão satisfeitos com tamanha normalidade.
Existem dois candidatos à liderança do MpD e, por conseguinte, um deles poderá vir a ser o candidato a Primeiro-Ministro. Qual deles? Eis a questão essencial que se coloca ao MpD. Para o país é fundamental o regresso dos ventoínhas ao poder. Trata-se de um imperativo para o país. Mais cinco anos na oposição e mais um mandato para o PAICV, poderá ser o regresso ao regime do partido único, ainda que, escondido sob a capa da democracia.
O actual líder da oposição aguentou o barco até agora e, apesar dos pesares, há que reconhecer que Jorge Santos segurou o partido em época de vacas magras. Passou por mau momentos e foi sempre criticado por muitos (onde eu me incluo). Depois de ganhar as eleições autárquicas, renasceu a esperança no MpD e o partido passou a acreditar que uma vitória em 2011 era possível.
É comum dizer-se que em equipa que ganha não se mexe e Jorge Santos venceu as autárquicas, pelo que, seria de se esperar que o grupo, no seu todo, se mantivesse fixo. Contudo, a equipa que ganhou as eleições a nível das autarquias não parece ser a melhor para conquistar a vitória nas legislativas que se aproximam. Por outro lado, não podemos ignorar o peso político dos candidatos: Ulisses Correia e Silva, Francisco Tavares, Isaura Gomes, Manuel Ribeiro e Fernando Jorge. Todos eles são pesos pesados, como tal não podemos atribuir exclusivamente o mérito da vitória nas autárquicas ao Jorge Santos. Aliás, fica essa dúvida, se nos lembrarmos por exemplo que Agostinho ganhou igualmente as autárquicas e não conseguiu o mesmo resultado nas legislativas.
Jorge Santos necessita de conquistar o apoio da sociedade civil, o dos cabo-verdianos não militantes. Presentemente, acredito que cerca de 30% a 40% dos eleitores não são fiéis a nenhum partido em particular, votam consoante o líder, a equipa e/ou programa. José Maria Neves continua a ser mais carismático que Jorge Santos, pelo que, este último precisa melhorar o seu desempenho e reforçar a sua equipa com alguma premência.
Creio que grande parte da população tem a sensação de que Jorge Santos está rodeado de pessoas erradas e que não acrescentam nenhuma mais valia ao partido. Não podemos estar todos errados e, em todo o caso, nas eleições legislativas a maioria ditará a vitória, como tal, não é o momento para ignorar a opinião da maioria.
É neste cenário que Livramento pretende ser a alternativa. O problema está em saber se Jorge Santos e Livramento fazem aumentar ou diminuir as possibilidades de vitória. Que mais valia trazem ao MpD? Quem quer ver MpD no poder, terá, necessariamente, de se interrogar sobre estas questões essenciais e se são condições sine qua non para a vitória do partido.
Até aqui, tudo continua a parecer normal e alguns poderão estar a interrogar-se sobre o porquê do articulista chato estar a escrever sobre o assunto de novo. Onde reside a novidade e o interesse deste artigo? Pois bem, caros amigos e fies leitores, eu, tal como muitos cabo-verdianos, tenho estado a interrogar-me sobre a viabilidade de uma terceira via na convenção do MpD. Não será ainda possível uma terceira alternativa?
A mais interessante de todas as questões e cuja resposta, positiva, poderia, levar seguramente, o MpD ao poder é esta: será que o Carlos Veiga não vai regressar e ser, ele mesmo, candidato à Primeiro-ministro?
A volta de Veiga para muitos não faz qualquer sentido, seria um completo retrocesso, seria fechar a porta à nova geração. Para outros seria uma traição a Jorge Santos. Alguns ainda poderão argumentar que tal traria uma divisão ao MpD numa altura em que o partido, aparentemente, se encontra unido.
Todos os supostos argumentos supra enunciados e que, possivelmente, passarão pela cabeça de qualquer leitor caem por terra. Passo a explicar porquê.
1.º Veiga continua a ser o grande líder do partido, os militantes do MpD e muitos eleitores continuam a olhar para Veiga como uma figura incontornável do MpD. Muitos colam o partido à imagem de Veiga. Nas duas eleições presidenciais passadas, e numa altura em que o PAICV se apresentava incontestavelmente mais forte, Veiga teve mais votos que o MpD, revelando que tem, claramente, um numero de votantes superior ao partido que o apoiou. Veiga não tem culpa de ser o grande líder que é, pelo contrário, tem todo o mérito nisso. Também não tem culpa se depois dele ninguém mais conseguiu ser um líder à sua altura. O homem não tem de perder qualidades para que deixem de gostar dele, os novos dirigentes do MpD é que devem conquistar um espaço de liderança na sociedade cabo-verdiana. MpD precisa do Veiga, os militantes do MpD têm todo o direito de pedir o regresso do seu grande dirigente. A nova geração terá todo o prazer em trabalhar e aprender com Veiga para estar à altura de grandes embates no futuro. Neste ponto, estou seguro de que, Fernando Elísio Freire, Miguel Monteiro, Lourenço Lopes e toda a nova geração pós anos noventa olham com bons olhos o regresso do Veiga, pois, também desejam o melhor para o MpD e para o país. A nova geração terá em Veiga um exemplo, um modelo a seguir e só assim teremos grandes líderes no futuro.
2º O regresso de Carlos Veiga também não representa uma traição a Jorge Santos. Veiga, neste momento, é a solução do MpD e do país.
3º Veiga é uma das poucas pessoas que poderá unir completamente o partido. Nota-se ainda que, dizer que o partido está unido é tentar tapar o sol com a peneira. Na verdade constata-se, publicamente, divisões no seio dos deputados no MpD, havendo, no parlamento, votos em sentidos diferentes e insultos entre os deputados, a isso acrescente-se o facto de grandes intelectuais do partido estarem, actualmente, longe da política activa. Onde reside a união no partido?
A hipótese do regresso do Ex-Presidente do MpD, uma das figuras politicas mais carismáticos destas ilhas, deixa qualquer militante do MpD e qualquer cidadão não militante feliz e esperançoso num Cabo Verde cada melhor.
Por sua vez, o PAICV demonstra algum cansaço, revelando que o Primeiro-ministro já não tem a mesma força e nem a mesma pachorra para governar o país. Numa altura em que MpD não consegue apresentar grandes alternativas, o país precisa de um grande homem e de um líder político que transmita segurança.
Em momentos de crise, Cabo Verde precisa de um dirigente que mereça o apoio de todos os militantes do MpD e da maioria dos cabo-verdianos. Neste aspecto, Veiga é de facto o homem ideal para governar o país novamente.
Se Veiga avançar para Primeiro-ministro, perguntar-me-ão, quem será então o candidato a Presidente da República? Boa pergunta! MpD certamente arranjará uma solução. Será mais fácil colocar alguém no Plateau do que na Várzea. Para candidato a Presidente, MpD e o país têm muitas soluções. No PAICV, até ao momento, já se apresentaram 3 candidatos. O MpD poderá apresentar como candidato o próprio Jorge Santos ou o carismático Jorge Carlos Fonseca. Contudo, ninguém consegue apontar um candidato para suceder o José Maria Neves. Isso quer dizer que o PAICV tem o mesmo problema que o MpD, o partido e o país não produziram muitos líderes nesta geração. Por isso mesmo, o PAICV sente a necessidade de ir à luta, novamente, com José Maria Neves e o MpD também sente a necessidade de ir buscar o seu líder histórico. Dois grandes líderes num grande confronto político.
Não podemos ignorar que, em momentos de crise, de aflições, de desemprego, de sufoco, precisamos do nosso melhor jogador, do homem que durante vinte anos ganhou todas as eleições, no território nacional, em que participou, ocupe a posição chave da governação do país, isto é, a de Primeiro-ministro da Nação.
Neste caso, como cidadão cabo-verdiano que deseja o melhor para este país, e depois do que acabaram de ler, só tenho a concluir, solicitando ao Dr. Carlos Veiga que regresse a liderança do partido e que volte a ser o Primeiro-ministro deste país. O Movimento para a Democracia, infelizmente, não conseguiu apresentar soluções viáveis e José Maria Neves está cansado. Não podemos eleger um Primeiro-ministro cansado e relevando sinais claros de quem esta cansado do poder e de liderar, um politico não pode aparentar que sofre de stress.
Sendo assim, e para concluir, fica um apelo de um cabo-verdiano preocupado com o desenvolvimento e o futuro do seu país. Caro amigo, volta a liderar o MpD, volta a governar o país. Cabo Verde, neste momento difícil, nesta fase de crise, precisa de ti. Veiga, não ignora o pedido da maioria dos cabo-verdianos e dos militantes do MpD.
João Dono

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Carlos Veiga vai mesmo regressar.

Quando defendi no meu blog o regresso do Veiga, alguns consideraram uma hipótese hilariante. Contudo, parece que não é tão hilariante assim. Enfim,, as vezes digo algumas verdades.

Vou dizer mais uma grande verdade, Carlos Veiga será Primeiro-ministro, Jorge Carlos Fonseca será Presidente da República e Jorge Santos será Presidente da Assembleia Nacional. Quem viver verá....

Devem estar a questionar: o João Dono será o quê? Continuarei a ser advogado, professor e escreverei algures por aí... mas ninguém estranhará se eu vier a ser Ministro de qualquer pasta um dia...nunca se sabe, pode ser que venha a fazer umas férias na advocacia e ensino e afinal,,,tenho capacidades para isso....pelo menos nunca seria Ministro de um Governo possível... mereço bem mais... quem pode pode, quem não pode.....

terça-feira, 7 de abril de 2009

SAUDADES DO MEU BLOG!

Motivos pessoais e profissionais, impediram-me de escrever durante estes dias. Mas estou de volta e pronto para actualizar o meu blog.

Tinha saudades de escrever sobre questões políticas, falar do Governo e do MpD. Falar da liderança do Jorge Santos.

E agora, porque não falar mais sobre o possível e desejável regresso do Dr. Carlos Veiga à liderança do MpD.

Podem contar que vou escrever mais sobre isso. Cabo Verde precisa de Carlos Veiga, para o MpD é imperativo, neste momento, o regresso do Veiga.

segunda-feira, 30 de março de 2009

A ANGÚSTIA DA INCERTEZA DO FUTURO

O futuro é algo lixado. As decisões do presente influenciam sempre o futuro, como não conhecemos o futuro arriscamos, umas vezes dá certo, outras não. Fazer opções é algo delicado, por vezes é preciso ter mais que conhecimentos, mais que convicções, é preciso ter sorte e intuição.

