segunda-feira, 8 de março de 2010

Esperança

Nada está perdido e tudo pode ser melhorado. Precisamos acreditar e não perder, nunca, a esperança.

Cabo Verde passa por momentos difíceis, o desemprego aumenta a cada dia e as famílias têm menos dinheiro para gastar. A economia está debilitada e a educação não ajuda muito. As nossas ruas tornaram-se cada vez mais inseguras.

Os cabo-verdianos precisam acreditar que dias melhores virão, que a partir de 2011 tudo pode ser diferente. A democracia faz renascer a esperança, sabemos que teremos oportunidade de mudar o rumo dos acontecimentos, sabemos que poderemos escolher novos caminhos, novas vias.

Sabemos que poderemos castigar aquele que nos levou a esta situação dramática e escolher aquele que poderá mudar o rumo dos acontecimentos.

8 de Março

Que seria de nós sem as nossas mulheres? O que seria deste mundo sem as nossas queridas mulheres? Razões para comemorar 8 de Março? Mil e uma razões para dar um beijo às nossas mulheres, para oferecer uma flor, um carinho ou simplesmente para ouvir e aprender com as nossas, sábias, mulheres.

As mulheres cabo-verdianas merecem sempre mais e melhor. Porquê? Porque são simplesmente as nossas mulheres e as nossas mulheres merecem sempre mais e melhor.
Um beijo com carinho para todas as mulheres cabo-verdianas, em especial as que me são mais próximas.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Nuías Silva deixa cair a máscara

“Fenómeno “thug” é obra do MpD na década de 90 – Nuías Silva

O presidente da JPAI, Nuías da Silva, culpabiliza o MpD pelo surgimento do fenómeno "thug", em Cabo Verde. A acusação foi feita na passada terça-feira, 12, durante um debate alusivo ao 13 de Janeiro na Universidade Jean Piaget.

Nuías da Silva e Miguel Monteiro, dissertavam sobre vários aspectos, numa iniciativa organizada pela associação dos universitários da Piaget.

A dado momento da sua comunicação, o líder da JPAI foi taxativo ao associar a então maioria da década de 90, ao surgimento do fenómeno "thug". Reconhecendo que é um problema que merece urgente solução, Nuías da Silva precisou que a questão da delinquência juvenil "é um problema social, que tem de ser analisado a vários níveis". Acrescentou de seguida que o primeiro exemplo "é a questão de perda de valores que Cabo Verde sofreu durante a década de 90" em que o MpD era governo da república.

A afirmação do presidente da JPAI causou mal-estar e gargalhadas na plateia formada essencialmente por jovens universitários. Mesmo assim Nuías da Silva prosseguiu a sua saga. "Os ‘thugs'... são frutos da geração de 90", sentenciou, afirmando que isto "é a verdade".

Na réplica, Miguel Monteiro mostrou-se indignado com tamanha afirmação que segundo ele "não tem lógica". Monteiro, instou o seu homólogo a fazer um exercício matemático para apurar a veracidade da sua própria afirmação. É que segundo o presidente da JpD, os jovens identificados como "thugs" estão na faixa etária dos 15/20 anos, logo, "não podem ser da década de 90", defendeu.” In http://www.expressodasilhas.cv/

Quando recebi a mensagem de um amigo que presenciava e ouvia estas afirmações bizarras do Nuías não quis acreditar. Telefonei, confirmei e ouvi a gravação. Ainda assim, custa me acreditar nisso. Nunca imaginei que um líder da juventude diria tamanha barbaridade.

Apesar dos pesares via em Nuías um jovem inteligente e com futuro político, de resto, é o que se pode presumir de um líder da JPAI. Será que Nuías deixou cair a máscara?

A gravidade das afirmações obriga a um pedido de desculpas por parte do Nuías. Mais, tamanha leviandade impõe o pedido de demissão do cargo do presidente da JPAI.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Mais um 13 de Janeiro e mais um esquecimento

Acabei de assistir uma reportagem na TCV reveladora do desconhecimento da importância do dia 13 de Janeiro.

