quarta-feira, 25 de março de 2009

EM DEFESA DO DIREITO AO AMBIENTE

A Constituição prevê nos artigos 67.º e seguintes, os chamados Direitos e deveres económicos, sociais e culturais. O artigo 70.º consagra o direito à saúde e o artigo 72.º o direito ao ambiente. Estes dois direitos têm uma forte ligação, na medida em que, para uma saúde sã, precisamos de um ambiente sadio e ecologicamente equilibrado. A saúde e o ambiente são direitos e ao mesmo tempo deveres, pois a Constituição atribui a todos, o dever de defender a saúde e o ambiente.

O Ministro do Ambiente tem ignorado a Constituição e parece desconhecer que o artigo 7.º k) da Constituição do País estabelece como uma das tarefas do Estado, proteger a paisagem, a natureza, os recursos naturais e o meio ambiente, bem como o património histórico - cultural e artístico nacional.

Ao tentar compreender as atitudes do Ministro, recordo que ele entrou num Governo possível, o que quer dizer que foi um Ministro possível. Contudo, qualquer cidadão cabo-verdiano deve conhecer e respeitar a Constituição, este facto não pode servir de desculpas. O nosso Primeiro-Ministro deveria, pelo menos, exigir este requisito nos seus possíveis ministros.

O Ministro do Ambiente deveria, por outro lado, ter mais consideração pelos técnicos na matéria. O caso da construção da Marina da Murdeira revelou que o nosso Ministro percebe tudo das questões ambientais e não ouve a mais ninguém. O mesmo parece estar a acontecer com a exploração da pedreira do ilhéu em Achada São Filipe. Alguns moradores já se insurgiram contra a exploração desta pedreira pois a poeira, o cheiro, o fumo oriundos da mesma constituem um perigo para a saúde dos moradores de Achada São Filipe.

Em Cabo Verde já possuímos uma vasta legislação sobre o ambiente, falta sim, ter um Ministro que defenda a Constituição e a leis. O direito à saúde e ao ambiente justificam restrições a outros direitos constitucionalmente protegidos, como o direito a iniciativa privada e o direito de propriedade. A integridade física da população não pode ser posta em causa. O direito ao ambiente, para além de ser um direito fundamental é também um direito de personalidade nos termos do artigo 68.º do Código Civil.

Como refere Carvalho Fernandes, “a noção de pessoa jurídica impõe uma referência a uma categoria fundamental de direitos inerentes à pessoa, enquanto manifestações da sua imanente dignidade, logo, numa perspectiva ética e ontológica – os chamados direitos de personalidade.” (Teoria Geral do Direito Civil, vol I. pág. 216)

Pelo exposto, fica claro que estou a escrever nada de novo, apenas estou a cumprir o meu dever de cidadão. Por isso, como cidadão, espero do Ministro, ainda que, a meu ver, seja um Ministro possível, uma explicação. A população da Achada São Filipe, e não só, pretende saber quais os danos que a pedreira poderá trazer para a sua saúde e ao nosso ambiente. Quais os estudos que foram feitos? Quais as conclusões? Qual foi o parecer dos técnicos devidamente balizados na questão? Acho que não peço muito, apenas exerço um direito e a cumprir um dever.




TRÊS MIL VISITAS …

Mais uma vez tenho de agradecer aos visitantes do meu blog. Noto que o número de visitas tem sido cada vez mais, chegando, às vezes, a centenas de visitas diárias.

Prometo continuar com mais e melhor. Muito Obrigado.

segunda-feira, 23 de março de 2009

JORGE SANTOS E OS SEUS ONZE JOGADORES

Em equipa que ganha não se mexe. Jorge Santos ganhou as autárquicas, sendo assim, seria de esperar que a equipa se mantivesse fixa. Contudo, a equipa que ganhou as autárquicas não parece ser a melhor para ganhar as legislativas. Aliás, nestas eleições não podemos esquecer o peso dos candidatos como Ulisses Correia e Silva, Francisco Tavares, Isaura Gomes, Manuel Ribeiro e Fernando Jorge. Todos eles são pesos pesados. Neste momento, o MpD parece continuar a confiar no seu treinador, o big boss – Jorge Santos.

Jorge Santos precisa conquistar o apoio da sociedade civil, dos cabo-verdianos não militantes. Neste momento, acredito que cerca de 30% a 40% dos eleitores não são fieis a nenhum partido, votam consoante o líder, a equipa e o programa. José Maria Neves continua a ser mais carismático do que Jorge Santos, por isso, este precisa melhorar o seu desempenho e reforçar a sua equipa.

Grande parte da população tem a sensação de que Jorge Santos está rodeado de pessoas erradas e que não acrescentam nenhuma mais valia ao partido. Não podemos estar todos errados, em todo o caso, nas eleições legislativas a maioria ditará a vitória, por isso, não se pode ignorar a opinião da maioria…

Caro Jorge, ouça o povo caso queira ganhar as legislativas. Repense nos seus onze jogadores, veja onde precisa defender mais e onde precisa atacar. Procura melhores marcadores pois MpD tem falhado muitos golos, alguns vão a barra, outros no poste. Outros são defendidos pelo PAICV sem grandes problemas e depois seguem em contra-ataque.

Numa próxima nota, tentarei aconselhar-lhe sobre as necessárias mudanças, isto é, quem entra e quem sai….

Até lá, caro Jorge Santos...


domingo, 22 de março de 2009

O MEU PIOR DEFEITO….

Neste momento, para muitos, o meu maior defeito é não ser militante de nenhum partido político. Quando escrevo, faço análises de um cidadão comum, de um cabo-verdiano atento ao que se passa no seu país. Isso incomoda muita gente. Muito boa gente acha que devo ser necessariamente do MpD ou do PAICV e que devo falar mal ou bem de um dos dois partidos.

Em Cabo Verde rejeitam aqueles que optam, apenas, por ser um bom profissional e ter uma atitude crítica em relação aos acontecimentos. Dizem-me que assim não vou longe, que assim nunca serei membro do Governo, que assim nunca serei director geral, ou administrador de empresas públicas. Que se lixe! Não tenho de ser mais do que um advogado e professor. Já é muito e dou graças a Deus por isso. Se o que escrevo incomoda a muita gente, mais uma vez que se lixe, continuarei a escrever, alguns gostam, outros não. É assim a vida, não pretendo agradar a todos.

Sou assim, tenho este defeito, gosto de ser livre. A liberdade tem o seu preço, mas estou disposto a pagar bem caro pela minha liberdade… que se lixe!!!

Mais uma semana… as mesmas inquietações … Mais uma vez Jorge Santos…

Inicia-se mais uma semana, mais uma semana ficou para trás. Eu continuo com as mesmas inquietações, com as mesmas dúvidas. O que será que os cabo-verdianos comentarão esta semana. A semana passada foi a semana do mundo novo, do rescaldo da visita do Sócrates, da polémica entre Eurico Monteiro e Humberto Cardoso.

Inicia-se, esta segunda-feira, mais uma sessão parlamentar. Desta vez o MpD quer debater a “Transparência na Governação” para esclarecer as adjudicações de obras por ajuste directo.

Espero que seja um debate interessante, sem insultos, sem palhaçadas, sem tolices. Há quem diga que temos deputados tolos. Eu prefiro dar o benefício de dúvidas aos nossos deputados. Veremos quem sairá a ganhar com mais um embate entre José Maria Neves e Jorge Santos, os dois homens que estarão frente a frente nas legislativas. A avaliação contínua já começou e culminará com o exame final em 2011.

O povo fará a sua avaliação todos os dias. Neste momento JMN vai a frente, apesar ter poucos pontos a mais que Jorge Santos. Este último terá todas as oportunidades de se afirmar e mostrar aos cabo-verdianos que merece os nossos votos. Para já, conseguiu afastar a concorrência, os candidatos mais fortes não vão avançar. Ficou apenas um candidato a candidato que possível ficará por ai… neste sentido, o MpD já fez a sua escolha, Jorge Santos é o homem, ele é o cara, o candidato a Primeiro-ministro.

Pois bem, doravante vamos exigir mais e melhor do senhor. O senhor é um possível candidato a Primeiro-ministro do meu país, poderá vir a tomar medidas e decisões que afectam directamente a minha vida, da minha família, dos meus amigos. Tenho o direito de exigir de si uma atitude de um Primeiro-ministro, tenho direito de exigir de si mais competência, mais ideias, mais projectos, tenho direito de exigir soluções para os problemas do nosso país.

Tenho reparado que o meu blog tem tido muitas visitas semanais, contudo são poucos os comentários. Mesmo assim gostaria de pedir aqui aos meus visitantes que façam comentários sobre o candidato a Primeiro-ministro do MpD. Quero que me ajudem a analisar as seguintes questões:

(i) Acham que Jorge Santos é uma óptima escolha?
(ii) Jorge Santos ganhará as legislativas?
(iii) Jorge Santos precisa de mudar a equipa?
(iv) Que conselhos dariam ao líder do MpD?

Aguardo e agradeço reacções.

HINO NACIONAL

Numa reportagem da “Record Cabo Verde” deu para ver que poucos os cabo-verdianos conhecem o hino nacional. Alguns sabiam o hino do tempo colonial e outros, o hino do período do partido único. Pois, nestas alturas ensinava-se o hino nas escolas. Hoje ninguém se lembra do hino nacional. Uma pena! Nós devemos conhecer os símbolos nacionais, o hino e a bandeira nacional fazem parte da nossa história, da nossa identidade. Temos de ter orgulho da nossa identidade. Para dar a minha singela contribuição na divulgação do hino nacional, fica aqui um nosso hino:
Canta, irmão
Canta, meu irmão
Que a liberdade é hino
E o homem a certeza.

Com dignidade, enterra a semente
No pó da ilha nua;
No despenhadeiro da vida
A esperança é do tamanho do mar
Que nos abraça,
Sentinela de mares e ventos
Perseverante
Entre estrelas e o atlântico
Entoa o cântico da liberdade.

Canta, irmão
Canta, meu irmão
Que a liberdade é hino
E o homem a certeza.

(in http://www.governo.cv/)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Gota D’água, o “Magalhães" de Cabo Verde

Cabo Verde terá o seu próprio “Magalhães”. Todas as nossas crianças têm direito a um “Gota D’água”, é o mundo que chega ao “PORTON D NÔS ILHA”.

Que não haja dúvida de facto, Cabo Verde está cada vez mais na moda. Os nossos estudantes merecem um “Gota D’água” e merecem entrar num mundo novo. O nosso Primeiro-ministro inspirou-se no lindíssimo poema de Renata Cardoso e trouxe o mundo às nossas ilhas e pretende oferecer aos estudantes e professores um “Gota D’água” com apoio do Sócrates. Este também teve uns dias inspirados, cheios de declarações de amor aos cabo-verdianos. Como canta Gil Semedo, “Dja nu ganha fama”.

Jorge Santos não foi convidado para a festa e claro, o nosso líder de oposição não podia fazer o papel de “rusga” e ir a festa sem ser convidado. De facto nem o Sócrates, nem o José Maria Neves tiveram uma atitude de “kompas” com o Jorge Santos. De facto, nem com a promoção de Cabo Verde Telecom Jorge Santos conseguiu ser “kompas” do JMN e Sócrates.

Já agora, alguém sabe quem são os 5 “kompas” do Primeiro Ministro e do Jorge Santos. Vou tentar adivinhar. JMN deve ter como “kompas”: Janira Hopffer Almada, Rui Semendo, Nuías Silva, Basílio e Inocêncio.

Por seu lado, Jorge Santos deve ter optado por: Fernando Elísio, Miguel Monteiro, Lourenço Lopes, Miguel Sousa e Joana Rosa.

Os “Kompas” devem estar permanentemente em contacto e devemos agradecer a Cabo Verde Telecom por isso. Bem, vou parar de escrever e vou ligar a um “kompas”. Sabem quem são os meus “Kompas”? Depois digo-vos. Não sejam tão curiosos, ainda não sou nem Primeiro-ministro, nem líder de oposição. Quem sabe um dia… nunca se sabe…!!!