Esta incerteza, esta angústia, torna a vida ainda mais interessante, faz dela um jogo, um jogo fascinante. Isso acontece em todas as vertentes da nossa vida, especialmente na política. Neste momento temos muitos políticos em Cabo Verde que estão num grande dilema, tentam prever o futuro, mas por vezes a nuvem do futuro é tão negra que nem com sondagens temos previsões seguras. José Maria Neves continua entre o dilema das presidenciais e legislativas, Ulisses está na Câmara da Praia mas ainda pensa um pouco nas legislativas. Jorge Santos está balançado com a entrada em cena de Livramento e, quem sabe ainda, do regresso do Veiga a pedido de muitos militantes do partido. Este tem os olhos nas presidenciais, ir para legislativas poderá implicar abdicar das presidenciais. E agora, o que faço? – Pergunta o Veiga.

Enfim, o futuro é mesmo lixado, teremos ainda mais dois anos de dúvidas e de angústias, contudo as opções devem ser tomadas agora. E agora MpD? Que faz fazer?

TACV – UMA DOENÇA CRÓNICA OU PURO FINGIMENTO?

O bilhete de passagem nos TACV foi sempre caríssimo, quer nos voos inter ilhas, quer para o estrangeiro. Os voos da TACV estão, regra geral, cheios. Tudo isso leva a concluir que a empresa gera milhares de contos mensais. Foi assim ao longo destes anos, contudo, a empresa nunca tem dinheiro e está sempre doente. Onde paira o dinheiro dos passageiros, porque a TACV tem tanta despesa assim? Qual é, na realidade, a doença da TACV? É crónica? Alguém estará interessado em privatizar o TACV? Quem será o salvador da empresa? Será quem alguém consegue responder-me estas questões?

domingo, 29 de março de 2009

JORGE SANTOS VERSUS LIVRAMENTO. O POSSÍVEL REGRESSO DE VEIGA

Jorge Santos já anunciou a sua candidatura à liderança do MpD, Livramento acaba de fazer o mesmo. Tudo isso já era esperado. Qual deles será o candidato do MpD à Primeiro-ministro? Jorge Santos aguentou o barco até agora, apesar dos pesares temos que reconhecer que Jorge aguentou o partido em época de vacas magras. Agora parece que existe alguma possibilidade de o MpD voltar ao poder. O problema está em saber se Jorge e Livramento fazem aumentar ou diminuir esta possibilidade. Que mais valia trazem ao MpD? Quem quer ver MpD no poder, terá, necessariamente, de se interrogar sobre estas questões.

Deixo aqui mais uma questão. Será que não é possível uma terceira alternativa? Será que Ulisses poderá ser candidato à Primeiro-ministro? A mais interessante de todas as questões e cuja resposta poderia levar seguramente o MpD ao poder é esta: será que o Carlos Veiga não vai regressar e ser, ele mesmo, candidato à Primeiro-ministro?

A hipótese do regresso do grande líder do MpD, de um dos mais carismáticos homens destas ilhas, deixa qualquer militante do MpD e qualquer cidadão não militante feliz e esperançoso num Cabo Verde cada vez melhor.

Numa altura em que o PAICV demonstra algum cansaço, revelando que o Primeiro-ministro já não tem a mesma força, nem a mesma pachorra para governar o país, numa altura em que MpD não tem conseguido apresentar grandes alternativas, o país precisa de um grande homem e de um grande líder. Um líder que certamente merecerá o apoio de todos os militantes do MpD e da maioria dos cabo-verdianos. Veiga é de facto o homem ideal para governar, novamente, o país.

Perguntar-me-ão, quem será então o candidato a Presidente da República? Boa pergunta! MpD certamente arranjará uma solução. Será mais fácil colocar alguém do Plateau do que na Várzea. Para candidato a Presidente, MpD e o país têm muitas soluções. No PAICV, até ao momento, já temos 3 candidatos. Mas ninguém consegue apontar um candidato para suceder o José Maria Neves. Isso quer dizer que o PAICV tem o mesmo problema que o MpD, o partido, o país não produziu muitos líderes nesta geração. Por isso mesmo, o PAICV sente a necessidade de ir à luta, novamente, com José Maria Neves e o MpD também sente a necessidade de ir buscar o seu líder historio. Dois grandes líderes num grande confronto político.

Sempre escrevi que o MpD dificilmente ganhará as próximas eleições legislativas. Regressando o Veiga, eu e a maioria dos cabo-verdianos muda de opinião. MpD vai derrotar o PAICV com Veiga na linha da frente.

Concordam comigo?






sexta-feira, 27 de março de 2009

PARABÉNS ÀS NOSSAS MULHERES

27 de Março, dia das mulheres cabo-verdianas. Hoje é de facto um dia especial, as mulheres cabo-verdianas merecem felicidade, amor e carinho. Isso não quer dizer que o dia das mulheres cabo-verdianas seja apenas o dia 27 de Março. Durante os outros dias merecem o mesmo carinho e o mesmo amor. Contudo, não faz mal ter um dia em especial, com programas especiais, não desvaloriza os outros dias.

Feliz dia, mulheres cabo-verdianas!!!

quarta-feira, 25 de março de 2009

EM DEFESA DO DIREITO AO AMBIENTE

A Constituição prevê nos artigos 67.º e seguintes, os chamados Direitos e deveres económicos, sociais e culturais. O artigo 70.º consagra o direito à saúde e o artigo 72.º o direito ao ambiente. Estes dois direitos têm uma forte ligação, na medida em que, para uma saúde sã, precisamos de um ambiente sadio e ecologicamente equilibrado. A saúde e o ambiente são direitos e ao mesmo tempo deveres, pois a Constituição atribui a todos, o dever de defender a saúde e o ambiente.

O Ministro do Ambiente tem ignorado a Constituição e parece desconhecer que o artigo 7.º k) da Constituição do País estabelece como uma das tarefas do Estado, proteger a paisagem, a natureza, os recursos naturais e o meio ambiente, bem como o património histórico - cultural e artístico nacional.

Ao tentar compreender as atitudes do Ministro, recordo que ele entrou num Governo possível, o que quer dizer que foi um Ministro possível. Contudo, qualquer cidadão cabo-verdiano deve conhecer e respeitar a Constituição, este facto não pode servir de desculpas. O nosso Primeiro-Ministro deveria, pelo menos, exigir este requisito nos seus possíveis ministros.

O Ministro do Ambiente deveria, por outro lado, ter mais consideração pelos técnicos na matéria. O caso da construção da Marina da Murdeira revelou que o nosso Ministro percebe tudo das questões ambientais e não ouve a mais ninguém. O mesmo parece estar a acontecer com a exploração da pedreira do ilhéu em Achada São Filipe. Alguns moradores já se insurgiram contra a exploração desta pedreira pois a poeira, o cheiro, o fumo oriundos da mesma constituem um perigo para a saúde dos moradores de Achada São Filipe.

Em Cabo Verde já possuímos uma vasta legislação sobre o ambiente, falta sim, ter um Ministro que defenda a Constituição e a leis. O direito à saúde e ao ambiente justificam restrições a outros direitos constitucionalmente protegidos, como o direito a iniciativa privada e o direito de propriedade. A integridade física da população não pode ser posta em causa. O direito ao ambiente, para além de ser um direito fundamental é também um direito de personalidade nos termos do artigo 68.º do Código Civil.

Como refere Carvalho Fernandes, “a noção de pessoa jurídica impõe uma referência a uma categoria fundamental de direitos inerentes à pessoa, enquanto manifestações da sua imanente dignidade, logo, numa perspectiva ética e ontológica – os chamados direitos de personalidade.” (Teoria Geral do Direito Civil, vol I. pág. 216)

Pelo exposto, fica claro que estou a escrever nada de novo, apenas estou a cumprir o meu dever de cidadão. Por isso, como cidadão, espero do Ministro, ainda que, a meu ver, seja um Ministro possível, uma explicação. A população da Achada São Filipe, e não só, pretende saber quais os danos que a pedreira poderá trazer para a sua saúde e ao nosso ambiente. Quais os estudos que foram feitos? Quais as conclusões? Qual foi o parecer dos técnicos devidamente balizados na questão? Acho que não peço muito, apenas exerço um direito e a cumprir um dever.




TRÊS MIL VISITAS …

Mais uma vez tenho de agradecer aos visitantes do meu blog. Noto que o número de visitas tem sido cada vez mais, chegando, às vezes, a centenas de visitas diárias.

Prometo continuar com mais e melhor. Muito Obrigado.

segunda-feira, 23 de março de 2009

JORGE SANTOS E OS SEUS ONZE JOGADORES

Em equipa que ganha não se mexe. Jorge Santos ganhou as autárquicas, sendo assim, seria de esperar que a equipa se mantivesse fixa. Contudo, a equipa que ganhou as autárquicas não parece ser a melhor para ganhar as legislativas. Aliás, nestas eleições não podemos esquecer o peso dos candidatos como Ulisses Correia e Silva, Francisco Tavares, Isaura Gomes, Manuel Ribeiro e Fernando Jorge. Todos eles são pesos pesados. Neste momento, o MpD parece continuar a confiar no seu treinador, o big boss – Jorge Santos.

Jorge Santos precisa conquistar o apoio da sociedade civil, dos cabo-verdianos não militantes. Neste momento, acredito que cerca de 30% a 40% dos eleitores não são fieis a nenhum partido, votam consoante o líder, a equipa e o programa. José Maria Neves continua a ser mais carismático do que Jorge Santos, por isso, este precisa melhorar o seu desempenho e reforçar a sua equipa.

Grande parte da população tem a sensação de que Jorge Santos está rodeado de pessoas erradas e que não acrescentam nenhuma mais valia ao partido. Não podemos estar todos errados, em todo o caso, nas eleições legislativas a maioria ditará a vitória, por isso, não se pode ignorar a opinião da maioria…

Caro Jorge, ouça o povo caso queira ganhar as legislativas. Repense nos seus onze jogadores, veja onde precisa defender mais e onde precisa atacar. Procura melhores marcadores pois MpD tem falhado muitos golos, alguns vão a barra, outros no poste. Outros são defendidos pelo PAICV sem grandes problemas e depois seguem em contra-ataque.

Numa próxima nota, tentarei aconselhar-lhe sobre as necessárias mudanças, isto é, quem entra e quem sai….

Até lá, caro Jorge Santos...


domingo, 22 de março de 2009

O MEU PIOR DEFEITO….

Neste momento, para muitos, o meu maior defeito é não ser militante de nenhum partido político. Quando escrevo, faço análises de um cidadão comum, de um cabo-verdiano atento ao que se passa no seu país. Isso incomoda muita gente. Muito boa gente acha que devo ser necessariamente do MpD ou do PAICV e que devo falar mal ou bem de um dos dois partidos.

Em Cabo Verde rejeitam aqueles que optam, apenas, por ser um bom profissional e ter uma atitude crítica em relação aos acontecimentos. Dizem-me que assim não vou longe, que assim nunca serei membro do Governo, que assim nunca serei director geral, ou administrador de empresas públicas. Que se lixe! Não tenho de ser mais do que um advogado e professor. Já é muito e dou graças a Deus por isso. Se o que escrevo incomoda a muita gente, mais uma vez que se lixe, continuarei a escrever, alguns gostam, outros não. É assim a vida, não pretendo agradar a todos.