Alguns não sabem o porquê do feriado, outros consideram ser o dia da independência nacional, para alguns é o dia dos heróis nacionais.Chega desta inércia, é preciso que os governantes e os deputados valorizem a data, valorizem a nossa história, a nossa liberdade e a nossa democracia.

domingo, 10 de janeiro de 2010

AINDA SOBRE AS PRESIDENCIAIS: DR. MASCARENHAS MONTEIRO – UM POSSÍVEL CANDIDATO

Nesta busca de candidato presidencial a ser apoiado pelo MpD, ocorreu-me mais um nome: O que acham do Dr. António Mascarenhas Monteiro? Venceu sempre e foi, nos dois mandatos, Presidente de todos os cabo-verdianos e o seu nome é, hoje, internacionalmente reconhecido como um exemplo de chefe de Estado.

sábado, 2 de janeiro de 2010

PENDÊNCIAS POLÍTICAS DE 2009 – I

Politicamente, o ano 2009 deixou-nos um legado interessantíssimo: José Maria Neves e Carlos Veiga, dois grandes políticos, vão disputar a governação do país. Em 2011, o povo cabo-verdiano determinará a decisão final.

Contudo para as presidenciais, o PAICV e o MpD deixaram pendentes os seus apoios. Ainda não sabemos que candidato cada partido irá apoiar.
PAICV terá mais dificuldades na escolha, pois são tantos os candidatos: Aristides Lima, Hopffer Almada, Silvino da Luz, e Manuel Inocêncio. Da minha parte, continuo a acreditar, como sempre acreditei, que o candidato será o próprio José Maria Neves. O futuro dirá …..

Do lado do MpD, por enquanto, entre os possíveis candidatos temos: Isaura Gomes, Jorge Carlos Fonseca e Amílcar Spencer Lopes. Será que ainda aparecerão mais possíveis candidatos? Estou seguro de que sim. Aguardemos os próximos capítulos…
Até ao momento, Zona parece estar em vantagem. Contudo, Zau continua a ser um peso pesado. A Sra. Zau pode o que quiser na política. Basta querer, será Presidente da República.

Spencer Lopes, também um candidato com curriculum e perfil, está em desvantagem por ter iniciado tarde na corrida. Zona, entrou na corrida e já conta com muitos apoios. Seja qual for a escolha, Cabo Verde estará em boas mãos. Qual será então o candidato que defrontará Neves nas presidenciais? Numa próxima oportunidade farei a minha previsão.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Boas Entradas!

Amanhã (01.01.10) estaremos em 2010, entraremos num novo ano e o tempo voltará atrás para, novamente, seguir em frente. Ainda bem que assim é, pois, só assim conseguimos, pelo menos um dia abraçar o mundo, esquecer as diferenças e desejar a todos um bom ano.

Pelo menos neste dia, somos todos simpáticos, mais alegres, mais amigos, mais amorosos e, mais cabo-verdianos. Que bom!

Não sou muito diferente dos outros, por isso, estou aqui (depois de uma longa ausência) para desejar, a todos, um bom ano e tudo de bom em 2010. Merecemos ser felizes.

Para aqueles que sentiram a minha falta, fica a garantia de que, estou de volta e com novos textos e novos assuntos em 2010. Para aqueles que ficaram mais descansados e menos incomodados com a minha ausência, lamento informar que estou de volta.

Boas entradas!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Recordando Djarmai e agradecendo aos meus…

“Pavida” de muitas pessoas estou hoje aqui, altas horas da noite, trabalhando, no meu escritório, sentindo o barulho de carros na Avenida de Achada São Filipe, e pensando talvez em tomar um “caque” antes de dormir. Já diziam os meus amigos de Pedro Vaz que faz bem um “caque” ao adormecer e ao acordar.

Meu cunhado (pai de criação), meus pais, meus irmãos, amigos sempre me ajudaram nos meus tempos de liceu e universidade. Lembro-me do Bitoque (hoje paralisado em cadeiras de rodas) a levar-me 100 escudos para comprar qualquer coisa de comer no liceu, dos maienses que vinham de Holanda, Portugal a perguntarem por Já di Nhanha Francês para me entregarem uns trocos para comprar qualquer coisa.

Pavida destas pessoas, fui me tornando homem, culto, responsável e, pouco a pouco, conhecedor das leis. Hoje, Advogado, recordo com gratidão os muitos maienses que me ajudaram a estudar. Agradeço à minha família, ao meu cunhado (João Baptista Gomes de Pina) o principal responsável pelos meus estudos e por muitas outras coisas que aprendi.

Assim é a vida, somos frutos de muitos esforços. Esforços de amigos, vizinhos, familiares. Vivemos numa sociedade e a sociedade produz pessoas com defeitos e qualidades, virados para lei ou virados para marginalidade. Somos frutos da sociedade, do amor dos próximos e das oportunidades que nos deram. É certo que muitos tiveram oportunidades e não aproveitaram, também é certo que muitos jovens cabo-verdianos não tiveram e não têm oportunidades.