Deixo-vos com a inspiração do nosso Primeiro-ministro

PORTON D NÔS ILHA

Quando um mundo novo cunqui
Na porton di nôs ilha
Pamode qui fogon sem paia
Na ladêra sem cimbron
Tude mãe chei d fidjo sem estória
Tude gril quebrá sê pedra
Pamode manhã ca tem prutchida
E no quema morabeza
Ma distino triste di ilhéu
E no spaia sês pontin
Na prato fundo sem fture
Di tudo bem sirvido qui criás
Di tudo bem sirvido qui criás
E no cuzá um enchada
Má um broca e no espaiá
Um novo ideia na nôs mar
Sol e morabeza pa tude gente
Tude nôs farol di morte
Ma cimitério di nôs água
No vra terra pa tude gente
Lei tude criston tude cimbron
Tem direite na sê gota d aga



Renato Cardoso

segunda-feira, 16 de março de 2009

“Gota D’ água é o “Magalhães” de Cabo Verde

Os anunciados 12 mil “Magalhães” – computadores adaptados aos mais novos – afinal eram só 60. A entrega oficial aconteceu no segundo dia de visita oficial, na Escola da Capelinha, ocasião que o governo cabo-verdiano aproveitou para anunciar o “Gota d’água”. Este computador segue o mesmo conceito do “Magalhães”, mas terá conteúdos e aplicações 100% crioulos. O “Gota d’água” é uma componente do programa “Mundu Novu”.” In www.asemana.cv

Quem inventou os 12 mil “Magalhães”, porque alguém andou a nos enganar desta forma durante os últimos dias?

Entre 60 e 12 mil existe uma grande diferença. Nem sequer existe nenhuma razão que nos passa fazer pensar que houve um erro de escrita ou de cálculo. Simplesmente alguém passou esta informação e os cabo-verdianos leram isso em todos os jornais.

Eu fiquei a saber que afinal não são 12 mil mas sim 60. Alguns dos meus amigos também ficaram a saber. Uma pequena percentagem de cabo-verdianos foi esclarecida. Mas aposto que muita gente ainda pensa que foram 12 mil. Será que esta informação foi passada de propósito?

Fiz um exercício e perguntei a 10 pessoas esclarecidas com 12.º ano de escolaridade e todos responderam: “Sócrates trouxe 12 mil Magalhães”. A notícia da vinda de 12 mil “Magalhães” circulou por todo o país, foi destaque em todos os órgãos de comunicação social, foi comentário nos bares, escolas, universidades, entre vizinhos, enfim, a notícia correu de boca em boca. Agora, quem vai dizer aos cabo-verdianos que afinal não é 12 mil mas sim 60. 60 não teria, certamente, o mesmo impacto…..

Mas porque será? Porque alguém inventou um número tão alto? É estranho porque quando digo a algumas pessoas que afinal não são 12 mil, respondem, assim, com segurança: “eu ouvi na televisão e rádio, li nos jornais, estou bem informado e tenho certeza que são 12 mil”.
Alguns ainda dizem que são 12 mil mas só veio uma parte e que o resto está a caminho, devendo chegar mais nos próximos dias.

Este exemplo levou-me a pensar que a informação pode ser manipulada de tal forma que a diferença entre verdade e mentira deixa de existir. Quando se lança uma informação com tanto impacto como este, sobretudo estando quase todo o Governo português em Cabo Verde, em que o país vive dias de festas, comemorando a vinda de Sócrates, fica complicado depois apresentar uma outra versão, ainda que a verdadeira, dos factos.

domingo, 15 de março de 2009

ETERNOS APAIXONADOS

Mesmo que me faltem forças para escrever,
E não tendo dom para poeta ser
Agarro-me nos teus encantos
E traduzo a tua beleza em palavras
Faço dos meus versos
Um jogo de silabas
Um jogo de amor
Somos assim, dois seres, unidos pelo amor
Duas almas, dois corpos, um coração
Escrevemos na nossa história a nossa canção
Somos eternos, somos imortais
Somos na vida os tais,
Que sonham e vivem para amar

sexta-feira, 13 de março de 2009

SÓCRATES E JOSÉ MARIA NEVES - A CAÇA DE VOTOS

Uma grande comitiva do Governo de Sócrates está em Cabo Verde. Sócrates precisa ganhar as eleições legislativas em Portugal. Obter uma maioria absoluta parece ser uma tarefa complicada. O escândalo do caso “freeport” parece ser uma pedra no sapato de Sócrates. Ao Sócrates dará muito jeito o voto dos cabo-verdianos com capacidade para votar em Portugal. Não tendo como chegar directamente a esta grande comunidade, Sócrates opta por vir directamente à origem, numa operação de charme e de propaganda politica, o Governo de Sócrates decidiu fazer uma maratona em Cabo Verde. Como bandeira traz Magalhães e ajuda o Governo no Programa “Mundo Novo”.

Esta operação poderá dar bons frutos ao PS. José Maria Neves, por seu lado, também não está com uma vida fácil. O escândalo da Cabo Verde Investimentos ainda pode vir a dar muitas dores de cabeças ao Governo. Para um terceiro mandato, JMN precisa de novidades, “Mundo Novo” pode dar uma mãozinha. Contudo acho que nesta caça de votos, ainda assim Sócrates tem mais a ganhar.

quarta-feira, 11 de março de 2009

MAIO, TÃO LONGE E TÃO PERTO

Maio continua tão distante da Cidade da Praia. Não é a primeira vez que morre um maiense por falta de assistência médica devida. Tudo porque o hospital não tem as devidas condições e, a ligação Maio-Praia é deficitária. Desta vez, Xidau, morreu a caminho da Praia, dentro de um barco a procura de melhores condições no Hospital Agostinho Neto.

O sistema de protecção civil de Cabo Verde é de facto extremamente deficitário.
Para quando um helicóptero preparado para transportar pessoas que necessitam de uma assistência médica urgente na Cidade da Praia? Outra solução é ter um hospital capaz de dar resposta à situações destas em todas as ilhas. Infelizmente não se vê nem uma coisa, nem outra. Que Tristeza!!!

terça-feira, 10 de março de 2009

UMA NOTA AO M.I. DR. VIRGILIO BRANDÃO

M.I. Dr. Virgílio Brandão, agradeço o comentário que deixou no meu blog, condenando o comentário de um anónimo covarde que, por dor de cotovelo ou frustração, decidiu insultar-me.

Concordo consigo que deveria rejeitar tal comentário. Contudo, o meu blog aceita todos os comentários automaticamente. Talvez seja razão para alterar a configuração.


Da minha parte, não quero conhecer nem a pessoa, nem as razões deste anónimo. Não sei se o mesmo tem família ou não. Se tiver lamento pelos que convivem diariamente com ele.

Igualmente, lamento que o seu nome tenha sido usado por este covarde.

PORQUE SERÁ?

Circula na Internet um importante documento denunciando diversas irregularidades na Cabo Verde investimentos. O Primeiro-ministro reconheceu a veracidade de alguns factos constantes do mesmo. Os jornais deram destaques ao mesmo. Quem parece que ignorou o documento foi a oposição. Porque será?

O certo é que Cabo Verde Investimentos e os problemas relacionados com a venda dos terrenos, poderiam ser um triunfo para as legislativas. PAICV, antecipou e perante a inércia da oposição denunciou o problema. MpD ficou calado, logo esvaziou-se este triunfo. PAICV ganhou esta batalha. Aguardemos pelas próximas. Enquanto isso, os cabo-verdianos continuam a ficar sem terra.

Ninguém está preocupado em defender a Constituição e a legalidade. Onde estão as entidades com poderes constitucionais para isso? Que Estado de Direito Democrático é este? Para quê preocuparmos com a revisão da Constituição?

Eu gostaria de saber o que se passa. Ninguém quer explicar nada. Que Deus ajude e proteja o autor deste texto e que venha daí mais esclarecimentos. Afinal todos temos família…entendo a sua preocupação caro cidadão cabo-verdiano.

MAIS DE 2 MIL VISITAS…. MUITO OBRIGADO AMIGOS

No dia 18 de Fevereiro de 2009 coloquei um post agradecendo aos leitores que visitam o meu blog, pois, o contador de visitas assinalava, em tão pouco tempo, mil visitas.


Nesta altura expressei o desejo de alcançar dois mil visitas em menos espaço de tempo do que levei para alcançar os mil visitas.

Eis que, passado menos de um mês, alcançamos este objectivo. Para um blog tão recente, cerca de mil e quinhentos visitas mensais é motivo de grande satisfação.


Mais uma vez agradeço os meus leitores e prometo melhorar cada vez mais.

XIDAU – TRISTE PARTIDA, DESCANSA EM PAZ

Alcides Maria dos Santos, Xidau para os amigos e conhecidos, faleceu na semana passada.

Conheci Xidau ainda eu era criança, frequentava dos meus pais regularmente. Sempre tímido e sempre com um leve sorriso no rosto. Foi uma triste surpresa a morte do meu amigo Xidau.

Xidau desempenhava as funções de delegado do Ministério de Educação e Ensino Superior no Maio e foi o cabeça-de-lista do PAICV nas últimas eleições autárquicas.

Um Tambarina desde do berço e um homem que sempre se preocupou com os problemas da sua ilha. Lamento Xidau, deixaste muitas saudades.
Apresento, uma vez mais, as minhas sentidas condolências à família

sábado, 7 de março de 2009

Lamentamos a Morte de Luís Freire Lima

Cabo Verde perdeu um grande homem e um grande conhecedor da economia. Tristemente, tomamos a notícia da morte do economista Luís Freire Lima.

Deixo aqui, as minhas sentidas condolências a toda a família, em especial, ao meu amigo Fernando Elísio Freire.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Breves Inquietações – Revisão Constitucional

1. Estive agora a rever os projectos de revisão constitucional e ocorreu-me o seguinte: no sistema actual o Presidente da República não pode ir além de dois mandatos consecutivos. É a única limitação de mandato previsto na Constituição. Os três projectos não trazem nada de novo sobre esta matéria. Contudo, muitas vozes se interrogam se não deveria acontecer o mesmo com os Presidentes das Câmaras Municipais, pelo menos colocar um limite em 3 mandatos.

É verdade que só ficam ai se o povo continuar a votar neles. Têm uma legitimidade democrática, contudo a manutenção no poder pode trazer vícios. Por outro lado, o tempo faz nos entrar em comodismo e perdemos capacidade de inovação. Isso é característica do ser humano. Será que não vale a pena esta limitação?

2. Os actos políticos são estão sujeitos a fiscalização de constitucionalidade. Cabo Verde seguiu a tradição de muitos países europeus. Mas será que assim deverá ser? O Tribunal Constitucional não deverá ser garante da Constituição mesmo em actos políticos. Parece contrário dizer que estes actos não podem infringir a Constituição e no entanto não poderem fiscalizados pelo TC. Alguns dirão que existem outros mecanismos de fiscalização, mas não a fiscalização feita pelo TC mais viável e mais imparcial?

segunda-feira, 2 de março de 2009

GUINÉ-BISSAU, QUE FUTURO?

Guiné-Bissau sempre viveu em conflitos e guerras. Nino Vieira foi sempre um “calcanhar de Aquiles” neste país.

Será que a sua morte vai significar o fim dos conflitos? Não me parece. Em Guiné-Bissau as forças armadas constituem um poder forte e, infelizmente, a vida de um ser humano não tem o mesmo valor que em países como Cabo Verde.

O problema da Guiné-Bissau é muito mais complexo. Neste país ainda reina o império da força e das armas.

Veremos o que vai acontecer doravante….

MORTE DE NINO VIEIRA. QUE CONSEQUÊNCIAS?

Nino Vieira foi assassinado esta madrugada. Quais as consequências para os nossos irmãos da Guiné-Bissau? Vão finalmente conhecer a paz ou o país vai continuar em conflitos e instabilidades?

Espero que, a semelhança do que aconteceu em Angola, a paz passa a reinar em na Guiné-Bissau.

O homem com história de Nino Vieira só poderia ter este fim. Ele escolheu este caminho, um caminho que muito fez sofrer os nossos irmãos.

Vamos acompanhar as horas e os minutos de angústia na Guiné-Bissau.

domingo, 1 de março de 2009

Tréplica do Dr. Virgílio Brandão Publicado no Liberal no dia 28.02.09, 9 dias depois da minha réplica. Será que devo responder?

No dia 10.02.09 publiquei um artigo no liberal sobre a eleição do Dr. Raul Querido Varela. Dr. Virgílio Brandão escreveu um artigo apresentado argumentos contra a minha tese no dia 17.02.09, 7 dias da publicação do meu artigo.

Neste sentido e, apesar de ser não este o propósito inicial do meu artigo, apresentei uma réplica, no dia 19.02.2009, à posição do Dr. Virgílio Brandão, demonstrando, claramente que o mesmo não tinha razão. O artigo do meu ilustre colega pareceu-me interessante e com argumentos fortes. Por isso apresentei uma tréplica no dia 19 de Fevereiro, apenas dois dias depois da publicação do artigo do Dr. Virgílio Brandão.