Sou assim, tenho este defeito, gosto de ser livre. A liberdade tem o seu preço, mas estou disposto a pagar bem caro pela minha liberdade… que se lixe!!!

Mais uma semana… as mesmas inquietações … Mais uma vez Jorge Santos…

Inicia-se mais uma semana, mais uma semana ficou para trás. Eu continuo com as mesmas inquietações, com as mesmas dúvidas. O que será que os cabo-verdianos comentarão esta semana. A semana passada foi a semana do mundo novo, do rescaldo da visita do Sócrates, da polémica entre Eurico Monteiro e Humberto Cardoso.

Inicia-se, esta segunda-feira, mais uma sessão parlamentar. Desta vez o MpD quer debater a “Transparência na Governação” para esclarecer as adjudicações de obras por ajuste directo.

Espero que seja um debate interessante, sem insultos, sem palhaçadas, sem tolices. Há quem diga que temos deputados tolos. Eu prefiro dar o benefício de dúvidas aos nossos deputados. Veremos quem sairá a ganhar com mais um embate entre José Maria Neves e Jorge Santos, os dois homens que estarão frente a frente nas legislativas. A avaliação contínua já começou e culminará com o exame final em 2011.

O povo fará a sua avaliação todos os dias. Neste momento JMN vai a frente, apesar ter poucos pontos a mais que Jorge Santos. Este último terá todas as oportunidades de se afirmar e mostrar aos cabo-verdianos que merece os nossos votos. Para já, conseguiu afastar a concorrência, os candidatos mais fortes não vão avançar. Ficou apenas um candidato a candidato que possível ficará por ai… neste sentido, o MpD já fez a sua escolha, Jorge Santos é o homem, ele é o cara, o candidato a Primeiro-ministro.

Pois bem, doravante vamos exigir mais e melhor do senhor. O senhor é um possível candidato a Primeiro-ministro do meu país, poderá vir a tomar medidas e decisões que afectam directamente a minha vida, da minha família, dos meus amigos. Tenho o direito de exigir de si uma atitude de um Primeiro-ministro, tenho direito de exigir de si mais competência, mais ideias, mais projectos, tenho direito de exigir soluções para os problemas do nosso país.

Tenho reparado que o meu blog tem tido muitas visitas semanais, contudo são poucos os comentários. Mesmo assim gostaria de pedir aqui aos meus visitantes que façam comentários sobre o candidato a Primeiro-ministro do MpD. Quero que me ajudem a analisar as seguintes questões:

(i) Acham que Jorge Santos é uma óptima escolha?
(ii) Jorge Santos ganhará as legislativas?
(iii) Jorge Santos precisa de mudar a equipa?
(iv) Que conselhos dariam ao líder do MpD?

Aguardo e agradeço reacções.

HINO NACIONAL

Numa reportagem da “Record Cabo Verde” deu para ver que poucos os cabo-verdianos conhecem o hino nacional. Alguns sabiam o hino do tempo colonial e outros, o hino do período do partido único. Pois, nestas alturas ensinava-se o hino nas escolas. Hoje ninguém se lembra do hino nacional. Uma pena! Nós devemos conhecer os símbolos nacionais, o hino e a bandeira nacional fazem parte da nossa história, da nossa identidade. Temos de ter orgulho da nossa identidade. Para dar a minha singela contribuição na divulgação do hino nacional, fica aqui um nosso hino:
Canta, irmão
Canta, meu irmão
Que a liberdade é hino
E o homem a certeza.

Com dignidade, enterra a semente
No pó da ilha nua;
No despenhadeiro da vida
A esperança é do tamanho do mar
Que nos abraça,
Sentinela de mares e ventos
Perseverante
Entre estrelas e o atlântico
Entoa o cântico da liberdade.

Canta, irmão
Canta, meu irmão
Que a liberdade é hino
E o homem a certeza.

(in http://www.governo.cv/)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Gota D’água, o “Magalhães" de Cabo Verde

Cabo Verde terá o seu próprio “Magalhães”. Todas as nossas crianças têm direito a um “Gota D’água”, é o mundo que chega ao “PORTON D NÔS ILHA”.

Que não haja dúvida de facto, Cabo Verde está cada vez mais na moda. Os nossos estudantes merecem um “Gota D’água” e merecem entrar num mundo novo. O nosso Primeiro-ministro inspirou-se no lindíssimo poema de Renata Cardoso e trouxe o mundo às nossas ilhas e pretende oferecer aos estudantes e professores um “Gota D’água” com apoio do Sócrates. Este também teve uns dias inspirados, cheios de declarações de amor aos cabo-verdianos. Como canta Gil Semedo, “Dja nu ganha fama”.

Jorge Santos não foi convidado para a festa e claro, o nosso líder de oposição não podia fazer o papel de “rusga” e ir a festa sem ser convidado. De facto nem o Sócrates, nem o José Maria Neves tiveram uma atitude de “kompas” com o Jorge Santos. De facto, nem com a promoção de Cabo Verde Telecom Jorge Santos conseguiu ser “kompas” do JMN e Sócrates.

Já agora, alguém sabe quem são os 5 “kompas” do Primeiro Ministro e do Jorge Santos. Vou tentar adivinhar. JMN deve ter como “kompas”: Janira Hopffer Almada, Rui Semendo, Nuías Silva, Basílio e Inocêncio.

Por seu lado, Jorge Santos deve ter optado por: Fernando Elísio, Miguel Monteiro, Lourenço Lopes, Miguel Sousa e Joana Rosa.

Os “Kompas” devem estar permanentemente em contacto e devemos agradecer a Cabo Verde Telecom por isso. Bem, vou parar de escrever e vou ligar a um “kompas”. Sabem quem são os meus “Kompas”? Depois digo-vos. Não sejam tão curiosos, ainda não sou nem Primeiro-ministro, nem líder de oposição. Quem sabe um dia… nunca se sabe…!!!

Deixo-vos com a inspiração do nosso Primeiro-ministro

PORTON D NÔS ILHA

Quando um mundo novo cunqui
Na porton di nôs ilha
Pamode qui fogon sem paia
Na ladêra sem cimbron
Tude mãe chei d fidjo sem estória
Tude gril quebrá sê pedra
Pamode manhã ca tem prutchida
E no quema morabeza
Ma distino triste di ilhéu
E no spaia sês pontin
Na prato fundo sem fture
Di tudo bem sirvido qui criás
Di tudo bem sirvido qui criás
E no cuzá um enchada
Má um broca e no espaiá
Um novo ideia na nôs mar
Sol e morabeza pa tude gente
Tude nôs farol di morte
Ma cimitério di nôs água
No vra terra pa tude gente
Lei tude criston tude cimbron
Tem direite na sê gota d aga



Renato Cardoso

segunda-feira, 16 de março de 2009

“Gota D’ água é o “Magalhães” de Cabo Verde

Os anunciados 12 mil “Magalhães” – computadores adaptados aos mais novos – afinal eram só 60. A entrega oficial aconteceu no segundo dia de visita oficial, na Escola da Capelinha, ocasião que o governo cabo-verdiano aproveitou para anunciar o “Gota d’água”. Este computador segue o mesmo conceito do “Magalhães”, mas terá conteúdos e aplicações 100% crioulos. O “Gota d’água” é uma componente do programa “Mundu Novu”.” In www.asemana.cv

Quem inventou os 12 mil “Magalhães”, porque alguém andou a nos enganar desta forma durante os últimos dias?

Entre 60 e 12 mil existe uma grande diferença. Nem sequer existe nenhuma razão que nos passa fazer pensar que houve um erro de escrita ou de cálculo. Simplesmente alguém passou esta informação e os cabo-verdianos leram isso em todos os jornais.

Eu fiquei a saber que afinal não são 12 mil mas sim 60. Alguns dos meus amigos também ficaram a saber. Uma pequena percentagem de cabo-verdianos foi esclarecida. Mas aposto que muita gente ainda pensa que foram 12 mil. Será que esta informação foi passada de propósito?

Fiz um exercício e perguntei a 10 pessoas esclarecidas com 12.º ano de escolaridade e todos responderam: “Sócrates trouxe 12 mil Magalhães”. A notícia da vinda de 12 mil “Magalhães” circulou por todo o país, foi destaque em todos os órgãos de comunicação social, foi comentário nos bares, escolas, universidades, entre vizinhos, enfim, a notícia correu de boca em boca. Agora, quem vai dizer aos cabo-verdianos que afinal não é 12 mil mas sim 60. 60 não teria, certamente, o mesmo impacto…..

Mas porque será? Porque alguém inventou um número tão alto? É estranho porque quando digo a algumas pessoas que afinal não são 12 mil, respondem, assim, com segurança: “eu ouvi na televisão e rádio, li nos jornais, estou bem informado e tenho certeza que são 12 mil”.
Alguns ainda dizem que são 12 mil mas só veio uma parte e que o resto está a caminho, devendo chegar mais nos próximos dias.

Este exemplo levou-me a pensar que a informação pode ser manipulada de tal forma que a diferença entre verdade e mentira deixa de existir. Quando se lança uma informação com tanto impacto como este, sobretudo estando quase todo o Governo português em Cabo Verde, em que o país vive dias de festas, comemorando a vinda de Sócrates, fica complicado depois apresentar uma outra versão, ainda que a verdadeira, dos factos.

domingo, 15 de março de 2009

ETERNOS APAIXONADOS

Mesmo que me faltem forças para escrever,
E não tendo dom para poeta ser
Agarro-me nos teus encantos
E traduzo a tua beleza em palavras
Faço dos meus versos
Um jogo de silabas
Um jogo de amor
Somos assim, dois seres, unidos pelo amor
Duas almas, dois corpos, um coração
Escrevemos na nossa história a nossa canção
Somos eternos, somos imortais
Somos na vida os tais,
Que sonham e vivem para amar

sexta-feira, 13 de março de 2009

SÓCRATES E JOSÉ MARIA NEVES - A CAÇA DE VOTOS

Uma grande comitiva do Governo de Sócrates está em Cabo Verde. Sócrates precisa ganhar as eleições legislativas em Portugal. Obter uma maioria absoluta parece ser uma tarefa complicada. O escândalo do caso “freeport” parece ser uma pedra no sapato de Sócrates. Ao Sócrates dará muito jeito o voto dos cabo-verdianos com capacidade para votar em Portugal. Não tendo como chegar directamente a esta grande comunidade, Sócrates opta por vir directamente à origem, numa operação de charme e de propaganda politica, o Governo de Sócrates decidiu fazer uma maratona em Cabo Verde. Como bandeira traz Magalhães e ajuda o Governo no Programa “Mundo Novo”.