Precisamos criar mais oportunidades para as nossas crianças e os nossos jovens. Esta oportunidade deve ser criada por todos nós. É certo que o Estado tem um papel fundamental neste aspecto, mas todos nós, dentro das nossas possibilidades, devemos dar uma oportunidade ao outro, oportunidade para estudar, trabalhar, brincar, amar, oportunidade para ser feliz.

Já com sono, vou dormir, noutro dia, quem sabe, continuarei a recordar Djarmai, meu berço e, certamente, meu futuro.

saudades do amanhã

Saudades do amanhã
Do dia que teme em não chegar
Saudades do dia
Que faz dos meus dias mais alegres
Saudades deste dia
Que guia o meu pensamento
Saudades do amanhã
Do dia em que estarás novamente aqui

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Novos tempos, novas respostas, novas soluções…

A natureza por vezes nos revela as nossas fraquezas, as nossas fragilidades, os nossos erros, os nossos pecados e, até, a nossa ignorância.

Não adianta esconder factos, não adianta tapar o sol com a peneira, está visto que precisamos, urgentemente, de novas soluções. Praia precisa de um novo hospital para a Cidade da Praia, precisamos investir seriamente na nossa saúde, precisamos resolver, definitivamente, o problema do lixo.

Precisamos olhar, precisamos cuidar do nosso país e da nossa população. Estes são problemas reais. Estes problemas não se resolvem com discursos, com o estatuto de país de rendimento médio. Estes problemas matam. Estes problemas precisam de respostas, de respostas urgentes.

Em tempos de desespero, de doença não devemos perder tempo em atacar as falhas, por isso, não vou aqui falar dos muitos pecados cometidos nesta matéria. Devemos, todos lutar contra a dengue e outros males, pois, com a saúde não se brinca. Se alguém brincou com a nossa saúde devemos, neste momento, concentrar na nossa luta e deixar os ajustes de contas para o momento oportuno. Agora precisamos de soluções para estes, verdadeiros, novos tempos.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O porquê de uma Constituição Democrática só em 1992?

Sempre tentei perceber o porquê da tão demora não implementação de um regime democrático em Cabo Verde. Em 1975, após a independência de Cabo Verde, foi aprovada a LOPE (Lei de Organização Política do Estado). Tratava-se, no dizer de alguns, de uma Pré-Constituição que só deveria vigorar por 90 dias. Infelizmente, a LOPE esteve em vigor durante 5 anos, pois a Primeira Constituição só foi aprovada em 1980.

Volvidos cinco anos após a independência do país, o PAICV insistiu em fugir do regime democrático. O livro de Nuno Manalvo (de leitura obrigatória) traz-nos alguns factos que explicam a tardia chegada da Democracia às nossas ilhas.

Irei esmiuçar, aqui, esta grande obra. Vejamos uma frase proferida pelo Pedro Pires ao Jornal Voz di Povo a 29 de Novembro de 1980:

“A democracia representativa e os parlamentarismos europeus não nos servem.”

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O eterno e sempre presente Ildo Lobo

Passaram 5 anos, contudo, o tempo que tudo resolve e, por vezes, apaga, não consegue apagar o Ildo Lobo da nossa memória. Afinal, nem tudo o tempo consegue e ainda bem que assim o é.

Quero para sempre ouvir Ildo Lobo. Uma voz divina num homem simples e de fácil relacionamento. Hoje, como todos os outros dias, vou ouvir Ildo Lobo.
As nossas obras e os nossos feitos tornam-nos eternos e o tempo torna-se impotente perante a grandiosidade de homens e mulheres como Ildo Lobo.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Temos Petróleo - de pequenino é que se torce o pepino

From Time to time vem alguém nos dizer que temos petróleo e em deslocações à estrangeiro, solicita-se ajuda para a prospecção do “ouro negro”.

A questão nunca é discutida internamente, apenas vai se dizendo por aí que existe a possibilidade de termos petróleo nas nossas águas, como se estivéssemos a tratar de questões banais e de interesses partidário.