Eis que, passado 9 dias, o Dr. Virgílio Brandão apresenta a sua tréplica. Neste artigo o Dr. Virgílio Brandão faz um tremendo esforço para salvar a sua tese, vasculhando o que escrevi no meu blogue, chegando ao ponto de dizer que cheguei a defender que o Juiz é Funcionário Público. Nada mais falso! No meu blogue, faço minhas reflexões, minhas interrogações e, por vezes, meto em questões estritamente políticas. Juridicamente os Juízes não são funcionários públicos e eu nunca defendi isso. As vezes a política entra no campo da justiça e as consequências são os que todos conhecemos em Cabo Verde.

Por outro lado, O Dr. Virgílio Brandão afirma que eu tive acesso ao requerimento do PGR que deu entrada no STJ. Eu nunca escrevi, nem falei com o meu colega sobre este assunto. Onde foi buscar tal informação? O mesmo é relevante para nossa discussão? O certo que o Dr. andou nestes 9 dias pesquisando, analisando meu blogue e contactando fontes que lhe pudessem dar mais informações sobre os dados que disponho. Belo trabalho! Será por isso que demorou tanto tempo em responder. Pena, porque este espaço de tempo torna desinteressante o debate e convenhamos que, 9 dias é demasiado tempo para uma tréplica. Foi necessário tanto estudo assim?

Fico feliz com esta atitude do meu colega Virgílio Brandão, sinal que a minha réplica foi convincente e com argumentos sólidos. É engraçado notar que o principal argumento que o Dr. Virgílio usou no seu primeiro artigo como base de um juízo limiar de improcedência da minha opinião e que apresentei fortes argumentos na réplica, não foi mencionado ou refutado pelo mesmo. O que me leva a concluir que o meu ilustre colega acabou por concordar comigo. Ainda bem, pois doutra maneira não podia ser.

O Dr. Virgílio Brandão na tentativa de refutar os meus argumentos, vem dizer que mudei de opinião. Mais uma vez, nada mais falso. A minha posição foi sempre a mesma, simplesmente apresentei novos argumentos, reforcei a minha posição. Mais uma vez, reitero a minha posição e ela consiste, em síntese, na seguinte:

(i) Os Juízes não são funcionários Públicos;
(ii) O limite de idade estabelecido na Lei é aplicável aos Juízes de Comarca;
(iii) O limite de idade estabelecido na Lei não é aplicável aos Juízes Conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça; e
(iv) A Eleição do Dr. Raúl Querido Varela não tem nada de inconstitucional ou ilegal.

Esta é a minha posição e os argumentos em defesa da minha tese foram apresentados nos dois artigos que escrevi no liberal (Estou a ponderar se respondo ou não ao meu colega).

Se tivesse mudado de opinião ou se tivesse errado em algum dos meus argumentos, teria toda a humildade de reconhecer e corrigir o meu erro. Errar é humano e eu não tenho medo de errar, por isso não temo em expor as minhas posições. Não pretendo ser detentor da verdade, apenas dar meu contributo numa questão jurídica.

Estive a reler a tréplica do meu ilustre colega e, antes de dormir, resolvi escrever estas linhas. Atenção, que fique claro que estas notas que coloco aqui no meu blogue, são simples notas e reflexões. Não se trata de uma resposta ao artigo do Dr. Virgílio Brandão. Por enquanto estou a pensar se vale a pena escrever um novo artigo. Estou a pensar porque reparei que o meu ilustre colega dá muitas voltas, tenta apontar-me erros e mudanças de opiniões que não existem, mas não apresenta nada de novo.

Por uma questão de esclarecimento ao público estou ponderando se respondo ou não. Agradecia opiniões sobre isso. Acham que devo responder? Valerá a pena?




sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Uauauaua, hoje é Sexta-feira, um copo com os amigos: Milton Paiva, César, Abrão Vicente, Emílio, Edson Medina, Fefa….

Hoje é sexta-feira, dia de paródia, dia de estar com os amigos, tomar uns copos e falar de banalidades.

Como sempre por volta das 22:30 vou encontrar com malta do 180.º no “Cometa”. A seguir, certamente, iremos ao “K”. Alguns ainda (incluindo eu) terminarão a noite no “Cokpit”, ou iniciaremos a noite, dependente da fortuna de cada um.

Tendo sido assim todas as sextas-feiras. Talvez hoje vá ser a mesma coisa. Começo a ficar farto destes gajos pá, entornamos cervejas e falamos asneiradas e banalidades.

Pora!!!, mas depois de uma semana de trabalho vale a pena entornar às sextas. Que se lixe!!!!!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A VOZ DO CORAÇÃO

Quando temos tantas dúvidas o melhor mesmo é seguir a voz do coração. O único caminho da verdade, o único caminho da felicidade. As vezes, as ganâncias e as intrigas da vida fazem-nos perder as nossas jóias mais preciosas e entrar em caminhos de brigas e confusões.

Enfim, nem sei porque estou escrevendo isso. Apeteceu-me

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Jornalista, Margarida Moreira, Violentamente Agredida pelo Companheiro

“Uma lesão no braço, uma fractura na cara, quatro pontos junto ao olho direito e uma dor na alma é o resultado da agressão contra a jornalista Margarida Moreira, da TCV, pelo companheiro, conhecido por Lino Barra. Alguém com quem decidiu partilhar a sua intimidade e que de repente se transformou num "animal", apenas por terem pontos de vista diferentes em relação a uma determinado assunto da sua intimidade “ (in www.expressodasilhas.cv).

Mais um caso de violência como tantos os outros que acontecem todos os dias no nosso país. Desta vez, tem uma particularidade, trata-se de uma figura pública e a mesma teve coragem de denunciar num jornal. Um acto de coragem e todas as mulheres cabo-verdianas deviam seguir este exemplo.

Muitas mulheres não denunciam a situação por medo ou por vergonha. Margarida, não temeu nenhuma das situações. Coragem Margarida, sempre revelaste ser uma grande mulher e uma grande profissional. Lamento o sucedido e te desejo melhoras. Podes estar certa que as mulheres cabo-verdianas e todos aqueles que lutam contra a violência, como eu, estamos orgulhosos de ti.

Um beijo e rápidas melhoras.

Cabo Verde Investimentos (CI) terá um Novo Presidente

Segundo os jornais online, Alexandre Fontes e os outros administradores vão deixar a CI. Razões? Segundo asemanaonline esta mexida na CI deve-se a incompatibilidades com a ministra da Economia, Fátima Fialho. Como próximo presidente é apontado o sociólogo Manuel Pereira Silva.

Este facto deixa-nos preocupado, parece que a CI é uma fonte de incompatibilidades. Porque será? Será do guaraná?

“Primeiro foi Paulo Monteiro Jr. que entrou em choque com João Pereira Silva, depois Victor Fidalgo que se incompatibilizou com José Brito e agora é Alexandre Fontes que bate de frente com Fátima Fialho” (in asemenaonline).

Certamente o Dr. Manuel Pereira Silva terá incompatibilidades se entrar um novo Ministro. E assim, vai andar o CI, mudando de Presidentes consoante o Ministro e as marés. Gostaria de perceber porquê? Será porque pela CI passam avultados investimentos? Será porque a CI tem contacto com os maiores investidores estrangeiros que estão de olhos nas nossas “terras”? Triste realidade a nossa.

Eu não sei o que passa pela CI, gostaria de saber e espero que quem de direito faça isso pelos cabo-verdianos, POR AMOR À TERRA. São tantas as incompatibilidades que temos de apurar as responsabilidades. Temos de agir na prevenção e não aguardar problemas.

Qual o papel da oposição neste aspecto? Será que terão coragem e ousadia de interpelar o governo sobre as actividades e incompatibilidades da CI? Se eu fosse líder da oposição ou da grupo parlamentar da oposição o faria certamente.

Os cabo-verdianos não sabem como é gerido “a coisa pública”, qual o destino. Alguém já preocupou em saber quantos pedaços de terra pertencerão aos cabo-verdianos nos próximos anos? Alguém já se preocupou em saber se os nossos filhos terão espaço para construir nos próximos anos? Alguém já se preocupou em saber qual o destino do nosso turismo, é sustentável ou será apenas um local onde muitos chegam, ganham dinheiro e no futuro mudam para outros destinos? No final desta história, o que restará para os cabo-verdianos?

Enfim, nós, o povo, vamos assistindo à esta novela, sem saber por onde caminhamos. Escolhemos um caminho, mas ainda ninguém demonstrou que se trata do caminho certo. Sabemos que este caminho interessa à muita gente. Mas será que interessa aos cabo-verdianos. Nós, cabo-verdianos, temos a mania de não discutir questões sérias, vamos fazendo as coisas e depois logo se vê. Parece o jogo do fazes tu agora as asneiras e depois faço eu. As consequências depois ficam para nós, os cabo-verdianos, os jovens, o futuro de amanhã. Já não somos pioneiros, mas continuamos a ser o futuro de amanhã. Ou será que o futuro continua a ser ainda apenas dos pioneiros? Há quem diga que sim. Eu prefiro não acreditar nisso, sou cabo-verdiano, vivo num estado de direito democrático e quero o melhor para os meus filhos.

Não pretendo ter mais do que um trabalho para sustentar minha família e meus pequenos gostos (livro, Internet para manter meu blogue, dança, música, umas cervejinhas com os amigos e, de vez em quanto, uma viajem para redescobrir o mundo), mas meus filhos podem querer mais, quero que tenham esta oportunidade.

Alguns me acham chato por escrever atoa e sem defender este ou aquele partido. Todos temos as nossas simpatias políticas, mas acima de tudo sou cabo-verdiano. Escrever, expor as nossas opiniões leva-nos a entrar em campos complicados e, muitas vezes, minados. Contudo se todos tiverem medo deste campo que será dos nossos filhos?


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

ENCERRADO O BANCO INSULAR DE CABO VERDE, UMA TRISTE HISTÓRIA NO NOSSO MERCADO FINANCEIRO. PARA QUANDO A TÃO ALMEJADA PRAÇA FINANCEIRA INTERNACIONAL?

ENCERRADO O BANCO INSULAR DE CABO VERDE, UMA TRISTE HISTÓRIA NO NOSSO MERCADO FINANCEIRO. PARA QUANDO A TÃO ALMEJADA PRAÇA FINANCEIRA INTERNACIONAL?


O Banco Insular de Cabo Verde, controlado pela Sociedade Lusa de Negócios e envolvido no caso BPN, encerra amanhã por decisão do governo cabo-verdiano, nomeadamente por falta de cumprimento de normas sobre reposição de fundos e riscos de crédito.

O Banco Insular foi autorizado por portaria (81/97 de 08 de Dezembro) de 1997 e iniciou a sua actividade a 30 de Outubro de 1998, portanto é uma instituição que opera há 10 anos no país.
Em Cabo Verde existem as instituições financeiras internacionais: Banco Insular, o Banco Fiduciário Internacional, o Banco Sul Atlântico, o Banco Internacional Trading SA, o Banco Montepio Geral-Cabo Verde, o Banco Espírito Santo SA-Sucursal Financeira Exterior de Cabo Verde, a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo-Sucursal Financeira Exterior de Cabo Verde, o Banco Privado Internacional, o Banco Internacional de Investimentos e o Banco Português de Negócios, autorizado por portaria de 13 de Dezembro de 2004.

Será que em relação às demais instituições têm funcionado a supervisão? Não teremos mais escândalos?

O MpD acaba de apresentar um projecto-lei, visando a alteração da do Decreto-Lei n.º 12/2005, de 7 de Fevereiro, que Regulamenta o direito de estabelecimento de instituições financeiras internacionais em Cabo Verde, o seu funcionamento e sua supervisão


MpD, pretende suprir o artigo 12.º n.º 2, que tem a seguinte redacção:


Artigo 12.º
(Sócio de Referência)

1. A constituição de instituições financeiras autónoma não poderá ser autorizado sem que entre os seus sócios fundadores se conste uma instituição financeira com sede num país da OCDE ou noutro que o Banco de Cabo Verde considere de mecanismos apropriados de supervisão, detentora de uma participação mínima de 15%.

2. A título excepcional, quando mérito dos promotores o permita e o interesse da República de Cabo Verde o justifique, pode o membro do Governo responsável pela área das finanças, autorizar a constituição de instituição financeira autónoma sem os requisitos do número anterior, caso em que o capital social mínimo será o dobro do previsto no n.º 1 do artigo 9.º.


Para MpD, “mérito dos promotores e o interesse da República de Cabo Verde” são “critérios meramente políticos” e não critérios de garantias de qualidade de supervisão.

Parece-me que de facto o artigo 12.º n.º 2 utiliza um conceito vago e indeterminado, que não nos dá segurança. Não queremos ter mais instituições financeiras a serem encerradas por incumprimento da lei, para isso temos de ser mais rigorosos possíveis.

Temos de criar mecanismos legais para isso. Talvez seja altura de pensarmos numa revisão da legislação do sector financeiro, não só para a tornar mais eficiente, mas também mais competitiva, mormente no que diz respeito aos bancos comercias.