Esta operação poderá dar bons frutos ao PS. José Maria Neves, por seu lado, também não está com uma vida fácil. O escândalo da Cabo Verde Investimentos ainda pode vir a dar muitas dores de cabeças ao Governo. Para um terceiro mandato, JMN precisa de novidades, “Mundo Novo” pode dar uma mãozinha. Contudo acho que nesta caça de votos, ainda assim Sócrates tem mais a ganhar.

quarta-feira, 11 de março de 2009

MAIO, TÃO LONGE E TÃO PERTO

Maio continua tão distante da Cidade da Praia. Não é a primeira vez que morre um maiense por falta de assistência médica devida. Tudo porque o hospital não tem as devidas condições e, a ligação Maio-Praia é deficitária. Desta vez, Xidau, morreu a caminho da Praia, dentro de um barco a procura de melhores condições no Hospital Agostinho Neto.

O sistema de protecção civil de Cabo Verde é de facto extremamente deficitário.
Para quando um helicóptero preparado para transportar pessoas que necessitam de uma assistência médica urgente na Cidade da Praia? Outra solução é ter um hospital capaz de dar resposta à situações destas em todas as ilhas. Infelizmente não se vê nem uma coisa, nem outra. Que Tristeza!!!

terça-feira, 10 de março de 2009

UMA NOTA AO M.I. DR. VIRGILIO BRANDÃO

M.I. Dr. Virgílio Brandão, agradeço o comentário que deixou no meu blog, condenando o comentário de um anónimo covarde que, por dor de cotovelo ou frustração, decidiu insultar-me.

Concordo consigo que deveria rejeitar tal comentário. Contudo, o meu blog aceita todos os comentários automaticamente. Talvez seja razão para alterar a configuração.


Da minha parte, não quero conhecer nem a pessoa, nem as razões deste anónimo. Não sei se o mesmo tem família ou não. Se tiver lamento pelos que convivem diariamente com ele.

Igualmente, lamento que o seu nome tenha sido usado por este covarde.

PORQUE SERÁ?

Circula na Internet um importante documento denunciando diversas irregularidades na Cabo Verde investimentos. O Primeiro-ministro reconheceu a veracidade de alguns factos constantes do mesmo. Os jornais deram destaques ao mesmo. Quem parece que ignorou o documento foi a oposição. Porque será?

O certo é que Cabo Verde Investimentos e os problemas relacionados com a venda dos terrenos, poderiam ser um triunfo para as legislativas. PAICV, antecipou e perante a inércia da oposição denunciou o problema. MpD ficou calado, logo esvaziou-se este triunfo. PAICV ganhou esta batalha. Aguardemos pelas próximas. Enquanto isso, os cabo-verdianos continuam a ficar sem terra.

Ninguém está preocupado em defender a Constituição e a legalidade. Onde estão as entidades com poderes constitucionais para isso? Que Estado de Direito Democrático é este? Para quê preocuparmos com a revisão da Constituição?

Eu gostaria de saber o que se passa. Ninguém quer explicar nada. Que Deus ajude e proteja o autor deste texto e que venha daí mais esclarecimentos. Afinal todos temos família…entendo a sua preocupação caro cidadão cabo-verdiano.

MAIS DE 2 MIL VISITAS…. MUITO OBRIGADO AMIGOS

No dia 18 de Fevereiro de 2009 coloquei um post agradecendo aos leitores que visitam o meu blog, pois, o contador de visitas assinalava, em tão pouco tempo, mil visitas.


Nesta altura expressei o desejo de alcançar dois mil visitas em menos espaço de tempo do que levei para alcançar os mil visitas.

Eis que, passado menos de um mês, alcançamos este objectivo. Para um blog tão recente, cerca de mil e quinhentos visitas mensais é motivo de grande satisfação.


Mais uma vez agradeço os meus leitores e prometo melhorar cada vez mais.

XIDAU – TRISTE PARTIDA, DESCANSA EM PAZ

Alcides Maria dos Santos, Xidau para os amigos e conhecidos, faleceu na semana passada.

Conheci Xidau ainda eu era criança, frequentava dos meus pais regularmente. Sempre tímido e sempre com um leve sorriso no rosto. Foi uma triste surpresa a morte do meu amigo Xidau.

Xidau desempenhava as funções de delegado do Ministério de Educação e Ensino Superior no Maio e foi o cabeça-de-lista do PAICV nas últimas eleições autárquicas.

Um Tambarina desde do berço e um homem que sempre se preocupou com os problemas da sua ilha. Lamento Xidau, deixaste muitas saudades.
Apresento, uma vez mais, as minhas sentidas condolências à família

sábado, 7 de março de 2009

Lamentamos a Morte de Luís Freire Lima

Cabo Verde perdeu um grande homem e um grande conhecedor da economia. Tristemente, tomamos a notícia da morte do economista Luís Freire Lima.

Deixo aqui, as minhas sentidas condolências a toda a família, em especial, ao meu amigo Fernando Elísio Freire.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Breves Inquietações – Revisão Constitucional

1. Estive agora a rever os projectos de revisão constitucional e ocorreu-me o seguinte: no sistema actual o Presidente da República não pode ir além de dois mandatos consecutivos. É a única limitação de mandato previsto na Constituição. Os três projectos não trazem nada de novo sobre esta matéria. Contudo, muitas vozes se interrogam se não deveria acontecer o mesmo com os Presidentes das Câmaras Municipais, pelo menos colocar um limite em 3 mandatos.

É verdade que só ficam ai se o povo continuar a votar neles. Têm uma legitimidade democrática, contudo a manutenção no poder pode trazer vícios. Por outro lado, o tempo faz nos entrar em comodismo e perdemos capacidade de inovação. Isso é característica do ser humano. Será que não vale a pena esta limitação?

2. Os actos políticos são estão sujeitos a fiscalização de constitucionalidade. Cabo Verde seguiu a tradição de muitos países europeus. Mas será que assim deverá ser? O Tribunal Constitucional não deverá ser garante da Constituição mesmo em actos políticos. Parece contrário dizer que estes actos não podem infringir a Constituição e no entanto não poderem fiscalizados pelo TC. Alguns dirão que existem outros mecanismos de fiscalização, mas não a fiscalização feita pelo TC mais viável e mais imparcial?

segunda-feira, 2 de março de 2009

GUINÉ-BISSAU, QUE FUTURO?

Guiné-Bissau sempre viveu em conflitos e guerras. Nino Vieira foi sempre um “calcanhar de Aquiles” neste país.

Será que a sua morte vai significar o fim dos conflitos? Não me parece. Em Guiné-Bissau as forças armadas constituem um poder forte e, infelizmente, a vida de um ser humano não tem o mesmo valor que em países como Cabo Verde.

O problema da Guiné-Bissau é muito mais complexo. Neste país ainda reina o império da força e das armas.

Veremos o que vai acontecer doravante….

MORTE DE NINO VIEIRA. QUE CONSEQUÊNCIAS?

Nino Vieira foi assassinado esta madrugada. Quais as consequências para os nossos irmãos da Guiné-Bissau? Vão finalmente conhecer a paz ou o país vai continuar em conflitos e instabilidades?

Espero que, a semelhança do que aconteceu em Angola, a paz passa a reinar em na Guiné-Bissau.

O homem com história de Nino Vieira só poderia ter este fim. Ele escolheu este caminho, um caminho que muito fez sofrer os nossos irmãos.

Vamos acompanhar as horas e os minutos de angústia na Guiné-Bissau.

domingo, 1 de março de 2009

Tréplica do Dr. Virgílio Brandão Publicado no Liberal no dia 28.02.09, 9 dias depois da minha réplica. Será que devo responder?

No dia 10.02.09 publiquei um artigo no liberal sobre a eleição do Dr. Raul Querido Varela. Dr. Virgílio Brandão escreveu um artigo apresentado argumentos contra a minha tese no dia 17.02.09, 7 dias da publicação do meu artigo.

Neste sentido e, apesar de ser não este o propósito inicial do meu artigo, apresentei uma réplica, no dia 19.02.2009, à posição do Dr. Virgílio Brandão, demonstrando, claramente que o mesmo não tinha razão. O artigo do meu ilustre colega pareceu-me interessante e com argumentos fortes. Por isso apresentei uma tréplica no dia 19 de Fevereiro, apenas dois dias depois da publicação do artigo do Dr. Virgílio Brandão.

Eis que, passado 9 dias, o Dr. Virgílio Brandão apresenta a sua tréplica. Neste artigo o Dr. Virgílio Brandão faz um tremendo esforço para salvar a sua tese, vasculhando o que escrevi no meu blogue, chegando ao ponto de dizer que cheguei a defender que o Juiz é Funcionário Público. Nada mais falso! No meu blogue, faço minhas reflexões, minhas interrogações e, por vezes, meto em questões estritamente políticas. Juridicamente os Juízes não são funcionários públicos e eu nunca defendi isso. As vezes a política entra no campo da justiça e as consequências são os que todos conhecemos em Cabo Verde.

Por outro lado, O Dr. Virgílio Brandão afirma que eu tive acesso ao requerimento do PGR que deu entrada no STJ. Eu nunca escrevi, nem falei com o meu colega sobre este assunto. Onde foi buscar tal informação? O mesmo é relevante para nossa discussão? O certo que o Dr. andou nestes 9 dias pesquisando, analisando meu blogue e contactando fontes que lhe pudessem dar mais informações sobre os dados que disponho. Belo trabalho! Será por isso que demorou tanto tempo em responder. Pena, porque este espaço de tempo torna desinteressante o debate e convenhamos que, 9 dias é demasiado tempo para uma tréplica. Foi necessário tanto estudo assim?

Fico feliz com esta atitude do meu colega Virgílio Brandão, sinal que a minha réplica foi convincente e com argumentos sólidos. É engraçado notar que o principal argumento que o Dr. Virgílio usou no seu primeiro artigo como base de um juízo limiar de improcedência da minha opinião e que apresentei fortes argumentos na réplica, não foi mencionado ou refutado pelo mesmo. O que me leva a concluir que o meu ilustre colega acabou por concordar comigo. Ainda bem, pois doutra maneira não podia ser.

O Dr. Virgílio Brandão na tentativa de refutar os meus argumentos, vem dizer que mudei de opinião. Mais uma vez, nada mais falso. A minha posição foi sempre a mesma, simplesmente apresentei novos argumentos, reforcei a minha posição. Mais uma vez, reitero a minha posição e ela consiste, em síntese, na seguinte:

(i) Os Juízes não são funcionários Públicos;
(ii) O limite de idade estabelecido na Lei é aplicável aos Juízes de Comarca;
(iii) O limite de idade estabelecido na Lei não é aplicável aos Juízes Conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça; e
(iv) A Eleição do Dr. Raúl Querido Varela não tem nada de inconstitucional ou ilegal.