Espero que não seja com esta ligeireza que o Governo pretende tratar de uma questão tão séria. Seria um mau começo e em assuntos de petróleo já se sabe que, todo o cuidado é pouco.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A história da nossa democracia e as reformas legislativas dos anos 90

Considerando que, a história da nossa democracia, o marco histórico da nossa boa governação deve ser estudada, divulgada e conhecida,

Considerando igualmente que, as grandes reformas legislativas dos 90, constituem um marco na consolidação da democracia e do Estado de Direito,

Considerando ainda que, os factos que ocorreram nestes anos elevaram o nosso país à um novo patamar,

Depois da escrita sobre os sete pecados do Governo (elogiados por uns, criticados por outros mas sem que ninguém tivesse ficado indiferente), na condição de cidadão cabo-verdiano, resolvi, em alguns textos, escrever sobre a história da nossa democracia e as reformas legislativas dos anos 90.

Nas próximas semanas, este será o grande tema dos meus escritos. Agradeço sugestões dos meus leitores, amigos e alunos.

domingo, 11 de outubro de 2009

SANTANA LOPES – UM GRANDE POLÍTICO

Santana Lopes é, de facto, exemplo de grande político. Santana Lopes já foi presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Primeiro-Ministro e agora, quando todas as sondagens o davam uma derrota estrondosa, Santana consegue aproximar-se de António Costa e conseguir um óptimo resultado, uma derrota com cheiro a vitória.

Santana Lopes voltou a surpreender quando disse que vai ponderar ou não se será vereador, revelando que, está inclinado a ocupar o cargo de vereador. Alguns dirão, o homem tem é sede do poder, como já não é deputado, não está no Governo e, para não ficar sem nenhum cargo político, aceita ser um simples vereador. Nada mais falso! Com isso apenas revela ser democrata, aceitando a vontade popular, de resto, o mais importante na Democracia.

Um bom político está ao serviço do povo e lá onde estiver, seja qual for o cargo, estará em condições de colocar o seu empenho e dedicação ao serviço do povo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Nobel da Paz para Obama

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recebeu hoje (dia 09.10.09) o Prémio Nobel da Paz. Para o comité no Nobel, Obama receberá o prémio "por seus esforços extraordinários para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos".

Por outro lado "O comité deu muita importância à visão e aos esforços de Obama com vista a um mundo sem armas nucleares" e “…Só muito raramente uma pessoa conseguiu como Obama capturar a atenção do mundo e dar às pessoas esperança para um futuro melhor”.

Obama encarnou a esperança de um mundo melhor e paz para os povos. A esperança é, sem dúvida, um motor de desenvolvimento. Acorda os adormecidos, faz renascer aqueles que caíram no fundo do poço e faz aceder uma luz no fundo do túnel. Sem esperança não lutamos, sem esperança deixamos o barco andar a deriva porque não acreditamos chegar a um porto seguro. Obama mostrou-nos que podemos alcançar um porto seguro.

Pelo novo atendo dado ao mundo, o prémio é merecido.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O SÉTIMO PECADO DO GOVERNO: A VERDADEIRA (MÁ) GOVERNAÇÃO

Eis nos chegados ao final desta série de artigos sobre os sete pecados do Governo. Alguns outros pecados, não menos importantes, foram, por ora, deixados de lado, nomeadamente: o irreparável flagelo da insegurança, o drama candente da Electra, o caos instituído nos TACV, e muitos outros que poderíamos elencar. Optei, porém, por me cingir e trabalhar no que considero ser os 7 pontos fulcrais de um Estado como o nosso: a juventude, a economia, a saúde, a educação, a cultura, a diáspora (que, no caso particular de Cabo Verde tem papel e importância central) e, finalmente, a governação, para ilustrar que, afinal, a nossa propalada governação não é assim tão boa e radiosa quanto se quer fazer aparentar. Cabe-me também dizer que esta série de textos tem um pensamento condutor analítico na busca da valorização das nossas instituições, no fortalecimento da cidadania e consolidação do Estado de Direito Democrático

Nesta contagem decrescente, marcada pelos dias que correm, bastas vezes o próprio Governo se tem referido à sua boa governação, num autêntico auto-elogio, de carácter algo narcisista, constituindo uma autêntica e despudorada afronta para milhares de chefes de famílias que vêm os seus rendimentos a minguar ou a desaparecer. Este recorrente artificio falacioso tem sido apresentado, à exaustão, como cartão de visita deste executivo, inclusive como apelo implícito para a garantia de votos em 2011. Da nossa parte, com estes sete pecados, quisemos somente evidenciar a degradante realidade sócio-económica actual do país. Tão-somente, sem fazermos recurso à adopção de manobras ou propaganda política.