O Governo sempre anunciou que pretende transformar Cabo Verde numa praça financeira internacional, porém, acho que ainda estamos longe disso. Mas ainda vamos a tempo.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Greve de juízes em Espanha com adesão de 60 por cento

“Os juízes de cerca de 30 províncias e das grandes cidades espanholas estão hoje abrangidos pela primeira greve de magistrados a decorrer no país, convocada por duas associações judiciais de Espanha, a Associação Francisco de Vitoria (AJFV) e o Fórum Judicial Independente (FJI), para exigir mais recursos humanos e materiais”. (in www.publico.pt)

O estatuto dos juízes é uma matéria complicada em qualquer parte do mundo. Muitos países da Europa, incluindo Portugal, já assistiram a greve de juízes.

A doutrina tem defendido que os juízes não têm direito à greve. Também concordo. Mas como podem os juízes reivindicar melhores condições.

MIL VISITAS. OBRIGADO AOS LEITORES DO MEU BLOGUE

Quando criei este blogue, pretendia, de uma forma livre, manifestar a minha liberdade de expressão, escrever sobre coisas sérias, banalidades, enfim, brincar com as palavras.

Tenho escrito com alguma regularidade e gosto de reler o que escrevo e tentar melhorar em casa escrita. O meu gosto pela escrita, assim obriga.

O meu contador de visitas já marca mais de 1000 visitas. Fico contente, uma vez que o meu blogue é recente. Espero alcançar rapidamente 2000 visitas.

O número de visitantes obriga-me a aumentar a qualidade do blogue e da escrita. É o que tentarei fazer.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A POLÉMICA ELEIÇÃO DE RAUL QUERIDO VARELA AO CARGO DE JUIZ CONSELHEIRO DO STJ II - CONTRADITANDO A OPINIO IURIS DE VIRGÍLIO RODRIGUES BRANDÃO

M.I. Dr. Virgílio Brandão, felicito-lhe pela forma cordial e elegante como apresentou a seu parecer jurídico, apresentando fortes argumentos em defesa da sua tese, tratando a questão num plano estritamente jurídico e não político, como alguns têm feito.

Agradeço-lhe o contraditório, pois isso nos permite esmiuçar argumentos a favor das nossas teses e abrir um debate sério e despido de cores políticas sobre o Estatuto dos Magistrados Judiciais (EMJ). Como referiu, e bem, pesa sobre nós a responsabilidade intelectual de esclarecer o público. Não pretendemos ser donos da verdade, apenas dar a nossa singela contribuição.
Não vou elaborar um parecer, nem ser muito exaustivo, apenas vou desenvolver um aspecto em que estamos em total desacordo.

No artigo, e apesar de por vezes ter usado apenas a expressão “Juízes”, pretendi tratar apenas da questão dos Juízes Conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça (STJ). De resto, no programa 180.º na RTC, afirmei que de facto o artigo 31.º da Lei nº 102/IV/93, de 31 de Dezembro (Lei Geral) é aplicável aos Juízes de Comarca, não se aplicando, no entanto, em se tratando dos Juízes Conselheiros do STJ. Esta é, em síntese, a minha posição, que passarei a explanar.

Pelo que, estamos de acordo em, pelo menos, três pontos: (i) a iniciativa do Dr. Júlio Martins, Procurador Geral da República, é de aplaudir; (ii) esta questão não é de ordem política mas sim jurídica; e (iii) o artigo 31.º Lei Geral é aplicável aos Juízes de Comarca.

Comecemos pela sua referência ao artigo 72.º do EMJ como base de um juízo limiar de improcedência da minha opinião.
Estabelece o referido artigo que:
«É aplicável subsidiariamente aos Magistrados Judiciais, em tudo que se referir à matéria administrativa e disciplinar o regime jurídico da Função Pública.»

Ora, teria razão o M.I. Dr. Virgílio Brandão se este artigo fosse um regime subsidiário para tudo o que não estiver regulado no EMJ. M.I. Dr. Virgílio Brandão, este artigo apenas se refere à matéria administrativa e disciplinar. Tão somente isso. Em tudo o resto, só se aplica o regime jurídico da Função Pública, quando existir uma remissão expressa no EMJ. A Lei faz esta remissão expressa, pelo menos, 10 vezes, o que demonstra que o legislador não pretendeu estabelecer no artigo 72.º todo o regime da função pública como regime subsidiário, mas apenas em matéria administrativa e disciplinar, pois se fosse essa a pretensão, não faria sentido as remissões que encontramos no EMJ.

Nenhum dos Capítulos do EMJ se refere à matéria administrativa e disciplinar dos magistrados judiciais, ao contrário do que acontece com a nomeação e eleição, previstas no Capítulo II. Esta opção deixa claro que o legislador não considera a eleição dos Juízes do STJ como matéria administrativa, como não podia deixar de ser. Pois, com efeito, os Juízes dispõem de um estatuto próprio, apenas lhes sendo aplicáveis os aspectos do regime da função pública que o EMJ lhes mande aplicar, e só desses.

Uma vez que o EMJ não regula as matérias administrativas e disciplinar dos Juízes, remete num único artigo para Lei Geral. Nas outras questões, faz remissões quando entendeu que se deve aplicar o regime da função pública. Se não o fez em relação à da eleição dos Juízes do STJ e fê-lo em relação aos Juízes de Comarca, é porque entendeu que, em relação à eleição, só a estes últimos é aplicável o regime de função pública. Nota-se ainda que, o artigo 72.º refere a matéria administrativa e disciplinar da competência do Conselho Superior de Magistratura. Pois, nos termos do artigo 47.º do EMJ, é a este órgão que compete a gestão e disciplina da Magistratura Judicial. O Raul Querido Valera foi eleito pela Assembleia Nacional, estando a sua eleição completamente fora do alcance deste artigo. Pelo que não procede o argumento de que o artigo 72.º manda aplicar, subsidiariamente, o regime da função pública em matéria de eleição dos Juízes do STJ.

Passemos ao Capítulo II do EMJ que trata da designação, eleição e nomeação dos magistrados judiciais.

A lei faz distinção entre Juízes do STJ (artigo 8.º) e Juízes de Comarca (artigo 10.º). Estes, nos termos do referido artigo, são nomeados pelo Conselho Superior de Magistratura precedendo concurso.

O artigo 11.º trata do ingresso de magistratura dos Juízes de Comarca, que será sempre dependente da aprovação em concurso organizado pelo Conselho Superior de Magistratura (artigo 11.º n.º 1 e). A alínea f) do mesmo artigo diz ainda que, o juiz tem de satisfazer os demais requisitos na Lei para a nomeação dos funcionários públicos. Perante esta diferença de regime, fica claro que o artigo 11.º não é aplicável aos Juízes do STJ.

O Capítulo VII vem regular a suspensão, cessação de funções e aposentação. Ai, mais uma vez, o EMJ faz a distinção entre Juízes de Comarca (artigo 42.º) e Juízes do STJ (artigo 43.). Neste ponto, a lei vem dizer que os Magistrados Judiciais (entenda-se Juízes de Comarca) cessam funções no dia que a lei prevê para a aposentação dos funcionários públicos (neste caso, este artigo deixa claro que o limite de idade de 65 anos se aplica aos Juízes de Comarca). Esta interpretação também resulta do artigo 11 n.º 1 f)). Estamos de acordo neste ponto. Contudo não entendo que este artigo se aplique aos Juízes do STJ, já que o EMJ vem regular, no artigo 43º, o caso dos Juízes do STJ, em especial.

Com efeito, para diferenciar, a lei dedica o artigo 43.º exclusivamente aos Juízes do STJ. Estabelece o artigo 43.º do EMJ, o seguinte:
1. Excepto nos casos de termo do mandato, as funções de Juízes de STJ só podem cessar se ocorrer alguns dos seguintes factos:
a) Morte ou impossibilidade física permanente;
b) Renúncia;
c) Demissão ou aposentação compulsiva em consequência de processo disciplinar ou criminal;
d) Aceitação de lugar ou cargo que seja constitucionalmente ou legalmente incompatível com o exercício das suas funções.

Este artigo está em conformidade com o artigo 290.º n.º 5 da Constituição da República de Cabo Verde (CRCV), com a seguinte redacção:

Excepto nos casos de termo de mandato, as funções dos juízes do Supremo Tribunal de Justiça designados nos termos do presente artigo só podem cessar por ocorrência de:
a) Morte ou incapacidade física ou psíquica permanente e inabilitante;
b) Renúncia declarada por escrito ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça;
c) Demissão ou aposentação compulsiva em consequência de processo disciplinar ou criminal;
d) Investidura em cargo ou exercício de actividade incompatíveis com o exercício das suas funções, nos termos da Constituição ou da lei.

Lendo este artigo, fica claro que a CRCV proíbe a cessação de funções dos Juízes do STJ, por outros motivos, que não sejam os enumerados no artigo 290.º n.º 5. Ou seja, um Juiz de STJ nunca cessará as suas funções com a justificação de que já completou 65 anos. Logo, também a Assembleia Nacional não poderá deixar de eleger um Juiz porque já completou 65 anos.

Com isso, o EMJ distingue os juízes do STJ dos Juízes de Comarca quanto à designação, eleição e, bem assim, quanto à cessação de funções. Para os juízes de Comarca o EMJ estabelece como requisito a satisfação dos requisitos estabelecidos na Lei para a nomeação dos funcionários públicos. No que diz respeito à cessação de funções, diz o EMJ que os Juízes de Comarca cessam funções no dia em que a lei prevê para a aposentação dos funcionários públicos.

Quanto à eleição dos Juízes do STJ e quanto à cessação da função dos mesmos, o EMJ não faz qualquer referência a idade ou outros requisitos para os funcionários públicos. O EMJ é clara nesta distinção, não se trata de lacuna ou aplicação subsidiária de uma outra Lei. Trata-se de uma opção clara do legislador em não estabelecer qualquer condicionalismo de idade, respeitando assim o artigo 290.º n.º 5 da CRCV, que também exclui a idade como causa de cessação de funções.

Creio que este é o principal ponto em que estamos em desacordo, o que faz toda a diferença. O M.I. Dr. Virgílio Brandão trata da mesma forma e estabelece o mesmo regime para o Juízes de Comarca e os Juízes do STJ. Não foi esta a opção dos EMJ. Alguns outros pontos do seu parecer mereciam o meu comentário, contudo, para um melhor esclarecimento do público, decidi cingir ao ponto fulcral.

Como vê, M.I. Dr. Virgílio Brandão, pode-se apelidar esta questão de “controvérsia jurídica”. Basta ver os inúmeros argumentos que usa para rebater a minha tese. Os argumentos ora apresentados têm sustentação na CRCV e no EMJ, pelo que não se pode considerar que a questão seja tão evidente e clara.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

JPAI - Parabéns Nuias

Terminou o congresso da JPAI e Nuias foi eleito com 141 votos num universo de 210 delegados.

Parabéns ao novo líder da JPAI. Desejo-lhe boa sorte. Parece-me que os jovens do partido tambarina fizeram uma óptima escolha.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Recordando Infância

Não tenho especial dom para a escrita, mas por vezes sinto uma vontade de escrever, de jogar com palavras, de mexer com sentimentos, de vasculhar o baú da memória, de reviver e sentir a minha infância.

Por isso, para saciar a minha vontade, para poder relembrar os tempos que passei na Ilha do Maio, na minha querida aldeia – Pedro Vaz, vou passar a usar este meu espaço íntimo para viajar no tempo e, semanalmente, recordar o tempo.

Na minha casinha, junto à uma encosta onde se sentia o vento bater em pequenos rochedos e, quando chovia, fazia-se uma “mini-cheia” em frente à nossa porta. Mama, quando chovia demasiado, ia buscar uma panela, cheio de cinza e marcas do tempo para, com um ferro tocar na panela. Diziam os meus velhos que isso era um pedido de socorro para Deus. Ele ouvia e fazia parar a chuva. Por vezes resultava e por vezes não.


Papa e meus irmãos, preparam para sair em direcção às nossas hortas. Tinham que ir ver se as paredes tinham ou não sido deitadas ao chão com o vento e chuva. Era preciso trabalhar arduamente para evitar que depois, as cabras que por ai andavam pudessem comer todas as plantações. A maioria das cabras pertencia ao papa. Homem que adora limarias. Para ele, matar uma cabra para comer era pecado, ele adorava a sensação de estar a pastar e ter um horizonte de cabras a frente. Grande homem. Pastava e falava, por vezes sozinho, por vezes com as suas limarias.

Eu, miúdo, ia com ele. Achava piada brincar com os meus colegas, fazer jogo de banco no chão e fazendo bosta cabra de oril. Enquanto jogávamos íamos brincando e comendo djunsa, uma plantinha cujas raízes pareciam pequenas batatas.