Esta é a minha posição e os argumentos em defesa da minha tese foram apresentados nos dois artigos que escrevi no liberal (Estou a ponderar se respondo ou não ao meu colega).

Se tivesse mudado de opinião ou se tivesse errado em algum dos meus argumentos, teria toda a humildade de reconhecer e corrigir o meu erro. Errar é humano e eu não tenho medo de errar, por isso não temo em expor as minhas posições. Não pretendo ser detentor da verdade, apenas dar meu contributo numa questão jurídica.

Estive a reler a tréplica do meu ilustre colega e, antes de dormir, resolvi escrever estas linhas. Atenção, que fique claro que estas notas que coloco aqui no meu blogue, são simples notas e reflexões. Não se trata de uma resposta ao artigo do Dr. Virgílio Brandão. Por enquanto estou a pensar se vale a pena escrever um novo artigo. Estou a pensar porque reparei que o meu ilustre colega dá muitas voltas, tenta apontar-me erros e mudanças de opiniões que não existem, mas não apresenta nada de novo.

Por uma questão de esclarecimento ao público estou ponderando se respondo ou não. Agradecia opiniões sobre isso. Acham que devo responder? Valerá a pena?




sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Uauauaua, hoje é Sexta-feira, um copo com os amigos: Milton Paiva, César, Abrão Vicente, Emílio, Edson Medina, Fefa….

Hoje é sexta-feira, dia de paródia, dia de estar com os amigos, tomar uns copos e falar de banalidades.

Como sempre por volta das 22:30 vou encontrar com malta do 180.º no “Cometa”. A seguir, certamente, iremos ao “K”. Alguns ainda (incluindo eu) terminarão a noite no “Cokpit”, ou iniciaremos a noite, dependente da fortuna de cada um.

Tendo sido assim todas as sextas-feiras. Talvez hoje vá ser a mesma coisa. Começo a ficar farto destes gajos pá, entornamos cervejas e falamos asneiradas e banalidades.

Pora!!!, mas depois de uma semana de trabalho vale a pena entornar às sextas. Que se lixe!!!!!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A VOZ DO CORAÇÃO

Quando temos tantas dúvidas o melhor mesmo é seguir a voz do coração. O único caminho da verdade, o único caminho da felicidade. As vezes, as ganâncias e as intrigas da vida fazem-nos perder as nossas jóias mais preciosas e entrar em caminhos de brigas e confusões.

Enfim, nem sei porque estou escrevendo isso. Apeteceu-me

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Jornalista, Margarida Moreira, Violentamente Agredida pelo Companheiro

“Uma lesão no braço, uma fractura na cara, quatro pontos junto ao olho direito e uma dor na alma é o resultado da agressão contra a jornalista Margarida Moreira, da TCV, pelo companheiro, conhecido por Lino Barra. Alguém com quem decidiu partilhar a sua intimidade e que de repente se transformou num "animal", apenas por terem pontos de vista diferentes em relação a uma determinado assunto da sua intimidade “ (in www.expressodasilhas.cv).

Mais um caso de violência como tantos os outros que acontecem todos os dias no nosso país. Desta vez, tem uma particularidade, trata-se de uma figura pública e a mesma teve coragem de denunciar num jornal. Um acto de coragem e todas as mulheres cabo-verdianas deviam seguir este exemplo.

Muitas mulheres não denunciam a situação por medo ou por vergonha. Margarida, não temeu nenhuma das situações. Coragem Margarida, sempre revelaste ser uma grande mulher e uma grande profissional. Lamento o sucedido e te desejo melhoras. Podes estar certa que as mulheres cabo-verdianas e todos aqueles que lutam contra a violência, como eu, estamos orgulhosos de ti.

Um beijo e rápidas melhoras.

Cabo Verde Investimentos (CI) terá um Novo Presidente

Segundo os jornais online, Alexandre Fontes e os outros administradores vão deixar a CI. Razões? Segundo asemanaonline esta mexida na CI deve-se a incompatibilidades com a ministra da Economia, Fátima Fialho. Como próximo presidente é apontado o sociólogo Manuel Pereira Silva.

Este facto deixa-nos preocupado, parece que a CI é uma fonte de incompatibilidades. Porque será? Será do guaraná?

“Primeiro foi Paulo Monteiro Jr. que entrou em choque com João Pereira Silva, depois Victor Fidalgo que se incompatibilizou com José Brito e agora é Alexandre Fontes que bate de frente com Fátima Fialho” (in asemenaonline).

Certamente o Dr. Manuel Pereira Silva terá incompatibilidades se entrar um novo Ministro. E assim, vai andar o CI, mudando de Presidentes consoante o Ministro e as marés. Gostaria de perceber porquê? Será porque pela CI passam avultados investimentos? Será porque a CI tem contacto com os maiores investidores estrangeiros que estão de olhos nas nossas “terras”? Triste realidade a nossa.

Eu não sei o que passa pela CI, gostaria de saber e espero que quem de direito faça isso pelos cabo-verdianos, POR AMOR À TERRA. São tantas as incompatibilidades que temos de apurar as responsabilidades. Temos de agir na prevenção e não aguardar problemas.

Qual o papel da oposição neste aspecto? Será que terão coragem e ousadia de interpelar o governo sobre as actividades e incompatibilidades da CI? Se eu fosse líder da oposição ou da grupo parlamentar da oposição o faria certamente.

Os cabo-verdianos não sabem como é gerido “a coisa pública”, qual o destino. Alguém já preocupou em saber quantos pedaços de terra pertencerão aos cabo-verdianos nos próximos anos? Alguém já se preocupou em saber se os nossos filhos terão espaço para construir nos próximos anos? Alguém já se preocupou em saber qual o destino do nosso turismo, é sustentável ou será apenas um local onde muitos chegam, ganham dinheiro e no futuro mudam para outros destinos? No final desta história, o que restará para os cabo-verdianos?

Enfim, nós, o povo, vamos assistindo à esta novela, sem saber por onde caminhamos. Escolhemos um caminho, mas ainda ninguém demonstrou que se trata do caminho certo. Sabemos que este caminho interessa à muita gente. Mas será que interessa aos cabo-verdianos. Nós, cabo-verdianos, temos a mania de não discutir questões sérias, vamos fazendo as coisas e depois logo se vê. Parece o jogo do fazes tu agora as asneiras e depois faço eu. As consequências depois ficam para nós, os cabo-verdianos, os jovens, o futuro de amanhã. Já não somos pioneiros, mas continuamos a ser o futuro de amanhã. Ou será que o futuro continua a ser ainda apenas dos pioneiros? Há quem diga que sim. Eu prefiro não acreditar nisso, sou cabo-verdiano, vivo num estado de direito democrático e quero o melhor para os meus filhos.

Não pretendo ter mais do que um trabalho para sustentar minha família e meus pequenos gostos (livro, Internet para manter meu blogue, dança, música, umas cervejinhas com os amigos e, de vez em quanto, uma viajem para redescobrir o mundo), mas meus filhos podem querer mais, quero que tenham esta oportunidade.

Alguns me acham chato por escrever atoa e sem defender este ou aquele partido. Todos temos as nossas simpatias políticas, mas acima de tudo sou cabo-verdiano. Escrever, expor as nossas opiniões leva-nos a entrar em campos complicados e, muitas vezes, minados. Contudo se todos tiverem medo deste campo que será dos nossos filhos?


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

ENCERRADO O BANCO INSULAR DE CABO VERDE, UMA TRISTE HISTÓRIA NO NOSSO MERCADO FINANCEIRO. PARA QUANDO A TÃO ALMEJADA PRAÇA FINANCEIRA INTERNACIONAL?

ENCERRADO O BANCO INSULAR DE CABO VERDE, UMA TRISTE HISTÓRIA NO NOSSO MERCADO FINANCEIRO. PARA QUANDO A TÃO ALMEJADA PRAÇA FINANCEIRA INTERNACIONAL?


O Banco Insular de Cabo Verde, controlado pela Sociedade Lusa de Negócios e envolvido no caso BPN, encerra amanhã por decisão do governo cabo-verdiano, nomeadamente por falta de cumprimento de normas sobre reposição de fundos e riscos de crédito.

O Banco Insular foi autorizado por portaria (81/97 de 08 de Dezembro) de 1997 e iniciou a sua actividade a 30 de Outubro de 1998, portanto é uma instituição que opera há 10 anos no país.
Em Cabo Verde existem as instituições financeiras internacionais: Banco Insular, o Banco Fiduciário Internacional, o Banco Sul Atlântico, o Banco Internacional Trading SA, o Banco Montepio Geral-Cabo Verde, o Banco Espírito Santo SA-Sucursal Financeira Exterior de Cabo Verde, a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo-Sucursal Financeira Exterior de Cabo Verde, o Banco Privado Internacional, o Banco Internacional de Investimentos e o Banco Português de Negócios, autorizado por portaria de 13 de Dezembro de 2004.

Será que em relação às demais instituições têm funcionado a supervisão? Não teremos mais escândalos?

O MpD acaba de apresentar um projecto-lei, visando a alteração da do Decreto-Lei n.º 12/2005, de 7 de Fevereiro, que Regulamenta o direito de estabelecimento de instituições financeiras internacionais em Cabo Verde, o seu funcionamento e sua supervisão


MpD, pretende suprir o artigo 12.º n.º 2, que tem a seguinte redacção:


Artigo 12.º
(Sócio de Referência)

1. A constituição de instituições financeiras autónoma não poderá ser autorizado sem que entre os seus sócios fundadores se conste uma instituição financeira com sede num país da OCDE ou noutro que o Banco de Cabo Verde considere de mecanismos apropriados de supervisão, detentora de uma participação mínima de 15%.

2. A título excepcional, quando mérito dos promotores o permita e o interesse da República de Cabo Verde o justifique, pode o membro do Governo responsável pela área das finanças, autorizar a constituição de instituição financeira autónoma sem os requisitos do número anterior, caso em que o capital social mínimo será o dobro do previsto no n.º 1 do artigo 9.º.


Para MpD, “mérito dos promotores e o interesse da República de Cabo Verde” são “critérios meramente políticos” e não critérios de garantias de qualidade de supervisão.

Parece-me que de facto o artigo 12.º n.º 2 utiliza um conceito vago e indeterminado, que não nos dá segurança. Não queremos ter mais instituições financeiras a serem encerradas por incumprimento da lei, para isso temos de ser mais rigorosos possíveis.

Temos de criar mecanismos legais para isso. Talvez seja altura de pensarmos numa revisão da legislação do sector financeiro, não só para a tornar mais eficiente, mas também mais competitiva, mormente no que diz respeito aos bancos comercias.