Acreditamos firmemente que a política deve ser colocada ao serviço do bem-estar do homem. A melhoria das condições de vida da população de um determinado país reflecte, primeiramente, a boa governação do seu executivo. Contudo, as estatísticas não mentem e nem deturpam. Tornou-se já evidente aos nossos olhos que o Governo de José Maria Neves trouxe mais desemprego e desamparo à juventude, tornou-se evidente àqueles que fazem recurso à justiça que esta funciona com muitas deficiências e maior morosidade; os problemas de insegurança aumentaram a taxas nunca antes presenciadas, entre outros. Ora, assim sendo, como se pode repetidamente falar em boa governação!

Continuamos a crer que um Governo competitivo e moderno deve zelar e pautar -se por estes dez mandamentos:
(i) Segurança jurídica e reformas tendentes a uma legislação moderna e competitiva;
(ii) Celeridade dos Tribunais;
(iii) Rapidez, racionalidade e eficiência da Administração Pública (eliminação da burocracia e sua despartidarização);
(iv)Estabilidade Económica e Liberalização da Economia;
(v) Recursos Humanos e Formação;
(vi)Estabilidade Política;
(vii) Incentivos Fiscais e Aduaneiros;
(viii) Entidades Reguladoras Independentes;
(ix) Novas Tecnologias;
(x) Melhoria da condição de vida e bem-estar dos seus cidadãos.

Compreende-se que para um partido que teve a sua génese alicerçada em práticas totalitárias, tenha sido algo complicado lidar com a democracia. Apercebeu-se de que, em termos internacionais, o país está mais aberto ao mundo e sujeito ao crivo de vários julgamentos por organizações que avaliam a sua credibilidade. Toca, pois, de assumir o discurso da boa governação ainda que de praxis e resultados distantes desta.

O que expusemos ao longo destas semanas demonstra, à saciedade, que o que temos neste momento é um mau governo que mina sucessivamente os pilares da boa governação. Esta não se compadece com governos possíveis, formados por ministros possíveis, arrebanhados em 48 horas. A boa governação requer um bom executivo, algo que estamos longe de ter neste momento. Os índices relacionados com o bem-estar degradam-se a cada etapa. O frágil equilíbrio da nossa sociedade tem sido minado pela crescente desigualdade social É chegada a altura de mudarmos. De revertermos a degradação destes valores básicos da nossa nação.

A boa governação não é um mero propósito a ser anunciado propagandisticamente para o exterior. Ela não se apregoa, se exerce. Muito pelo contrário, ela é a essência incontornável do próprio Estado de Direito Democrático, pela exigente dinâmica que se infere do seu património de princípios e regras.

A boa governação emerge naturalmente sempre que o governo, identificando o interesse e a razão nacional, administra as instituições da República de forma eficiente, transparente e responsável e, ainda, em interacção permanente com os seus cidadãos na busca de objectivos mútuos em termos de benefícios económicos, sociais, políticos e culturais.

Outrossim, o conceito de Boa Governação define-se através da participação, transparência, e responsabilização no exercício da autoridade política, económica e administrativa, devendo ter como fim a promoção do Estado de Direito.

Consideramos que podemos encarar a boa governação em duas perspectivas: originária e sucessiva.

Originária é aquela que resulta de uma Constituição Democrática, baseado no princípio de legalidade e constitucionalidade, tal como impõe o artigo 3.º da Constituição da República de Cabo Verde (CRCV).

Neste ponto, Cabo Verde criou, em 1992, as bases de um Estado de Direito Democrático baseado no princípio de legalidade e Constitucionalidade. Podemos concluir que, desde de, 1992, a boa governação originária passou a ser um dado adquirido.

Quando hoje falamos de boa governação, do princípio de legalidade, dos pilares da parceria especial com união europeia, do Millenium Challenge Account, não nos podemos esquecer que tudo isso tem as suas raízes na implantação da democracia. Via escolhida livremente pelos cabo-verdianos em 1990.

Hoje, quando o Governo faz a propaganda da boa governação ignora deliberadamente os feitos do passado. Porém, temos de ser fiéis à nossa história recente e reconhecer que o este Governo apenas colhe os frutos das árvores plantadas nos anos noventa. Anos de amplas e profundas reformas legislativas, de liberalização da economia, de segurança jurídica e valorização dos direitos, liberdades e garantias do cidadão - em suma da cidadania e da boa governação.

Consultando os Boletins Oficiais de 1990 até 2000, facilmente iremos constatar que as medidas legislativas levadas a cabo, modernizaram todos os sectores da nossa sociedade e abriram Cabo Verde ao mundo. Deixamos de ser classificados de regime totalitário de Partido único para entrarmos na Comunidade das Nações que adoptaram a via da consolidação democrática.