Por vezes aproveitámos para lutar para ver quem ia ao chão primeiro. O truque era tentar dar uma trança no outro, isto é, passar o pé entre as pernas do outro e puxar uma das pernas para frente, de modo a fazê-lo perder equilíbrio. Acho que foi ai que ganhei o gosto, pela luta e pelas artes marciais.

Eu, Zé Maria, Juvaldino, Totim, Djalô, Gustim, Arlindo de Iaia, Arlindo Diminguinha, tinhámos sempre que inventar uma luta. O Mundo dá mesmo muitas voltas. Hoje cada um de nós tem um vida diferente, com excepção de Djalõ que se tornou professor de liceu, os outros estão todos no Maio, condutores e pedreiros. É uma sensação maravilhosa quando me junto à eles para tomar um “cusa”. Depois de regressar de curso, sentiam quase receio de convidar para tomar grogue. Agora sabem quando estou com eles, regresso a minha origem e que também, gosto de um bom grogue de vez em quanto…………..

Lembro das minhas fintas e das fintas do Djalô e do Lipe, da irritação de Dainy, Aristides, Tata e Tótó quando passávamos por eles feito Maradona.

Está José Maria Neves Contra a candidatura de Aristides Lima

Aristides Lima já assumiu que é candidato às eleições presidenciais de 2011. Contudo, José Maria Neves prefere não pronunciar sobre o assunto. Será porque JMN pretende apoiar Hopffer Almada ou quererá ser ele mesmo ser candidato? Apesar da candidatura de Lima gerar mais consenso dentro do PAICV do que do Hopffer, Aristides Lima não parece ser o candidato preferido de JMN. Porque será?

O que se passa pela cabeça de José Maria Neves? É um tema interessante para debate. Prometo, se ainda for oportuno, escrever um artigo sobre este assunto.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Maio: Finalmente teremos a estrada Cascabulho/Pedro Vaz

O governo de Cabo Verde assinou com o consórcio Monte Adriano/Empreitel Figueiredo o contrato programa da execução das obras da nova estrada Cascabulho/Pedro Vaz.

Segundo “A Semana online”, “Essa moderna via está orçada em cerca de 365 mil contos e faz parte do pacote das estradas rurais, financiado em cerca de quatro milhões de contos pelo governo de Portugal. A mesma terá uma extensão superior a 7 km e terá duas faixas de rodagens asfaltadas, com 3,5m de largura cada”.

Há muito que a população do Maio aguarda por esta estrada. Eu nasci e passei a minha infância na localidade de Pedro Vaz. A estrada em Cascabulho/ Pedro Vaz foi sempre um problema para os habitantes da zona norte e obrigou a que muitos dos meus amigos e familiares tivessem de mudar para Vila do Maio. O percurso entre Cascabulho e Pedro Vaz, até então, demora cerca de 20 minutos. Com a nova estrada passará a ser no máximo 5 minutos. Até então sair de Cascabulho para ir até Pedro Vaz tem sido uma tortura.

Eu cresci ouvindo a população reclamando por esta estrada, sempre com promessas que seria feito no próximo ano. O tempo foi passando e finalmente teremos esta estrada.

Farei questão de estar presente no dia da inauguração. Ver a estrada que me levava aos fins-de-semana e nas férias para visitar os meus pais em Pedro Vaz ganhando um novo formato e entrar na rota do futuro e do desenvolvimento.

Infelizmente, já não com o mesmo entusiasmo de ir abraçar os meus pais que já não neste mundo, mas com satisfação de saber que o acesso à aldeia onde nasci passou a ser mais fácil.

Hoje à casa onde nasci está vazia, mas com nova estrada poderei demorar cerca menos de 20m da Vila do Maio para chegar à minha aldeia. Minha querida e inesquecível Pedro Vaz. Poderei voltar a minha infância e viver na casa onde nasci quando estiver a trabalhar na Ilha do Maio.
Vou dormir feliz depois desta notícia.





segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Aristides Lima assume candidatura à Presidência da República

Aristides Lima já assumiu que é candidato às eleições presidenciais de 2011. Num almoço em S. Martinho Pequeno os apoiantes da candidatura deste grande jurista e político reuniram-se para incentivar Lima a candidatar a Presidência da República. Neste almoço estavam presentes Felisberto Vieira, o ministro Sidónio Monteiro, o governador do BCV, Carlos Burgo, e o presidente da ARFA, Miguel Lima. Filomena Martins, Libéria Brito, Alberto Alves, Joanilda Alves, Maria Ressurreição Lopes da Silva, Humberto Bettencourt Santos, Fernando Moeda e Agnelo Sanches, Tito Ramos e Indira Pires.

No entanto, José Maria Neves prefere não tecer comentários. Para o Primeiro-ministro, ainda é cedo para se pensar neste assunto. Aliás ninguém sabe se o próprio José Maria Neves não pretende ser ele próprio candidato.

Voltaremos a este assunto numa próxima nota.

O ESTATUTO DOS JUÍZES E A POLÉMICA ELEIÇÃO DE RAUL QUERIDO VARELA AO CARGO DE JUIZ CONSELHEIRO DO STJ

O Procurador-geral da República (PGR), Júlio Martins, requereu a fiscalização sucessiva abstracta da constitucionalidade e da legalidade da Resolução nº 92/VII/2009, de 4 de Fevereiro. Através desta resolução a Assembleia Nacional (AN) elegeu ao cargo de Juiz Conselheiro, os Drs. Helena Maria Alves Barreto e Raul Querido Varela para integrarem o Supremo Tribunal de Justiça (STJ), exercendo assim um poder que lhe é conferido pelo artigo 290.º n.º 3 b) da Constituição da República de Cabo Verde (CRCV).

Na designação destes dois juízes, a AN deve respeitar o artigo 290.º da CRCV que prevê o seguinte:
«Só podem ser designados juízes do Supremo Tribunal de Justiça nos termos do presente artigo, os cidadãos nacionais de reputado mérito, licenciados em Direito e no pleno gozo dos seus direitos civis e políticos que, à data da designação, tenham exercido, pelos menos durante cinco anos, actividade profissional na magistratura ou em qualquer outra actividade forense ou de docência de Direito e que preencham os demais requisitos estabelecidos na lei.»

Quer isto dizer que os candidatos à eleição ao cargo de Juiz Conselheiro do STJ devem preencher os requisitos fixados na CRCV, bem como os estabelecidos na lei geral. O problema reside em saber qual é esta Lei geral que a CRCV refere. Será que se trata da Lei que estatui os Estatutos do Ministério Público (EMP), aprovado pela Lei n.º 135/IV/95, de 3 de Julho? Ou será que se refere à Lei nº 102/IV/93, de 31 de Dezembro, que estabelece requisitos para o exercício de funções públicas? Ou à ambos?

O PRG defende que esta eleição deve respeitar a Lei nº 102/IV/93, de 31 de Dezembro, que estabelece os requisitos para o exercício de funções públicas.

Ora, de entre os requisitos estabelecidos na lei para o exercício de funções públicas, figura o limite máximo de idade, previsto no artigo 31.º da referida Lei.

Com efeito, este artigo prevê que: «Não podem continuar a exercer funções públicas os funcionários ou agentes que completarem 65 anos de idade.»

Considera ainda o PRG que, o exercício de funções de Juiz Conselheiro, que consiste basicamente em administrar a justiça em nome do Povo, configura exercício de funções públicas. Por outro lado, uma vez que o EMJ é omisso, quanto ao limite de idade, deve-se aplicar a lei geral.

O Dr. Raul Querido Varela, como todos sabemos, tem mais de 65 anos de idade. Nasceu a 25 de Dezembro de 1925. Tem 83 anos. Assim, a AN, ao eleger o Dr. Raul Querido Varela para o cargo de Juiz Conselheiro do STJ viola os artigos 2º, nº 1, e 3º da CRCV, e o artigo 31º da Lei nº 102/IV/93, de 31 de Dezembro, no entender do PGR.

É de louvar esta iniciativa de Júlio Martins. A primeira questão que se coloca é a de saber se um Juiz do Supremo Tribunal de Justiça, é ou não, funcionário público. A segunda é, se mesmo não sendo funcionário público, se é lhe aplicável o regime da função pública.

Não concordo que se deva considerar absurdo o pedido do PGR. Faz todo o sentido. Os Juízes Conselheiros do STJ, certamente, terão bons argumentos a favor ou contra. É bom que todos tenhamos consciência de que se trata de uma questão jurídica e não política. Por outro lado, o PRG é um jurista de reconhecido mérito, e os seus argumentos são válidos. Podemos concordar ou discordar. Ao discordar temos de analisar a questão com seriedade e apresentar argumentos contra.

De acordo com o artigo 1.º n.º 1 dos EMP, “os Juízes formam um corpo único autónomo e independente de todos os órgãos de soberania, e regem-se por Estatuto”.

O artigo 11.º f) dos EMP sob a epígrafe “Requisitos para o Ingresso na Magistratura Judicial” diz-nos que o cidadão deve satisfazer os demais requisitos estabelecidos na Lei para a nomeação de funcionários do Estado. Neste sentido, os EMP parece equiparar o juiz ao funcionário público, mandando aplicar o limite de idade de 65 anos. Contudo, a questão merece uma análise mais profunda.

Nos termos da CRCV, os juízes têm um estatuto próprio, sendo titulares de um órgão de soberania. Com efeito, de acordo com artigo o artigo 220.º da CRCV:
1.A magistratura judicial forma um corpo único, autónomo e independente de todos os demais poderes e rege-se por estatuto próprio.
3. Os juízes, no exercício das suas funções, são independentes e só devem obediência à lei e à sua consciência.

Os argumentos de independência e não subordinação podem levar-nos a concluir que os juízes não são funcionários públicos e, como tal, o limite de 65 anos de idade não lhes aplicável. Os juízes integram um órgão de soberania. Como sabemos, a CRCV prevê, como órgãos de soberania, a AN, o Presidente da República (PR), o Governo e os Tribunais. Estes últimos têm o dever de administrar a justiça em nome do Povo. A eleição dos juízes está regulada em parte pela CRCV e completada pelo EMJ. Com isso, pode-se inferir que o estatuto próprio dos juízes é incompatível com a dos funcionários públicos. Por esse motivo, a doutrina defende que os juízes não são funcionários públicos e nem têm direito à greve.

Por outro lado, hoje, a maioria da doutrina defende que os juízes ocupam um cargo público e não exercem uma função pública. A própria CRCV faz esta distinção entre função pública e cargo público nos artigos 42.º e 55.º. Para um melhor esclarecimento, citemos, Gomes Canotilho e Vital Moreira (Constituição da República Portuguesa Anotada, pág. 675): “o direito à função pública significa a possibilidade de obter emprego através de ingresso e carreira nos quadros dos serviços ou organismos da administração central, regional, local, dos institutos públicos, dos serviços personalizados ou fundos públicos, qualquer que seja o seu estatuto (funcionário, agente, contratado), o direito de acesso aos cargos públicos consiste na possibilidade de acesso aos cargos de representação ou direcção, em órgãos do Estado (designadamente, os órgãos de soberania) …”

Ora, fácil é de se concluir que na opinião destes conceituados juristas, os juízes exercem um cargo público e não integram a função pública. Esta é também a posição da CRCV, já que trata as duas funções em artigos distintos. Ora, uma vez que o artigo 31.º da Lei nº 102/IV/93, de 31 de Dezembro é aplicável a função pública, fica claro que não podemos aplicar directamente este artigo aos juízes do STJ, que ocupam um cargo público. Contudo, o EMJ nada refere sobre este assunto? Será que podemos então aplicar subsidiariamente este artigo aos juízes?

Com o devido respeito pela opinião contrária, parece-me que o artigo 31.º da referida lei não é aplicável aos juízes. O direito de acesso a cargos públicos, sendo um dos direitos, liberdades e garantias, só pode sofrer restrições nos casos previstos na CRCV (artigo 17.º n.º 4). Outrossim, A extensão e o conteúdo essencial das normas constitucionais relativas aos direitos, liberdades e garantias não podem ser restringidos pela via da interpretação (artigo 17.º n.º 2).

Ora, não tendo esta limitação da idade sido feita nos EMJ, não devemos procurar noutros diplomas uma limitação deste direito. Portanto, o artigo 31.º não é aplicável aos Juízes Conselheiros do STJ, pelo que, independentemente das razões políticas, a nomeação do Dr. Raul Varela não viola, na minha opinião, nem a Lei, nem a CRCV.