O Governo sempre anunciou que pretende transformar Cabo Verde numa praça financeira internacional, porém, acho que ainda estamos longe disso. Mas ainda vamos a tempo.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Greve de juízes em Espanha com adesão de 60 por cento

“Os juízes de cerca de 30 províncias e das grandes cidades espanholas estão hoje abrangidos pela primeira greve de magistrados a decorrer no país, convocada por duas associações judiciais de Espanha, a Associação Francisco de Vitoria (AJFV) e o Fórum Judicial Independente (FJI), para exigir mais recursos humanos e materiais”. (in www.publico.pt)

O estatuto dos juízes é uma matéria complicada em qualquer parte do mundo. Muitos países da Europa, incluindo Portugal, já assistiram a greve de juízes.

A doutrina tem defendido que os juízes não têm direito à greve. Também concordo. Mas como podem os juízes reivindicar melhores condições.

MIL VISITAS. OBRIGADO AOS LEITORES DO MEU BLOGUE

Quando criei este blogue, pretendia, de uma forma livre, manifestar a minha liberdade de expressão, escrever sobre coisas sérias, banalidades, enfim, brincar com as palavras.

Tenho escrito com alguma regularidade e gosto de reler o que escrevo e tentar melhorar em casa escrita. O meu gosto pela escrita, assim obriga.

O meu contador de visitas já marca mais de 1000 visitas. Fico contente, uma vez que o meu blogue é recente. Espero alcançar rapidamente 2000 visitas.

O número de visitantes obriga-me a aumentar a qualidade do blogue e da escrita. É o que tentarei fazer.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A POLÉMICA ELEIÇÃO DE RAUL QUERIDO VARELA AO CARGO DE JUIZ CONSELHEIRO DO STJ II - CONTRADITANDO A OPINIO IURIS DE VIRGÍLIO RODRIGUES BRANDÃO

M.I. Dr. Virgílio Brandão, felicito-lhe pela forma cordial e elegante como apresentou a seu parecer jurídico, apresentando fortes argumentos em defesa da sua tese, tratando a questão num plano estritamente jurídico e não político, como alguns têm feito.

Agradeço-lhe o contraditório, pois isso nos permite esmiuçar argumentos a favor das nossas teses e abrir um debate sério e despido de cores políticas sobre o Estatuto dos Magistrados Judiciais (EMJ). Como referiu, e bem, pesa sobre nós a responsabilidade intelectual de esclarecer o público. Não pretendemos ser donos da verdade, apenas dar a nossa singela contribuição.
Não vou elaborar um parecer, nem ser muito exaustivo, apenas vou desenvolver um aspecto em que estamos em total desacordo.

No artigo, e apesar de por vezes ter usado apenas a expressão “Juízes”, pretendi tratar apenas da questão dos Juízes Conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça (STJ). De resto, no programa 180.º na RTC, afirmei que de facto o artigo 31.º da Lei nº 102/IV/93, de 31 de Dezembro (Lei Geral) é aplicável aos Juízes de Comarca, não se aplicando, no entanto, em se tratando dos Juízes Conselheiros do STJ. Esta é, em síntese, a minha posição, que passarei a explanar.

Pelo que, estamos de acordo em, pelo menos, três pontos: (i) a iniciativa do Dr. Júlio Martins, Procurador Geral da República, é de aplaudir; (ii) esta questão não é de ordem política mas sim jurídica; e (iii) o artigo 31.º Lei Geral é aplicável aos Juízes de Comarca.

Comecemos pela sua referência ao artigo 72.º do EMJ como base de um juízo limiar de improcedência da minha opinião.
Estabelece o referido artigo que:
«É aplicável subsidiariamente aos Magistrados Judiciais, em tudo que se referir à matéria administrativa e disciplinar o regime jurídico da Função Pública.»

Ora, teria razão o M.I. Dr. Virgílio Brandão se este artigo fosse um regime subsidiário para tudo o que não estiver regulado no EMJ. M.I. Dr. Virgílio Brandão, este artigo apenas se refere à matéria administrativa e disciplinar. Tão somente isso. Em tudo o resto, só se aplica o regime jurídico da Função Pública, quando existir uma remissão expressa no EMJ. A Lei faz esta remissão expressa, pelo menos, 10 vezes, o que demonstra que o legislador não pretendeu estabelecer no artigo 72.º todo o regime da função pública como regime subsidiário, mas apenas em matéria administrativa e disciplinar, pois se fosse essa a pretensão, não faria sentido as remissões que encontramos no EMJ.

Nenhum dos Capítulos do EMJ se refere à matéria administrativa e disciplinar dos magistrados judiciais, ao contrário do que acontece com a nomeação e eleição, previstas no Capítulo II. Esta opção deixa claro que o legislador não considera a eleição dos Juízes do STJ como matéria administrativa, como não podia deixar de ser. Pois, com efeito, os Juízes dispõem de um estatuto próprio, apenas lhes sendo aplicáveis os aspectos do regime da função pública que o EMJ lhes mande aplicar, e só desses.

Uma vez que o EMJ não regula as matérias administrativas e disciplinar dos Juízes, remete num único artigo para Lei Geral. Nas outras questões, faz remissões quando entendeu que se deve aplicar o regime da função pública. Se não o fez em relação à da eleição dos Juízes do STJ e fê-lo em relação aos Juízes de Comarca, é porque entendeu que, em relação à eleição, só a estes últimos é aplicável o regime de função pública. Nota-se ainda que, o artigo 72.º refere a matéria administrativa e disciplinar da competência do Conselho Superior de Magistratura. Pois, nos termos do artigo 47.º do EMJ, é a este órgão que compete a gestão e disciplina da Magistratura Judicial. O Raul Querido Valera foi eleito pela Assembleia Nacional, estando a sua eleição completamente fora do alcance deste artigo. Pelo que não procede o argumento de que o artigo 72.º manda aplicar, subsidiariamente, o regime da função pública em matéria de eleição dos Juízes do STJ.

Passemos ao Capítulo II do EMJ que trata da designação, eleição e nomeação dos magistrados judiciais.

A lei faz distinção entre Juízes do STJ (artigo 8.º) e Juízes de Comarca (artigo 10.º). Estes, nos termos do referido artigo, são nomeados pelo Conselho Superior de Magistratura precedendo concurso.

O artigo 11.º trata do ingresso de magistratura dos Juízes de Comarca, que será sempre dependente da aprovação em concurso organizado pelo Conselho Superior de Magistratura (artigo 11.º n.º 1 e). A alínea f) do mesmo artigo diz ainda que, o juiz tem de satisfazer os demais requisitos na Lei para a nomeação dos funcionários públicos. Perante esta diferença de regime, fica claro que o artigo 11.º não é aplicável aos Juízes do STJ.

O Capítulo VII vem regular a suspensão, cessação de funções e aposentação. Ai, mais uma vez, o EMJ faz a distinção entre Juízes de Comarca (artigo 42.º) e Juízes do STJ (artigo 43.). Neste ponto, a lei vem dizer que os Magistrados Judiciais (entenda-se Juízes de Comarca) cessam funções no dia que a lei prevê para a aposentação dos funcionários públicos (neste caso, este artigo deixa claro que o limite de idade de 65 anos se aplica aos Juízes de Comarca). Esta interpretação também resulta do artigo 11 n.º 1 f)). Estamos de acordo neste ponto. Contudo não entendo que este artigo se aplique aos Juízes do STJ, já que o EMJ vem regular, no artigo 43º, o caso dos Juízes do STJ, em especial.

Com efeito, para diferenciar, a lei dedica o artigo 43.º exclusivamente aos Juízes do STJ. Estabelece o artigo 43.º do EMJ, o seguinte:
1. Excepto nos casos de termo do mandato, as funções de Juízes de STJ só podem cessar se ocorrer alguns dos seguintes factos:
a) Morte ou impossibilidade física permanente;
b) Renúncia;
c) Demissão ou aposentação compulsiva em consequência de processo disciplinar ou criminal;
d) Aceitação de lugar ou cargo que seja constitucionalmente ou legalmente incompatível com o exercício das suas funções.

Este artigo está em conformidade com o artigo 290.º n.º 5 da Constituição da República de Cabo Verde (CRCV), com a seguinte redacção:

Excepto nos casos de termo de mandato, as funções dos juízes do Supremo Tribunal de Justiça designados nos termos do presente artigo só podem cessar por ocorrência de:
a) Morte ou incapacidade física ou psíquica permanente e inabilitante;
b) Renúncia declarada por escrito ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça;
c) Demissão ou aposentação compulsiva em consequência de processo disciplinar ou criminal;
d) Investidura em cargo ou exercício de actividade incompatíveis com o exercício das suas funções, nos termos da Constituição ou da lei.

Lendo este artigo, fica claro que a CRCV proíbe a cessação de funções dos Juízes do STJ, por outros motivos, que não sejam os enumerados no artigo 290.º n.º 5. Ou seja, um Juiz de STJ nunca cessará as suas funções com a justificação de que já completou 65 anos. Logo, também a Assembleia Nacional não poderá deixar de eleger um Juiz porque já completou 65 anos.

Com isso, o EMJ distingue os juízes do STJ dos Juízes de Comarca quanto à designação, eleição e, bem assim, quanto à cessação de funções. Para os juízes de Comarca o EMJ estabelece como requisito a satisfação dos requisitos estabelecidos na Lei para a nomeação dos funcionários públicos. No que diz respeito à cessação de funções, diz o EMJ que os Juízes de Comarca cessam funções no dia em que a lei prevê para a aposentação dos funcionários públicos.

Quanto à eleição dos Juízes do STJ e quanto à cessação da função dos mesmos, o EMJ não faz qualquer referência a idade ou outros requisitos para os funcionários públicos. O EMJ é clara nesta distinção, não se trata de lacuna ou aplicação subsidiária de uma outra Lei. Trata-se de uma opção clara do legislador em não estabelecer qualquer condicionalismo de idade, respeitando assim o artigo 290.º n.º 5 da CRCV, que também exclui a idade como causa de cessação de funções.

Creio que este é o principal ponto em que estamos em desacordo, o que faz toda a diferença. O M.I. Dr. Virgílio Brandão trata da mesma forma e estabelece o mesmo regime para o Juízes de Comarca e os Juízes do STJ. Não foi esta a opção dos EMJ. Alguns outros pontos do seu parecer mereciam o meu comentário, contudo, para um melhor esclarecimento do público, decidi cingir ao ponto fulcral.

Como vê, M.I. Dr. Virgílio Brandão, pode-se apelidar esta questão de “controvérsia jurídica”. Basta ver os inúmeros argumentos que usa para rebater a minha tese. Os argumentos ora apresentados têm sustentação na CRCV e no EMJ, pelo que não se pode considerar que a questão seja tão evidente e clara.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

JPAI - Parabéns Nuias

Terminou o congresso da JPAI e Nuias foi eleito com 141 votos num universo de 210 delegados.