Cabe então, a cada Executivo governar de acordo com os princípios e pilares da boa governação e procurar consolidá-la a cada dia. Deve, sobretudo, alcançar o fim último da boa governação que é a melhoria da condição de vida e bem-estar dos cabo-verdianos. Teremos assim a boa governação sucessiva. Infelizmente esta via tem sido excluída por este Governo que promete bem mais do que faz.

Este Governo encontrou consolidado a boa governação originária instituído por um Estado de Direito Democrático que pauta pelo princípio de legalidade, transparência e que respeita os direitos fundamentais dos cidadãos.

Do exposto e tendo em conta os outros pecados do Governo, a conclusão é óbvia. Este Governo não se tem empenhado e pautado pelo padrão da boa governação sucessiva. Pelo contrário, a actualização deste executivo tem enfraquecido os pilares da boa governação instituídos nos anos noventa e demonstra que, afinal, o PAICV ainda não se libertou, totalmente, das políticas levadas a cabo de 75 a 90 e quer dormir à sombra das árvores plantadas nos anos 90 (boa governação originária), esquecendo assim dos cabo-verdianos, do nosso bem-estar, promovendo, sem dúvida, uma má governação (sucessiva).

terça-feira, 6 de outubro de 2009

CONTRA FACTOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

Por vezes queremos impor e inventar as nossas verdades e por isso mesmo tentamos fazer interpretações nada fiéis aos factos. Mas todos sabemos que contra factos não há argumentos.
Os dados do Índice de Desenvolvimento Humano publicado pelas Nações Unidas (PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) são claros e evidentes. Cabo Verde surge no 121-º lugar, descendo assim 19 posições.

Contudo, para o Governo, “em termos reais, o ranking de Cabo Verde não terá sofrido alteração ou teria mesmo subido, não houvesse a entrada de novos países”. Isso é realmente desculpa de mau pagador.

Isso quer dizer que falhou o governo na boa governação sucessiva (explicada em detalhe no artigo sobre o sétimo pecado do Governo a ser publicado esta semana no jornal expresso das ilhas).

Consideramos neste artigo que, a boa governação deve ser encarada em duas perspectivas: originária e sucessiva.

Originária é aquela que resulta de uma Constituição Democrática, baseado no princípio de legalidade e constitucionalidade, tal como impõe o artigo 3.º da Constituição da República de Cabo Verde (CRCV).

Neste ponto, Cabo Verde criou, em 1992, as bases de um Estado de Direito Democrático baseado no princípio de legalidade e Constitucionalidade. Podemos concluir que, desde de, 1992, a boa governação originária passou a ser um dado adquirido.

Quando hoje falamos de boa governação, do princípio de legalidade, dos pilares da parceria especial com união europeia, do Millenium Challenge Account, não nos podemos esquecer que tudo isso tem as suas raízes na implantação da democracia. Via escolhida livremente pelos cabo-verdianos em 1990.

Hoje, quando o Governo faz a propaganda da boa governação ignora deliberadamente os feitos do passado. Porém, temos de ser fiéis à nossa história recente e reconhecer que o este Governo apenas colhe os frutos das árvores plantadas nos anos noventa. Anos de amplas e profundas reformas legislativas, de liberalização da economia, de segurança jurídica e valorização dos direitos, liberdades e garantias do cidadão - em suma da cidadania e da boa governação.

Consultando os Boletins Oficiais de 1990 até 2000, facilmente iremos constatar que as medidas legislativas levadas a cabo, modernizaram todos os sectores da nossa sociedade e abriram Cabo Verde ao mundo. Deixamos de ser classificados de regime totalitário de Partido único para entrarmos na Comunidade das Nações que adoptaram a via da consolidação democrática.

Cabe então, a cada Executivo governar de acordo com os princípios e pilares da boa governação e procurar consolidá-la a cada dia. Deve, sobretudo, alcançar o fim último da boa governação que é a melhoria da condição de vida e bem-estar dos cabo-verdianos. Teremos assim a boa governação sucessiva. Infelizmente esta via tem sido excluída por este Governo que promete bem mais do que faz.

Este Governo encontrou consolidado a boa governação originária instituído por um Estado de Direito Democrático que pauta pelo princípio de legalidade, transparência e que respeita os direitos fundamentais dos cidadãos.