Saliento contudo que, o PRG tem o mérito de, uma vez mais, trazer estas questões à discussão pública. Numa altura em que se dá o primeiro passo para resolver o problema da Justiça, porque não fazer deste ano, o ano da Justiça? Porque não dar um novo estatuto aos magistrados, consagrando claramente que, aos mesmos, não é aplicável o regime da função pública? Porque não actualizar o seu salário, independentemente do salário do PR? Da mesma forma que consideramos que os juízes não devem ser funcionários públicos e os projectos de revisão constitucional recomendam o acesso ao STJ através de concurso e nomeação do Presidente do STJ pelos seus pares, devemos aproveitar a onda, e dar aos magistrados o Estatuto que lhes é devido e que a CRCV recomenda. Mais vale tarde do que nunca!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Os Juízes são funcionários Públicos? Os Juízes têm direito à greve?

Depois do pedido da fiscalização sucessiva da constitucionalidade da nomeação do Dr. Raul Querido Varela, por este ter mais de 65 anos, é necessário iniciar um debate sério sobre o estatuto dos juízes. Será que podemos equiparar os juízes aos funcionários públicos? Os juízes têm direito à greve?

Os juízes são titulares de um órgão de soberania. Um grande estatuto de facto. Porém, termos que admitir que os juízes têm um posição bem diferente dos deputados, dos membros do Governo ou do Presidente da República. É o titular dos órgãos de soberania com menos condições de trabalho, estando sempre na dependência do Governo e do consenso entre os deputados.

Os juízes reclamam as péssimas condições de trabalho, salário não compatível com a dignidade da profissão e com os riscos que o mesmo acarreta. Será que podemos equipar os juízes aos demais órgãos de soberania ou será que são, antes, funcionários públicos apesar da Constituição proclamar independência dos juízes. Independência apenas na tomada das decisões, em tudo o resto não existe nenhuma independência. Dependem da boa vontade dos governantes e dos deputados para terem melhores condições de vida e de trabalho. As matérias relativas à justiça exigem o voto favorável de dois terços para a sua aprovação. Isso quer dizer que os juízes ficam dependentes da boa vontade dos políticos, que por vezes os trata como “brinquedos” pensando nos votos e nas conveniências.

Pior, ainda defende-se que os juízes, como titulares de um órgão de soberania, que administra a justiça em nome do povo, não tem direito à greve, não podem reclamar do sistema. Trata-se de uma classe com muitas obrigações e deveres. Mas os direitos? Que direitos têm estes profissionais que têm a nobre função de administrar a justiça? Não há dúvida que eles têm direito a ficar calado e aguardar pela bondade dos políticos. Não fazem e não podem fazer política, mas ficam sempre dependentes dos políticos.

Qual é então o significado da independência dos juízes? Parece que existem razões para crer que os juízes são mesmos funcionários públicos. Eu diria, nos dias de hoje são os mais funcionários de todos os funcionários públicos.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Porque e para quê ter um blogue?

O Jornal “A Nação” lança-nos este desafio. Um desafio que faz sentido tendo em consideração a “bloguemania”.Infelizmente, por motivos profissionais, não consigo portar todos os dias. Prometo fazer este esforço. Contudo, quero deixar a minha opinião sobre a importância de ter um blogue.

O blogue significa liberdade, ousadia, expressão.

Blogue significa não estar dependente de censuras de jornais ou editores e escrevemos o que nos apetece e quando nos apetece.

Ter um blogue significa partilhar a nossa opinião com os nossos amigos e familiares, pelo menos.

Ter um blogue significa poder falar dos problemas do país e das nossas angústias.

Blogue é a nossa intimidade privada, nosso coração, nosso pensamento. No blogue não temos de ser socialmente ou politicamente correctos.

JÚLIO MARTINS CONTESTA CONSTITUCIONALIDADE DA ELEIÇÃO DE RAUL VARELA

Procurador-geral da República, Júlio Martins, acaba de solicitar a fiscalização abstracta e sucessiva da constitucionalidade e da legalidade da Resolução da Assembleia que nomeou Raul Querido Varela como Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça.

Não conheço ainda os argumentos do Procurador-Geral da República, em causa parece estar a idade do Dr. Raul Querido Varela. Nos termos do artigo 31.º da Lei n.º 102/IV/93, de 31 de Dezembro, o limite de idade para o exercício de funções públicas é de 65 anos.

Prevê o artigo 31.º da referida Lei, o seguinte:

“Não podem continuar a exercer funções públicas os funcionários ou agentes que completarem 65 anos de idade”.

O artigo 1.º, deste diploma, estabelece o objecto da Lei. A Lei visa definir o regime jurídico de constituição, modificação e extinção da relação jurídica de emprego na Administração Pública.
Quanto ao âmbito de aplicação, o artigo 2.º, estabelece o seguinte:
1. O presente diploma aplica-se aos funcionários e agentes da Administração Pública Central e Local Autárquica, bem como aos institutos públicos que revistam a natureza de serviços públicos personalizados do Estado, salvo disposição expressa da lei.
2. O presente diploma aplica-se ainda aos serviços de dependência orgânica e funcional da Presidência da República, da Assembleia Nacional e das Instituições Judiciárias, bem assim ao pessoal civil da Polícia Judiciária e das Força Armadas, sem prejuízo da legislação especial aplicável.

É de se louvar esta iniciativa do Júlio Martins. A primeira questão que se coloca é a de saber se um Juiz do Supremo Tribunal de Justiça é ou não funcionário público. Depois da nomeação de Raul Querido Varela, foram muitas as vozes a questionar a constitucionalidade desta nomeação.
Parece-me que o Procurador-Geral queira deixar esta questão bem esclarecida. Independentemente de concordar ou discordar com o Júlio Martins, creio que esta questão deve ser discutida e tem todo o interesse ter um acórdão do Supremo sobre o assunto.

De resto, trata-se da mesma questão que se colocou em tempos. Discutiu-se, a propósito do aumento salarial dos juízes se estes tinham ou não direito à greve. Muitos magistrados defenderam que, sendo funcionários públicos, também têm direito à greve.

Não concordo que se deva considerar absurdo o pedido de Procurador-Geral. Faz sentido e os ilustres juristas do Supremo, certamente, terão bons argumentos a favor ou contra.

Por ora, quero apenas realçar a pertinência da questão. Analisarei esta questão oportunamente.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Finalmente Temos Sete Juízes no Supremo Tribunal de Justiça

Tomaram posse hoje os sete Juízes Conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça. Mais vale tarde do que nunca. Ufff, custou mais chegou…

Muitos defenderam que sete juízes em vez de cinco, muito contribui para o melhor funcionamento da nossa justiça. Espero que tenham razão….

Sobre a nomeação dos novos juízes, dois deles geraram especial polémica, indicação do Raul Querido Varela pelo Mpd e indicação de Zaida Lima pelo Presidente da República. Sinceramente, acho que Varela não foi uma boa opção. Não está em causa a competência. O homem está há 17 anos neste cargo, tem 83 anos, enfim, podia-se renovar. Alguns questionam até a legalidade desta nomeação, alegando que o mesmo está fora do limite máximo de idade, exigido por lei para o exercício de cargos públicos.

Em relação à Dra. Zaida Lima, questionam a sua nomeação pelo facto dela ser prima do Presidente da República. Creio que isso nada tem a ver. Ela, apesar de ser jovem, já é uma juíza de reconhecido mérito. Não pode deixar de ser nomeada só por ser prima do PR.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

5 De Julho dia da Independência Nacional, 13 de Janeiro dia de Liberdade e da Democracia

Ainda acerca destas duas datas histórias, quero frisar o seguinte, a independência é do Estado e liberdade e democracia é algo que pertence aos cidadãos. Cabo Verde tornou-se um estado soberano e independente. Contudo a independência não implica liberdade e democracia. Não preciso citar exemplos de estados soberanos e independentes mas em não existe liberdade, nem democracia, muito pelo contrário existe uma horrorosa ditadura.

Não podemos confundir estes dois conceitos. Por isso mesmo não podemos confundir, nem disputar estas duas datas. São complementares. Não são contraditórias e nem um diminui o valor do outro. Isso parece-me lógico e claro, por isso mesmo tenho dificuldades em compreender a “birra” do PAICV e do MPD em torno destas datas.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

MPD VAI APRESENTAR PROPOSTA PARA QUE O 13 DE JANEIRO SEJA “DIA SOLENE PARA A REPÚBLICA”

“O MpD anunciou, numa declaração política proferida pelo líder da sua bancada, Fernando Elísio Freire, que irá apresentar à Assembleia Nacional uma proposta no sentido de que o 13 de Janeiro, Dia da Liberdade e da Democracia, seja declarado dia solene para a República. Lembrou que, em carta datada de 2007 e endereçada ao presidente da AN, o seu partido fizera essa proposta. Agora, irá avançar com uma proposta de resolução para que esta data seja comemorada de forma oficial, à semelhança de 5 de Julho

Reacção do PAICV, partido do Governo, pela voz do seu líder parlamentar, Rui Semedo: o 13 de Janeiro é, sem dúvida, uma data histórica para Cabo Verde, mas a data maior será sempre 5 de Julho, a da Independência. Semedo é contra o nivelamento de outras datas com o 5 de Julho, por entender que seria uma “tentativa de minimizar” esse dia. Para Semedo, o importante é que todas as datas sejam comemoradas com dignidade”. (Liberal – 26.01.09).

É de se louvar esta iniciativa do MPD, esta proposta peca pelo atraso, 13 de Janeiro deveria ser desde do primeiro momento dia solene para república. Não vale a pena a tentativa dos partidos políticos usurparem das datas que pertencem aos cabo-verdianos. Parece que os nossos deputados e políticos têm visto o 5 de Julho como o dia do PAICV e 13 de Janeiro como o dia do MpD. É vergonhosa esta partidarização das datas que fazem parte da história do nosso país. Cabo Verde, tornou-se um país independente a 5 de Julho de 1975. Amílcar Cabral fundou o PAIGC que mais tarde passou a ser PAICV, já depois da morte de Cabral. Isso é a nossa história. Este momento da história tornou Cabo Verde como um país independente e soberano. Naquela altura todos os cabo-verdianos estavam em torno de dos ideais de Cabral, unidos pela nossa independência.

Depois da independência Cabo Verde foi governado durante 15 anos pelo PAICV. Durante 15 anos muita coisa mudou, o mundo mudou. Cabo Verde tinha necessariamente de virar uma página na sua história. Assim aconteceu e a 13 de Janeiro de 1991 realizaram-se as primeiras eleições livres, democráticas e multipartidárias. Cabo Verde tornou-se um Estado de Direito Democrático. Mas para chegarmos a este nível precisávamos primeiro ser independentes. Estas duas datas são dois ganhos dos cabo-verdianos. Não temos de discutir a importância dos partidos nestas duas datas. Apenas importa o a sua importância para cada cabo-verdiano.
Estas duas datas têm a mesma importância e ninguém tem do direito de minimizá-las. Por defendo que 13 de Janeiro também deverá ser dia solene para a república.

Frase do dia


“Quando terminar esta crise, o país que estiver mais preparado vai sair bem”

Lula da Silva – Presidente do Brasil

Numa entrevista, Lula da Silva proferiu a frase que acabamos de citar. Ele tem toda a razão, em tempos de crise, temos de preparar para o futuro e estar preparado para novos desafios e tirar partido quando terminar a tempestade. É isso que Cabo Verde tem de fazer, aguentar a crise e preparar para o futuro.

Cabo Verde não está mau, está num bom caminho, mas não podemos estar satisfeito com o “status quo”, precisamos de muito mais, precisamos de ir mais longe, de ter mais rigor, de procurar e cultivar a excelência.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Nesta semana aconteceu….

A semana que, agora termina, foi marcada pela tomada de posse Obama, no mesmo dia que Cabo Verde celebra a morte do seu eterno herói – Amílcar Cabral. O mundo está cheio de esperança. O mundo aguarda por dias melhores, mais segurança, mais paz e mais prosperidade.

O cessar-fogo na faixa de Gaza é uma boa notícia para o mundo. Depois de várias semanas de conflitos, de vidas perdidas, eis que temos o cessar-fogo. Até quando? Não faço ideia. Gostaria que fosse para sempre.

Em Cabo Verde, o governo noticia a criação de um Banco para combater problemas de desenvolvimento social. Um banco para os mais desfavorecidos, para aqueles que não tem condições de ter crédito nas instituições financeiras existentes. É necessário combater as desigualdades sociais, criar condições para que as famílias cabo-verdianas tenham uma vida melhor.

Foi aprovado, no dia 22 do corrente mês, em Conselho de Ministros aprovou, o decreto-lei que institui o Alfabeto Unificado para a Escrita da Língua Cabo-verdiana (ALUPEC) como alfabeto cabo-verdiano. No projecto-lei de revisão constitucional apresentado pelos deputados do PAICV, propõe-se a oficialização do crioulo. Veremos se será ou não aprovado no parlamento. Recorda-se que os projectos de revisão da constituição só são aprovados por maioria de dois terços dos deputados em efectividade de funções.