Parabéns ao novo líder da JPAI. Desejo-lhe boa sorte. Parece-me que os jovens do partido tambarina fizeram uma óptima escolha.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Recordando Infância

Não tenho especial dom para a escrita, mas por vezes sinto uma vontade de escrever, de jogar com palavras, de mexer com sentimentos, de vasculhar o baú da memória, de reviver e sentir a minha infância.

Por isso, para saciar a minha vontade, para poder relembrar os tempos que passei na Ilha do Maio, na minha querida aldeia – Pedro Vaz, vou passar a usar este meu espaço íntimo para viajar no tempo e, semanalmente, recordar o tempo.

Na minha casinha, junto à uma encosta onde se sentia o vento bater em pequenos rochedos e, quando chovia, fazia-se uma “mini-cheia” em frente à nossa porta. Mama, quando chovia demasiado, ia buscar uma panela, cheio de cinza e marcas do tempo para, com um ferro tocar na panela. Diziam os meus velhos que isso era um pedido de socorro para Deus. Ele ouvia e fazia parar a chuva. Por vezes resultava e por vezes não.


Papa e meus irmãos, preparam para sair em direcção às nossas hortas. Tinham que ir ver se as paredes tinham ou não sido deitadas ao chão com o vento e chuva. Era preciso trabalhar arduamente para evitar que depois, as cabras que por ai andavam pudessem comer todas as plantações. A maioria das cabras pertencia ao papa. Homem que adora limarias. Para ele, matar uma cabra para comer era pecado, ele adorava a sensação de estar a pastar e ter um horizonte de cabras a frente. Grande homem. Pastava e falava, por vezes sozinho, por vezes com as suas limarias.

Eu, miúdo, ia com ele. Achava piada brincar com os meus colegas, fazer jogo de banco no chão e fazendo bosta cabra de oril. Enquanto jogávamos íamos brincando e comendo djunsa, uma plantinha cujas raízes pareciam pequenas batatas.

Por vezes aproveitámos para lutar para ver quem ia ao chão primeiro. O truque era tentar dar uma trança no outro, isto é, passar o pé entre as pernas do outro e puxar uma das pernas para frente, de modo a fazê-lo perder equilíbrio. Acho que foi ai que ganhei o gosto, pela luta e pelas artes marciais.

Eu, Zé Maria, Juvaldino, Totim, Djalô, Gustim, Arlindo de Iaia, Arlindo Diminguinha, tinhámos sempre que inventar uma luta. O Mundo dá mesmo muitas voltas. Hoje cada um de nós tem um vida diferente, com excepção de Djalõ que se tornou professor de liceu, os outros estão todos no Maio, condutores e pedreiros. É uma sensação maravilhosa quando me junto à eles para tomar um “cusa”. Depois de regressar de curso, sentiam quase receio de convidar para tomar grogue. Agora sabem quando estou com eles, regresso a minha origem e que também, gosto de um bom grogue de vez em quanto…………..

Lembro das minhas fintas e das fintas do Djalô e do Lipe, da irritação de Dainy, Aristides, Tata e Tótó quando passávamos por eles feito Maradona.

Está José Maria Neves Contra a candidatura de Aristides Lima

Aristides Lima já assumiu que é candidato às eleições presidenciais de 2011. Contudo, José Maria Neves prefere não pronunciar sobre o assunto. Será porque JMN pretende apoiar Hopffer Almada ou quererá ser ele mesmo ser candidato? Apesar da candidatura de Lima gerar mais consenso dentro do PAICV do que do Hopffer, Aristides Lima não parece ser o candidato preferido de JMN. Porque será?

O que se passa pela cabeça de José Maria Neves? É um tema interessante para debate. Prometo, se ainda for oportuno, escrever um artigo sobre este assunto.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Maio: Finalmente teremos a estrada Cascabulho/Pedro Vaz

O governo de Cabo Verde assinou com o consórcio Monte Adriano/Empreitel Figueiredo o contrato programa da execução das obras da nova estrada Cascabulho/Pedro Vaz.

Segundo “A Semana online”, “Essa moderna via está orçada em cerca de 365 mil contos e faz parte do pacote das estradas rurais, financiado em cerca de quatro milhões de contos pelo governo de Portugal. A mesma terá uma extensão superior a 7 km e terá duas faixas de rodagens asfaltadas, com 3,5m de largura cada”.

Há muito que a população do Maio aguarda por esta estrada. Eu nasci e passei a minha infância na localidade de Pedro Vaz. A estrada em Cascabulho/ Pedro Vaz foi sempre um problema para os habitantes da zona norte e obrigou a que muitos dos meus amigos e familiares tivessem de mudar para Vila do Maio. O percurso entre Cascabulho e Pedro Vaz, até então, demora cerca de 20 minutos. Com a nova estrada passará a ser no máximo 5 minutos. Até então sair de Cascabulho para ir até Pedro Vaz tem sido uma tortura.

Eu cresci ouvindo a população reclamando por esta estrada, sempre com promessas que seria feito no próximo ano. O tempo foi passando e finalmente teremos esta estrada.

Farei questão de estar presente no dia da inauguração. Ver a estrada que me levava aos fins-de-semana e nas férias para visitar os meus pais em Pedro Vaz ganhando um novo formato e entrar na rota do futuro e do desenvolvimento.

Infelizmente, já não com o mesmo entusiasmo de ir abraçar os meus pais que já não neste mundo, mas com satisfação de saber que o acesso à aldeia onde nasci passou a ser mais fácil.

Hoje à casa onde nasci está vazia, mas com nova estrada poderei demorar cerca menos de 20m da Vila do Maio para chegar à minha aldeia. Minha querida e inesquecível Pedro Vaz. Poderei voltar a minha infância e viver na casa onde nasci quando estiver a trabalhar na Ilha do Maio.
Vou dormir feliz depois desta notícia.





segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Aristides Lima assume candidatura à Presidência da República

Aristides Lima já assumiu que é candidato às eleições presidenciais de 2011. Num almoço em S. Martinho Pequeno os apoiantes da candidatura deste grande jurista e político reuniram-se para incentivar Lima a candidatar a Presidência da República. Neste almoço estavam presentes Felisberto Vieira, o ministro Sidónio Monteiro, o governador do BCV, Carlos Burgo, e o presidente da ARFA, Miguel Lima. Filomena Martins, Libéria Brito, Alberto Alves, Joanilda Alves, Maria Ressurreição Lopes da Silva, Humberto Bettencourt Santos, Fernando Moeda e Agnelo Sanches, Tito Ramos e Indira Pires.

No entanto, José Maria Neves prefere não tecer comentários. Para o Primeiro-ministro, ainda é cedo para se pensar neste assunto. Aliás ninguém sabe se o próprio José Maria Neves não pretende ser ele próprio candidato.

Voltaremos a este assunto numa próxima nota.

O ESTATUTO DOS JUÍZES E A POLÉMICA ELEIÇÃO DE RAUL QUERIDO VARELA AO CARGO DE JUIZ CONSELHEIRO DO STJ

O Procurador-geral da República (PGR), Júlio Martins, requereu a fiscalização sucessiva abstracta da constitucionalidade e da legalidade da Resolução nº 92/VII/2009, de 4 de Fevereiro. Através desta resolução a Assembleia Nacional (AN) elegeu ao cargo de Juiz Conselheiro, os Drs. Helena Maria Alves Barreto e Raul Querido Varela para integrarem o Supremo Tribunal de Justiça (STJ), exercendo assim um poder que lhe é conferido pelo artigo 290.º n.º 3 b) da Constituição da República de Cabo Verde (CRCV).

Na designação destes dois juízes, a AN deve respeitar o artigo 290.º da CRCV que prevê o seguinte:
«Só podem ser designados juízes do Supremo Tribunal de Justiça nos termos do presente artigo, os cidadãos nacionais de reputado mérito, licenciados em Direito e no pleno gozo dos seus direitos civis e políticos que, à data da designação, tenham exercido, pelos menos durante cinco anos, actividade profissional na magistratura ou em qualquer outra actividade forense ou de docência de Direito e que preencham os demais requisitos estabelecidos na lei.»

Quer isto dizer que os candidatos à eleição ao cargo de Juiz Conselheiro do STJ devem preencher os requisitos fixados na CRCV, bem como os estabelecidos na lei geral. O problema reside em saber qual é esta Lei geral que a CRCV refere. Será que se trata da Lei que estatui os Estatutos do Ministério Público (EMP), aprovado pela Lei n.º 135/IV/95, de 3 de Julho? Ou será que se refere à Lei nº 102/IV/93, de 31 de Dezembro, que estabelece requisitos para o exercício de funções públicas? Ou à ambos?

O PRG defende que esta eleição deve respeitar a Lei nº 102/IV/93, de 31 de Dezembro, que estabelece os requisitos para o exercício de funções públicas.

Ora, de entre os requisitos estabelecidos na lei para o exercício de funções públicas, figura o limite máximo de idade, previsto no artigo 31.º da referida Lei.

Com efeito, este artigo prevê que: «Não podem continuar a exercer funções públicas os funcionários ou agentes que completarem 65 anos de idade.»

Considera ainda o PRG que, o exercício de funções de Juiz Conselheiro, que consiste basicamente em administrar a justiça em nome do Povo, configura exercício de funções públicas. Por outro lado, uma vez que o EMJ é omisso, quanto ao limite de idade, deve-se aplicar a lei geral.

O Dr. Raul Querido Varela, como todos sabemos, tem mais de 65 anos de idade. Nasceu a 25 de Dezembro de 1925. Tem 83 anos. Assim, a AN, ao eleger o Dr. Raul Querido Varela para o cargo de Juiz Conselheiro do STJ viola os artigos 2º, nº 1, e 3º da CRCV, e o artigo 31º da Lei nº 102/IV/93, de 31 de Dezembro, no entender do PGR.

É de louvar esta iniciativa de Júlio Martins. A primeira questão que se coloca é a de saber se um Juiz do Supremo Tribunal de Justiça, é ou não, funcionário público. A segunda é, se mesmo não sendo funcionário público, se é lhe aplicável o regime da função pública.

Não concordo que se deva considerar absurdo o pedido do PGR. Faz todo o sentido. Os Juízes Conselheiros do STJ, certamente, terão bons argumentos a favor ou contra. É bom que todos tenhamos consciência de que se trata de uma questão jurídica e não política. Por outro lado, o PRG é um jurista de reconhecido mérito, e os seus argumentos são válidos. Podemos concordar ou discordar. Ao discordar temos de analisar a questão com seriedade e apresentar argumentos contra.

De acordo com o artigo 1.º n.º 1 dos EMP, “os Juízes formam um corpo único autónomo e independente de todos os órgãos de soberania, e regem-se por Estatuto”.

O artigo 11.º f) dos EMP sob a epígrafe “Requisitos para o Ingresso na Magistratura Judicial” diz-nos que o cidadão deve satisfazer os demais requisitos estabelecidos na Lei para a nomeação de funcionários do Estado. Neste sentido, os EMP parece equiparar o juiz ao funcionário público, mandando aplicar o limite de idade de 65 anos. Contudo, a questão merece uma análise mais profunda.