Este Governo não se tem empenhado e pautado pelo padrão da boa governação sucessiva. Pelo contrário, a actualização deste executivo tem enfraquecido os pilares da boa governação instituídos nos anos noventa e demonstra que, afinal, o PAICV ainda não se libertou, totalmente, das políticas levadas a cabo de 75 a 90 e quer dormir à sombra das árvores plantadas nos anos 90 (boa governação originária), esquecendo assim dos cabo-verdianos, do nosso bem-estar, promovendo, sem dúvida, uma má governação (sucessiva).

O ranking do Índice de Desenvolvimento Humano comprova o que acabei de explanar.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

APARENTANDO FORÇAS E CAPACIDADE DE MOBILIZAÇÃO

“José Maria Neves reeleito líder do PAICV

José Maria Neves foi reconduzido a presidência do PAICV com a maioria qualificada e diz sair relegitimado e com força para vencer os embates eleitorais de 2011/12. Conforme os dados provisórios, a taxa de obtenção ficou na fasquia de 25%, o que representa uma afluência à urna de aproximadamente 75%.

"Trata-se de um resultado histórico. Porque é a primeira que o PAICV está a realizar directas para eleger o seu presidente. É a maior adesão interna jamais registado ao nível dos partidos políticos em Cabo Verde: mais de 20 mil militantes foram votar e escolher com o "Sim", em escrutínio secreto, livre e universal, o seu presidente. Isto representa uma taxa de afluência às urnas de cerca 75%, contra a baixa abstenção de aproximadamente 25%», disse José Maria Neves em declaração a RCV”. In www.expressodasilhas.cv

O PAICV moveu montanhas para conseguir dar a aparência de que está tudo bem dentro do partido e que, JMN é o home que o país precisa. Aprecio esta capacidade de mobilização do PAICV e este poder criar aparências, de vender imagens e produtos falsificados.

É com esta capacidade de mobilização, de carregar e arrestar militantes que o PAICV venceu na diáspora e que fez do Pedro Pires Presidente da República.

Sabemos que estes resultados são aparentes, esta mobilização é derivada da capacidade de organização e obediência dos militantes às ordens do chefe. Coisas normais em partidos de matriz totalitária e autoritária que teve a vivência do regime de partido único.

Felizmente a nossa sociedade não é constituída só por militantes do PAICV. Temos os do MpD, da sociedade civil e muitas outras categorias que poderíamos inventar e quem não são nem militantes, nem simpatizantes do PAI. São estes, esta maioria que dará vitória ao MpD em 2011.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O SEXTO PECADO DO GOVERNO: DIÁSPORA ESQUECIDA

É reconhecido por todos os cabo-verdianos, o grande contributo dos nossos emigrantes no desenvolvimento destas ilhas. De resto, a existência de milhares de emigrantes cabo-verdianos espalhados pelo mundo e que, no seu total, é superior ao número de residentes em Cabo Verde deixa bem claro, esta valiosa contribuição.

Qualquer governante deve pautar a sua governação pelos interesses dos cabo-verdianos, dentro e fora do país. Vai se dizendo por aí que, a diáspora é, sem dúvida, a décima primeira ilha de Cabo Verde. Eu diria que, tendo em consideração o número (superior aos residentes) e o seu contributo, seria justo dizer que a diáspora é a primeira ilha de Cabo Verde e não a última como aparece nos discursos do Governo. Infelizmente, este Governo não teve a mesma sensibilidade, esqueceu da nossa diáspora, o que é, de todo, inadmissível.

É sabido que a economia cabo-verdiana desenvolveu-se significativamente desde o final da década de 90, em grande medida também, devido às significativas remessas dos emigrantes. De realçar que, entre os anos de 1975 e 1985, as remessas de emigrantes, a par da ajuda externa, permitiram a construção de estradas, a implementação de programas de reflorestamento e o abastecimento de água.

O contributo ainda hoje é notório na criação de postos de trabalho, com pequenas e médias empresas e, bem assim, na construção civil. Em alguns bairros da capital é visível o cunho da emigração. Do mesmo modo, as remessas dos emigrantes sustenta inúmeras famílias, diminuindo, significativamente a pobreza em Cabo Verde. Por estas e outras razões, não tenho dúvidas em afirmar que, a diáspora foi, e ainda é, a primeira das onze ilhas do arquipélago de Cabo Verde.