A Polícia Judiciária tem uma nova sede com melhor biblioteca e melhor laboratório. Melhores instalações e melhores condições de trabalho que permitirá a PJ combater, com mais eficácia, a criminalidade organizada. Esperemos que PJ seja cada vez mais competente e mais eficaz no combate ao crime.

O Presidente da Republica recebeu o presidente do MpD – Jorge Santos. O PR e Jorge Santos abordaram a questão da justiça e da revisão constitucional. Finalmente todos estão preocupados com a justiça. Mais vale tarde do que nunca.

A ilha de Boa Vista acolheu uma reunião conjunta entre o governo, embaixadores e representantes de organismos internacionais acreditados na Cidade da Praia. No encontro, debruçaram sobre a agenda de transformação de Cabo Verde num contexto de crise internacional. Bem precisamos de uma nova estratégia para relançar o turismo e tornar o nosso turismo mais competitivo.

Finalmente, o jornal “A Nação” coloca o dedo na ferida e fala da liderança do MpD. Como já tivemos oportunidades de analisar a próxima convenção do MpD poderá vir a ser muito disputado. Será que Jorge Santos vai aguentar até ao fim? Continuo a defender que Fernando Elísio e Ulisses são as melhores opções para o MpD e para o país.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

MpD terá um novo líder?

O jornal “A Nação” desta semana revela algo que já todos sabemos, mas que merece ser destaque na primeira página e que deverá continuar a ser noticiado e discutido.

Ulisses pressionado a tomar MpD – este é o destaque da Nação desta semana. Para além de Ulisses fala-se de Isaura Gomes, Olavo Correia, José Luís Livramento, Mario Silva, Francisco Tavares e Fernando Elisio.

Neste momento parece claro que Jorge Santos não terá uma vida fácil, ele terá certamente que enfrentar um ou mais adversários na próxima convenção do MpD. Quem? Os melhores candidatos não querem enfrentar Jorge. Falo de Ulisses, que é sem dúvida o melhor candidato do MpD neste momento e de Fernando Elisio Freire, actual líder parlamentar da bancada do MpD.

Estes dois senhores, ambos apoiantes de Jorge, não querem enfrentar o líder do MpD. Ou porque defendem uma união dentro do partido, ou porque simplesmente consideram que seria uma traição.

Ulisses tem ainda o problema da Cidade da Praia. Ulisses prometeu trazer soluções para Praia. Fica para ele complicado deixar o barco para começar a pensar nas legislativas. Mas se Ulisses fizer um bom trabalho até lá, o povo vai compreender esta mudança. Em caso de impedimento de Ulisses, Fernando Freire, parece ser o melhor candidato. Jovem, dinâmico, competente e com um futuro à frente. Os outros potenciais candidatos tiverem os seus momentos e as suas oportunidades. MpD precisa renascer de novo, de novos desafio e de novos líderes.

Sempre defendi que Jorge Santos não é solução para o MpD e para o país, mas também não creio que os outros potenciais candidatos o sejam. Jorge ganhou autárquicas, é ousado, tentou unificar o partido e reconstruir MpD. Têm estes méritos, mas infelizmente não chegam para ser candidato a Primeiro-ministro. O problema é que alguns não avançarão se ele avançar.

Entendo que apesar dos pesares, Jorge deve reconhecer que não tem condições para continuar e apoiar Ulisses ou Fernando. Seria uma optima solução para MpD e Cabo Verde.

Buscar líder dos anos noventa é dar um passo atrás. De resto, estes líderes não deixaram boas marcas. Fernando Elisio, para além de não querer desafiar Jorge, deve sentir um pouco de insegurança, afinal em Cabo Verde não se acredita muito na juventude.

Voltaremos a este assunto numa próxima nota.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

OBAMA, OS DESAFIOS E OS NOVOS VALORES NA POLÍTICA. UM EXEMPLO E UMA ESPERANÇA PARA O MUNDO

Obama, um afro-americano, é o 44.º Presidente dos Estados Unidos da América. Obama fez história, mostrou que podemos e devemos acreditar nos sonhos, ensinou-nos que a competência, os valores, a ética, a esperança, podem fazer milagres. Obama surpreendeu o mundo e trouxe uma nova esperança, relevou ser um homem ousado e capaz de enfrentar os maiores desafios.

Obama venceu Hilary Clinton nas primárias e ultrapassou depois um herói de guerra, McCain. Quem diria, um afro-americano, alguém que no passado poderia ser um escravo é o Presidente da maior potência mundial. Quem diria que o mundo teria um afro-americano como o homem mais poderoso do mundo. Obama fica na história. Resta saber se Obama continuará a fazer história como fez até então.

No seu discurso de tomada de posse, Obama reconhece que são muitos os desafios e que o caminho a trilhar será, por vezes, cheio de espinhos e que a América viverá dias complicados. Mas está convicto de que os problemas serão resolvidos e que a América continuará a ser a maior potência mundial.

Como primeira medida, pediu a suspensão dos processos judiciais por terrorismo na base naval norte-americana de Guantánamo, em Cuba, durante 120 dias. O novo Presidente e à sua administração pretende reavaliar o sistema de comissões militares.
Sobre as heranças deixadas por Bush, Obama afirma que vão “começar responsavelmente a deixar o Iraque para o seu povo, e a forjar uma paz arduamente conquistada no Afeganistão. Com velhos amigos e antigos inimigos, vamos trabalhar incansavelmente para diminuir a ameaça nuclear, e afastar o espectro do aquecimento do planeta”.
Obama promete actuar com base em novos valores e convicções, fazendo nascer uma nova era e de um modo de governação. Como desafios prioritários da nova presidência norte-americana, pode-se o fim da guerra do Iraque, a mediação da crise no Médio Oriente, um repensar do lugar dos EUA nas Nações Unidas e uma resolução para a crise mundial.

Obama parece confiante e procura rodear de pessoas competentes e capazes. Ao contrário do que normalmente se faz na política, em que se elimina a concorrência e se têm medo de pessoas competentes, Obama revela ser um líder de excelência e rodeia-se dos melhores. Traz, a ex-adversária, Hilhary Clinton para Secretária de Estado. Mais do que isso, pela primeira vez um alto chefe do Pentágono é convidado a permanecer no cargo por um partido diferente do da administração anterior, Robert M. Gates continuará a ser Secretário da Defesa. Obama quer qualidade, quer união para trazer novos tempos de prosperidade à América.

Na política o mérito nem sempre é primeiro critério. Em Cabo Verde, muitas das crises partidárias foram devidas a medo e receio de concorrência. Mas um verdadeiro líder consegue se impor naturalmente, não precisa despedir, fechar portas aos jovens para se manter no poder. Infelizmente, no nosso país ainda receamos a qualidade e os líderes partidários, juntam as suas tropas e distribuem tachos consoante os jogos políticos. Obama traz um novo modelo que devemos tomar como exemplo.

Não há dúvida de que Obama precisará de sorte. Sorte para resolver os problemas, sorte para se manter vivo. Um dos grandes desafios do novo Presidente será conseguir manter-se vivo. Obama tem inimigos internos e externos. Grupos radicais de raça branca tentarão certamente eliminar Obama A tomada de posse, com a maior segurança de sempre, correu normalmente. Agora é preciso manter o segurança no dia-a-dia de Obama.
O Mundo precisa de Obama vivo, rezemos para que ele tenha sorte e consiga trazer a paz, prosperidade e esperança ao mundo. Força Obama, You Can!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Não tenho porquê acreditar
Que amanhã será diferente
Ainda não senti o bater do teu coração
Ainda não tenho e nem prometeste nada

Mas amor
Acredito na força do meu amor
Amanhã será diferente
Amanhã vou acordar abraçado a ti

Amanhã vou sentir teu cheiro
E nadar no teu corpo
Amanhã vou desfolhar a tua nudez
Amanhã vou te amar

E se não for amanhã amor
Será noutro dia qualquer
Estarei esperando por ti
Assim impõe o meu coração

domingo, 18 de janeiro de 2009

Vem aí uma semana história

Vamos iniciar amanhã uma semana história, terça-feira Obama toma posse como Presidente dos Estados Unidos da América. Uma nova era cheio de esperanças para os americanos. Todos esperemos que seja o inicio de 4 anos de glória, de vitórias e de felicidades para América e para o Mundo.

Igualmente, 20 de Janeiro é o dia em que Cabo Verde e Guiné perderam um filho especial, um grande homem da história da humanidade – Amílcar Cabral.

Cabral lutou pela nossa independência, Cabral deu uma viragem na nossa história. Cabral permanecerá para sempre na nossa memória. 20 de Janeiro, dia dos heróis cabo-verdianos merecerá sempre um carinho especial dos cabo-verdianos.

Finalmente, 20 Janeiro é também dia do meu aniversário. É uma honra ter nascido na data que morreu Cabral.

sábado, 17 de janeiro de 2009

PARTICIPAÇÃO NO PROGRAMA 180º COM ABRÃO VICENTE NO DIA 16 DE JANEIRO DE 2009

1.º DESTAQUE
Revisão Constitucional

Principais novidades do MPD

1. MpD Propõe a criação de tribunais judiciais de segunda instância visando assim uma justiça mais eficaz. Tem todo o sentido esta proposta, já que até agora só temos tribunais de primeira instância e o recurso directo para Supremo Tribunal de Justiça. Ademais, o STJ também funciona como tribunal constitucional.

2. Acesso ao supremo por concurso. Esta é uma proposta consensual nos projectos do MpD e PAICV e tudo indica que passará a ser assim. Uma óptima medida para reforço da independência e eficiência dos tribunais.

3. Propõe a indicação das autoridades administrativas independentes pelo PR.

4. Propõe um salário mínimo. Um tema ainda anda consensual e sendo proposta apenas do MPD. O Salário mínimo é um direito que faz parte da dignidade da pessoa humana, resta saber se temos condições, neste momento, de o instalar em Cabo Verde. Contudo, parece pertinente a proposta.

5. Propõe-se que as eleições nos círculos eleitorais da diáspora se realizem, pelo menos, uma semana antes das eleições no território nacional. Faz todo o sentido.

6. Propõe um afastamento de 180 dias entre as eleições legislativas e presidenciais. Esta proposta parece também já ser consensual.

7. Estabelece-se a periodicidade com que o Primeiro-ministro deve comparecer perante o plenário para debate de questões da actualidade. Uma óptima medida que vai trazer maior transferência e os cidadãos também ficarão mais informados sobre o rumo do nosso país.

8. Reduz-se a legislatura para quatro anos, pondo Cabo Verde em sintonia com a maioria das democracias. O desgaste é notório, hoje a maioria das democracias seguem este caminho, faz sentido que também o sigamos.

9. Alarga as entidades que podem solicitar a fiscalização abstracta da constitucionalidade, passando a ter esta competência o provedor de justiça., a ordem dos advogados e as associações públicas.

Nota-se que nenhuma das propostas sugere a fiscalização por omissão. O nosso sistema apenas prevê a fiscalização por acção, pelas acções das entidades públicas. Não prevê a fiscalização das omissões, os actos que ficam por fazer.

Principais Propostas do PAICV

PAICV apresenta um projecto menos profundo, com poucas alterações. No fundo as propostas do PAICV versão sobre sector da justiça, que é matéria consensual. Contudo, MpD vai mais longe ao propor a criação do tribunal da 2.º instância e ainda a eleição do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça pelos seus pares, garantindo assim uma maior transparência.

No fundo PAICV apresenta as seguintes novidades em relação ao MPD:
Possibilidade de buscas nocturnas;
Possibilidade de extradição de nacionais em caso de terrorismo e criminalidade organizada em regime de reciprocidade. Actualmente a constituição não prevê nenhuma excepção;
O parecer do conselho da república deixa de ser vinculativo em caso de dissolução da assembleia em situações de crise institucional grave. De facto não faz sentido a vinculação do PR em relação ao parecer do Conselho da República;
Demissão do governo em caso de aprovação de apenas uma única moção de censura;
Crioulo como língua oficial a par de crioulo. Uma medida reclamada por muitos, mas que ainda não é consensual. Deverá ser objecto de discussão profunda na sociedade civil;
E finalmente, a grande novidade do PAICV tem a haver com o sistema fiscal. PACV propõe alteração do artigo 175.º n.º 1 q) que até agora tem a seguinte redacção:

“Bases do sistema fiscal bem como criação, incidência e taxas de impostos e o regime das garantias dos contribuintes; e o actual artigo 160.º exige aprovação de maioria de dois terços.