Nos termos da CRCV, os juízes têm um estatuto próprio, sendo titulares de um órgão de soberania. Com efeito, de acordo com artigo o artigo 220.º da CRCV:
1.A magistratura judicial forma um corpo único, autónomo e independente de todos os demais poderes e rege-se por estatuto próprio.
3. Os juízes, no exercício das suas funções, são independentes e só devem obediência à lei e à sua consciência.

Os argumentos de independência e não subordinação podem levar-nos a concluir que os juízes não são funcionários públicos e, como tal, o limite de 65 anos de idade não lhes aplicável. Os juízes integram um órgão de soberania. Como sabemos, a CRCV prevê, como órgãos de soberania, a AN, o Presidente da República (PR), o Governo e os Tribunais. Estes últimos têm o dever de administrar a justiça em nome do Povo. A eleição dos juízes está regulada em parte pela CRCV e completada pelo EMJ. Com isso, pode-se inferir que o estatuto próprio dos juízes é incompatível com a dos funcionários públicos. Por esse motivo, a doutrina defende que os juízes não são funcionários públicos e nem têm direito à greve.

Por outro lado, hoje, a maioria da doutrina defende que os juízes ocupam um cargo público e não exercem uma função pública. A própria CRCV faz esta distinção entre função pública e cargo público nos artigos 42.º e 55.º. Para um melhor esclarecimento, citemos, Gomes Canotilho e Vital Moreira (Constituição da República Portuguesa Anotada, pág. 675): “o direito à função pública significa a possibilidade de obter emprego através de ingresso e carreira nos quadros dos serviços ou organismos da administração central, regional, local, dos institutos públicos, dos serviços personalizados ou fundos públicos, qualquer que seja o seu estatuto (funcionário, agente, contratado), o direito de acesso aos cargos públicos consiste na possibilidade de acesso aos cargos de representação ou direcção, em órgãos do Estado (designadamente, os órgãos de soberania) …”

Ora, fácil é de se concluir que na opinião destes conceituados juristas, os juízes exercem um cargo público e não integram a função pública. Esta é também a posição da CRCV, já que trata as duas funções em artigos distintos. Ora, uma vez que o artigo 31.º da Lei nº 102/IV/93, de 31 de Dezembro é aplicável a função pública, fica claro que não podemos aplicar directamente este artigo aos juízes do STJ, que ocupam um cargo público. Contudo, o EMJ nada refere sobre este assunto? Será que podemos então aplicar subsidiariamente este artigo aos juízes?

Com o devido respeito pela opinião contrária, parece-me que o artigo 31.º da referida lei não é aplicável aos juízes. O direito de acesso a cargos públicos, sendo um dos direitos, liberdades e garantias, só pode sofrer restrições nos casos previstos na CRCV (artigo 17.º n.º 4). Outrossim, A extensão e o conteúdo essencial das normas constitucionais relativas aos direitos, liberdades e garantias não podem ser restringidos pela via da interpretação (artigo 17.º n.º 2).

Ora, não tendo esta limitação da idade sido feita nos EMJ, não devemos procurar noutros diplomas uma limitação deste direito. Portanto, o artigo 31.º não é aplicável aos Juízes Conselheiros do STJ, pelo que, independentemente das razões políticas, a nomeação do Dr. Raul Varela não viola, na minha opinião, nem a Lei, nem a CRCV.

Saliento contudo que, o PRG tem o mérito de, uma vez mais, trazer estas questões à discussão pública. Numa altura em que se dá o primeiro passo para resolver o problema da Justiça, porque não fazer deste ano, o ano da Justiça? Porque não dar um novo estatuto aos magistrados, consagrando claramente que, aos mesmos, não é aplicável o regime da função pública? Porque não actualizar o seu salário, independentemente do salário do PR? Da mesma forma que consideramos que os juízes não devem ser funcionários públicos e os projectos de revisão constitucional recomendam o acesso ao STJ através de concurso e nomeação do Presidente do STJ pelos seus pares, devemos aproveitar a onda, e dar aos magistrados o Estatuto que lhes é devido e que a CRCV recomenda. Mais vale tarde do que nunca!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Os Juízes são funcionários Públicos? Os Juízes têm direito à greve?

Depois do pedido da fiscalização sucessiva da constitucionalidade da nomeação do Dr. Raul Querido Varela, por este ter mais de 65 anos, é necessário iniciar um debate sério sobre o estatuto dos juízes. Será que podemos equiparar os juízes aos funcionários públicos? Os juízes têm direito à greve?

Os juízes são titulares de um órgão de soberania. Um grande estatuto de facto. Porém, termos que admitir que os juízes têm um posição bem diferente dos deputados, dos membros do Governo ou do Presidente da República. É o titular dos órgãos de soberania com menos condições de trabalho, estando sempre na dependência do Governo e do consenso entre os deputados.

Os juízes reclamam as péssimas condições de trabalho, salário não compatível com a dignidade da profissão e com os riscos que o mesmo acarreta. Será que podemos equipar os juízes aos demais órgãos de soberania ou será que são, antes, funcionários públicos apesar da Constituição proclamar independência dos juízes. Independência apenas na tomada das decisões, em tudo o resto não existe nenhuma independência. Dependem da boa vontade dos governantes e dos deputados para terem melhores condições de vida e de trabalho. As matérias relativas à justiça exigem o voto favorável de dois terços para a sua aprovação. Isso quer dizer que os juízes ficam dependentes da boa vontade dos políticos, que por vezes os trata como “brinquedos” pensando nos votos e nas conveniências.

Pior, ainda defende-se que os juízes, como titulares de um órgão de soberania, que administra a justiça em nome do povo, não tem direito à greve, não podem reclamar do sistema. Trata-se de uma classe com muitas obrigações e deveres. Mas os direitos? Que direitos têm estes profissionais que têm a nobre função de administrar a justiça? Não há dúvida que eles têm direito a ficar calado e aguardar pela bondade dos políticos. Não fazem e não podem fazer política, mas ficam sempre dependentes dos políticos.

Qual é então o significado da independência dos juízes? Parece que existem razões para crer que os juízes são mesmos funcionários públicos. Eu diria, nos dias de hoje são os mais funcionários de todos os funcionários públicos.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Porque e para quê ter um blogue?

O Jornal “A Nação” lança-nos este desafio. Um desafio que faz sentido tendo em consideração a “bloguemania”.Infelizmente, por motivos profissionais, não consigo portar todos os dias. Prometo fazer este esforço. Contudo, quero deixar a minha opinião sobre a importância de ter um blogue.

O blogue significa liberdade, ousadia, expressão.

Blogue significa não estar dependente de censuras de jornais ou editores e escrevemos o que nos apetece e quando nos apetece.

Ter um blogue significa partilhar a nossa opinião com os nossos amigos e familiares, pelo menos.

Ter um blogue significa poder falar dos problemas do país e das nossas angústias.

Blogue é a nossa intimidade privada, nosso coração, nosso pensamento. No blogue não temos de ser socialmente ou politicamente correctos.

JÚLIO MARTINS CONTESTA CONSTITUCIONALIDADE DA ELEIÇÃO DE RAUL VARELA

Procurador-geral da República, Júlio Martins, acaba de solicitar a fiscalização abstracta e sucessiva da constitucionalidade e da legalidade da Resolução da Assembleia que nomeou Raul Querido Varela como Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça.

Não conheço ainda os argumentos do Procurador-Geral da República, em causa parece estar a idade do Dr. Raul Querido Varela. Nos termos do artigo 31.º da Lei n.º 102/IV/93, de 31 de Dezembro, o limite de idade para o exercício de funções públicas é de 65 anos.

Prevê o artigo 31.º da referida Lei, o seguinte:

“Não podem continuar a exercer funções públicas os funcionários ou agentes que completarem 65 anos de idade”.

O artigo 1.º, deste diploma, estabelece o objecto da Lei. A Lei visa definir o regime jurídico de constituição, modificação e extinção da relação jurídica de emprego na Administração Pública.
Quanto ao âmbito de aplicação, o artigo 2.º, estabelece o seguinte:
1. O presente diploma aplica-se aos funcionários e agentes da Administração Pública Central e Local Autárquica, bem como aos institutos públicos que revistam a natureza de serviços públicos personalizados do Estado, salvo disposição expressa da lei.
2. O presente diploma aplica-se ainda aos serviços de dependência orgânica e funcional da Presidência da República, da Assembleia Nacional e das Instituições Judiciárias, bem assim ao pessoal civil da Polícia Judiciária e das Força Armadas, sem prejuízo da legislação especial aplicável.

É de se louvar esta iniciativa do Júlio Martins. A primeira questão que se coloca é a de saber se um Juiz do Supremo Tribunal de Justiça é ou não funcionário público. Depois da nomeação de Raul Querido Varela, foram muitas as vozes a questionar a constitucionalidade desta nomeação.
Parece-me que o Procurador-Geral queira deixar esta questão bem esclarecida. Independentemente de concordar ou discordar com o Júlio Martins, creio que esta questão deve ser discutida e tem todo o interesse ter um acórdão do Supremo sobre o assunto.

De resto, trata-se da mesma questão que se colocou em tempos. Discutiu-se, a propósito do aumento salarial dos juízes se estes tinham ou não direito à greve. Muitos magistrados defenderam que, sendo funcionários públicos, também têm direito à greve.

Não concordo que se deva considerar absurdo o pedido de Procurador-Geral. Faz sentido e os ilustres juristas do Supremo, certamente, terão bons argumentos a favor ou contra.

Por ora, quero apenas realçar a pertinência da questão. Analisarei esta questão oportunamente.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Finalmente Temos Sete Juízes no Supremo Tribunal de Justiça

Tomaram posse hoje os sete Juízes Conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça. Mais vale tarde do que nunca. Ufff, custou mais chegou…

Muitos defenderam que sete juízes em vez de cinco, muito contribui para o melhor funcionamento da nossa justiça. Espero que tenham razão….

Sobre a nomeação dos novos juízes, dois deles geraram especial polémica, indicação do Raul Querido Varela pelo Mpd e indicação de Zaida Lima pelo Presidente da República. Sinceramente, acho que Varela não foi uma boa opção. Não está em causa a competência. O homem está há 17 anos neste cargo, tem 83 anos, enfim, podia-se renovar. Alguns questionam até a legalidade desta nomeação, alegando que o mesmo está fora do limite máximo de idade, exigido por lei para o exercício de cargos públicos.

Em relação à Dra. Zaida Lima, questionam a sua nomeação pelo facto dela ser prima do Presidente da República. Creio que isso nada tem a ver. Ela, apesar de ser jovem, já é uma juíza de reconhecido mérito. Não pode deixar de ser nomeada só por ser prima do PR.