Outrossim, não nos podemos esquecer que, o emigrante, enquanto portador de conhecimento e experiência profissional e, em alguns casos, de novas tecnologias, acaba por ser um forte impulsionador e participante activo em todos os sectores do desenvolvimento. Com isso, o emigrante torna-se mais dinâmico, mais empreendedor e, muitas vezes, assimila os valores, o profissionalismo dos países mais desenvolvidos, notando a diferença no seu modo de fazer e agir, o que se espelha nas suas construções e investimentos.

Contudo, em cada regresso ao país, os emigrantes queixam-se dos atrasos e do mau serviço dos TACV, queixam das alfandegadas, das demoras na prestação de serviços e dos altos impostos alfandegários. Os artistas não conseguem promover os CDs por falta de incentivos e isenções. Os emigrantes querem investir, cada vez mais, e não sabem como e só encontram dificuldades. A burocratização da nossa administração pública só atrapalha e os emigrantes desolados, sentem que, poderiam fazer mais, faltando-lhes porém, apoio do Governo (quantas vezes ouvi tais lamentos).

É urgente atribuir à diáspora um Estatuto à altura do seu mérito, do seu papel histórico e da sua mais-valia para o país. Isenções e incentivos fiscais e aduaneiros devem ser revistos e devemos procurar soluções que atraem investimentos dos emigrantes. A diáspora é um evidente pecado deste Governo, um pecado que também acaba por beliscar a governação (sobre isso falarei no próximo e último pecado).

Do exposto, facilmente, qualquer cidadão conclui que o Governo deveria ter a diáspora “na palma da mão”. Infelizmente não foi que aconteceu. Contudo, estranhamente, em tempos de eleições, a diáspora é ponto fulcral do Governo. Multiplicam-se viagens, jantares, encontros com comunidade cabo-verdiana cujo objectivo é, unicamente e exclusivamente manipular os emigrantes e caçar votos. Estas viagens, que servindo fins partidários, são pagos com o dinheiro público, pelo bolso de todos os cabo-verdianos.

O Governo tem a consciência de que, a diáspora sempre teve um grande peso no resultado das eleições. Por isso, os membros do Governo, as embaixadas, manipulam as associações de emigrantes, manipulam alguns quadros da diáspora e fazem uma verdadeira caça aos votos, onde tudo é válido. Resultado, o PAICV tem tido grandes resultados eleitorais na diáspora, a ponto de o Dr. Carlos Veiga vencer, pelas duas vezes consecutivas no território nacional e perder com tanta diferença na diáspora, condicionando assim os resultados finais.

Na verdade estes resultados não espelham a vontade dos emigrantes, demonstram apenas a manipulação e o uso, indevido, do dinheiro público para deslocações e gastos astronómicos em busca de votos. E depois das eleições, nestes dois mandatos, que fez o Governo para a emigração? Não passou de promessas, tal como nos outros pecados que tenho estado a tratar.

Visitando o site do Instituto das Comunidades – “um serviço personalizado do Estado, encarregado de promover e executar a política governamental relacionada com as comunidades cabo-verdianas no exterior” - (www.ic.cv), e olhando para o programa do Governo para a emigração, encontramos algumas ideias e promessas válidas, mais ficaram pelo site, não houve concretização e os emigrantes continuam insatisfeitos com o Governo.

Pode-se dizer que, das acções aí propostas, apenas são postas em práticas, em tempos de eleições, aqueles que têm efeito imediato no resultado eleitoral, nomeadamente: “Incentivar o movimento associativo das comunidades no exterior, enquanto factor estratégico e de fundamental importância na preservação e promoção dos nossos valores culturais, na defesa dos direitos dos cabo-verdianos nos países de acolhimento e no processo de desenvolvimento das nossas ilhas”.

Eu diria que, incentivam e controlam, o movimento associativo, enquanto factor determinante na caça aos votos na emigração. Por outro lado, as associações lideradas por pessoas próximas do MpD são completamente ignoradas, nestas não chega nenhum tipo de apoio ou incentivo. E assim vai falando o Governo em boa governação, sem explicar a dimensão e o complexo significado deste conceito.

Do programa do Governo consta ainda: “Incentivar a formação e a especialização das gerações mais novas, no sentido da sua melhor integração nos países receptores e da criação de uma reserva de competências susceptível de contribuir validamente para a modernização do país”. Trata-se de mais uma medida, entre tantas outras que ficaram pelo papel, pelas promessas e pelas intenções.

Eis o sexto pecado! Na próxima semana tratarei do último pecado. Será uma conclusão desta sequência de abordagem e que nos vai demonstrar que, afinal, não tivemos boa governação com o Governo de José Maria Neves.