O PAICV muda a redacção para: “Impostos e sistema fiscal”, deixando de fora a base de incidência e ainda as taxas que poderão vir a ser aprovadas pelo Governo através de decreto-lei.

Mais, mesmo em matéria de aprovação, bastará apenas a maioria absoluta.

2.º DESTAQUE
ENCONTRO ENTRE JOSÉ MARIA NEVES E JORGE JANTOS

Comprometeram a nomear dois juízes para o STJ. Podiam tê-lo feito antes, simplesmente ignoram os interesses dos cabo-verdianos. Foi preciso soltar presos para chegarem a conclusão que precisam de um acordo. Mais vale tarde do que nunca, mas de facto podiam ter prestado um melhor serviço ao país.

Por outro lado, temos notícias de jovens que estão a deixar a magistratura. Só devemos manter num trabalho quando temos três factores: boa remuneração, progressão na carreira, bom ambiente e boas condições de trabalho. Alguns magistrados queixam que não têm nenhum destes requisitos. Neste caso, é natural que procurem novos caminhos.

3.º DESTAQUE
13 DE JANEIRO

Dia de liberdade e da democracia, um marco histórico para história de Cabo Verde. Uma data que é de todos os cabo-verdianos e não de nenhum partido político. Contudo, esta data não tem merecido ainda o devido tratamento. Deveria ser celebrado pela Assembleia Nacional, numa sessão solene tal como acontece com o 5 de Julho.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

2009, NOVOS VALORES E UMA VIDA MELHOR PARA TODOS OS CABO-VERDIANOS

2009, novo ano, nova vida, novos desafios. Temos de recordar 2008 e arregaçar as manhas e trabalhar em 2009, para que possamos ter um Cabo Verde melhor, uma vida melhor para todos os cabo-verdianos.

Esta tarefa é de todos nós. Não podemos ficar sentados à espera que as instituições públicas façam tudo. Cabo Verde precisa de todos os cabo-verdianos para alcançar um novo patamar, precisamos de mais empreendedorismo, mais dinamismo, mais rigor, mais excelência, mais qualidade em tudo o que fazemos.

Falar em excelência, começa desde do berço, os pais devem procurar dar uma boa educação aos filhos, devem preparar os filhos para o futuro, devem fazer de tudo para criar as condições que afastem os filhos do campo da marginalidade. A família é uma instituição com forte peso em qualquer sociedade. Pode-se dizer que a sociedade é o espelho das suas famílias, um aglomerado de pessoas (de família) que, através de uma forma conjugada de actuação, prosseguem finalidades comuns, de um modo estável.

Tendo uma paz familiar, estável e cheio de valores, teremos também uma sociedade com novos valores, com segurança e com perspectivas para o futuro. Todos nós somos responsáveis pelo sucesso ou insucesso de tudo o que possa passar no nosso país.

Contudo, esta responsabilidade individual não afasta a responsabilidade daqueles que governam, que tomam decisões, que julgam, que fazem e aplicam a lei. Cabe aos governantes e políticos em geral dotar o pais de leis justas, adequadas, constitucionais e que sirvam os interesses do país. Cabe aos governantes criar as condições para que as famílias possam educar os seus filhos, possam viver num clima de paz e possam viver numa sociedade onde com empenho e dedicação conseguem um emprego.

Cabe aos governantes e aplicadores do direito, transmitir aos cidadãos a confiança na justiça, que ela será feita num tempo razoável e que os criminosos serão punidos e os inocentes absolvidos. Os cidadãos precisam estar seguros de que os processos não prescrevem nas gavetas, que criminosos não serão soltos porque quem devia decidir não o fez atempadamente. Para um melhor 2009, precisamos de mais rigor e excelência neste novo ano.

Cabo Verde, país do turismo, de lindas e encantadoras praias precisa de sossego, de tranquilidade e de segurança. Os cabo-verdianos precisam sentir-se seguros, ter o prazer de passear, de namorar nas ruas e nas praias ao luar. Dar um mergulho à noite sem correr o risco de ser violada ou assaltado. Cabo Verde, precisa de um 2009 mais seguro, com as ruas mais iluminadas e mais tranquilidade em todas as famílias deste país.

Cabo Verde, precisa de mais energia. Não podemos ter tantos cortes de energias como tivemos em 2008. Não se pode ser um país competitivo e seguro sem energia.

Cabo Verde precisa de uma melhor e mais eficaz ligação marítima entre as suas lindíssimas ilhas. Não podemos deixar ilhas como Maio e Brava completamente isoladas, sem transporte marítimo. Temos a consciência de que muitas ilhas do país são dependentes do fornecimento da capital. Em 2009, precisamos de encurtar as distâncias e ter todos os cabo-verdianos mais pertos e mais unidos.

Cabo Verde precisa de políticos que sirvam o país e não os seus próprios interesses ou interesses dos amigos e dos partidos políticos. Precisamos de políticos que decidem no interesse dos cabo-verdianos, que cheguem consensos em questões fundamentais como a justiça e revisão constitucional.

Que o 2009 seja uno de realizações, de paz, felicidade e sucesso para todos os cabo-verdianos.



domingo, 21 de dezembro de 2008

NOTA POSITIVA PARA ELECTRA E PARA O GOVERNO

A minha querida ilha do Maio esteve vários dias sem energia. Mais um sofrimento para uma ilha que tanto tem sofrido.

A população criticou, reivindicou e a solução chegou. A Electra, enviou um grupo de geradores para resolver o problema. A Electra é a empresa mais criticada no país, contudo não poderíamos deixar de elogiar esta eficiência da Electra e dar uma nota, altamente positiva, ao Governo e à Electra.

PRESIDENCIAIS: CARLOS VEIGA VERSUS FILÚ, APESAR DOS PESARES

Em 2011, teremos eleições legislativas e presidenciais. Como todos sabemos, “caminho longi ta andadu di véspera”, sendo assim, é altura dos candidatos começarem a trilhar o caminho que dará vitória em 2011. Do lado do MPD parece certo que Carlos Veiga será o candidato. Jorge Santos já declarou o apoio do partido à candidatura de Carlos Veiga, caindo assim por terra as expectativas sobre um possível apoio do MPD a uma eventual candidatura de Jorge Carlos Fonseca ou Isaura Gomes. Carlos Veiga será, sem dúvida, o candidato apoiado pelo MPD. De resto, trata-se, de facto, da melhor opção.

Do lado do PAICV as coisas parecem mais complicadas, até ao momento foram apontados os nomes de Aristides Lima, David Hopffer Almada, Manuel Inocêncio Sousa e Silvino da Luz. Mais, há quem ainda considere que não está fora de hipótese uma candidatura de Felisberto Vieira (Filú).

Para já, a última edição do jornal “A Nação”, traz uma entrevista em que o David Hopffer Almada assume a sua disponibilidade para ser candidato do PAICV. Trata-se da primeira manifestação por parte do PAICV. Hopffer poderá ser um bom candidato, um homem de reconhecido mérito e experiência. Porém, no passado já foi candidato independente, tendo desafiado o partido. Muitos militantes do PAICV ainda não esquecerem deste facto.

Carlos Veiga é sem dúvida um candidato forte, com mais peso que o próprio MPD. Aliás, das duas vezes que perdeu as eleições, teve muito mais votos que o partido e numa altura em que o PAICV estava no seu auge. PAICV vai tentar o seu terceiro mandato, tarefa sempre complicada em qualquer parte do mundo. Contudo, o MPD de Jorge Santos ainda não demonstrou ser a solução para Cabo Verde. Com esta equipa, MPD dificilmente ganhará as eleições. Um partido que não consegue fazer oposição nunca conseguirá governar, pois o papel da oposição é bem fácil, é como jogar na bancada. MPD, para ganhar eleições precisará de um novo líder, de uma nova dinâmica e de novas atitudes. Tal como está, conseguirá, no máximo, continuar a ser o maior partido da oposição. Já é muito.

Mesmo neste cenário, de uma possível derrota do MPD, creio que o Carlos Veiga ganhará as presidenciais. A terceira será de vez. PAICV está a passar uma fase turbulenta, normal para qualquer partido que tenta um terceiro mandado. Uma eventual vitória do PAICV será por uma maioria menos expressiva. Menos votos para o PAICV representam mais votos para Carlos Veiga. Por outro lado, não podemos esquecer que muitos votos do PAICV nas legislativas irão para Carlos Veiga nas presidenciais e que pessoas próximas do MPD poderão não votar neste MPD, mas votarão certamente em Carlos Veiga.

Qualquer candidato do PAICV, terá assim, uma missão quase impossível. Nem como uma vitória do PAICV nas legislativas teremos uma vitória do candidato apoiado por este partido nas presidenciais. Nenhum dos possíveis candidatos do PAICV parece ter carisma e admiração da população suficiente para confrontar, com sucesso, Carlos Veiga. O único candidato com possibilidade de ganhar Veiga seria o próprio José Maria Neves. Estes dois gigantes da política cabo-verdiana gozam de um popularidade e estima, inigualável, entre os cabo-verdianos.
Porém, Neves já demonstrou que não pretende ser candidato nas próximas presidenciais. Ainda bem, pois correria o risco de perder e PAICV também correria um sério risco de perder as legislativas. PAICV precisa de José Maria Neves para conseguir um terceiro mandato. PAICV deverá apostar tudo nas legislativas, pois, nas presidências, que venha o diabo e escolha. Qualquer deles, terá uma derrota quase certa.

Apesar dos pesares, Felisberto Vieira, poderá ser o menos mau de todos. Apesar de ter perdido Praia, de ter errado redondamente em todas as vertentes nas suas estratégias, Filú continua ainda a ser um homem carismático e querido entre os militantes do PAICV. Poucos seriam os militantes do PAICV que deixariam de votar em Filú para votar em Veiga, mas muitos os farão em se tratando de outros candidatos.

O PAICV deverá tentar com que os votos de legislativas se transferem o máximo possível para presidenciais. Tal como no passado PAICV terá menos votos nas presidenciais do que nas legislativas. O problema é que desta vez, dificilmente, conseguirá o suficiente para ganhar as presidenciais. Todavia, apesar de ter a consciência de que poucos concordarão comigo, estou certo que Filú conseguirá assegurar mais votos do que qualquer outro candidato do PAICV (com excepção do próprio José Maria Neves). Apesar dos pesares e de serem tantos os pesares de Filú, mesmo assim aposto que os outros candidatos terão ainda muito mais pesares, pelo menos no seio dos militantes do PAICV.

Todos acham que Filú não pode ser candidato porque perdeu as eleições na Praia, quando poucos acreditavam nisso. Considerou-se que era quase impossível a derrota de Filú, exactamente porque todos reconhecem as qualidades e o carisma deste político. Sua derrota foi uma surpresa exactamente porque tratando-se de um gigante da política, com o seu peso e experiência a vitória estava quase garantida. Ele teve uma grande queda, mas creio que ainda tem mais peso que os possíveis candidatos do PAICV. Por tudo isto, apesar dos pesares, gostaria de ter na presidenciais, Carlos Veiga versus Filú.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

MENSAGEM DE BOAS FESTAS ENVIADA AOS MEUS ALUNOS

A FORÇA DO ACREDITAR – BOAS FESTAS

Estamos em férias, estamos em festas, estamos num momento de euforia, alegria, de novos projectos e de novos desafios.

Como estudantes, com pais, como filhos, como amigos, com maridos e esposas espero que tenham um 2009 muito melhor do que 2008. Espero que consigam realizar os vossos projectos e os vossos sonhos.

Para isso, basta acreditar, basta ter a força do acreditar, a força que nos torna fortes, invencíveis e capazes de ultrapassar todas as barreiras. Para o efeito, é preciso espalhar o amor, espalhar carinho e ternura entre os que vos rodeiam.


Nesta época, escrevemos e dizemos muitas coisas, que muitos consideram criancices, mariquices…. Sentimentalismos, enfim, expressamos sentimentos que normalmente não revelamos durante o ano. Talvez por isso também esteja a escrever vos este e-mail.

Com isso, pretendo dizer vos que devem acreditar no impossível, que tenham ousadia e capacidade de concretizar sonhos.

Entre o sonho e a realidade apenas existe a palavra trabalho e dedicação. Nós sonhamos com o que os nossos horizontes permitem alcançar. Logo, só sonhamos com o possível. Para alcançar basta acreditar.

Acreditar é de facto sonhar, é realizar, é amar. Acreditar é a chave do sucesso. Nós só seremos o que acreditamos que podemos ser. Por isso, meus caros, acreditem num 2009 melhor, acreditem num futuro melhor, acreditem no sucesso.

E acreditem também que podem sempre contar comigo, apesar de por vezes parecer o contrário.

Boas festas, boas entradas, muitas felicidades em 2009

Com amizade e carinho


João Dono